Quinta-feira, Junho 18, 2009

Tempos Modernos (Modern Times – Charles Chaplin, 1936)

Existem filmes que, além dos seus temas continuarem atualíssimos, mesmo com os avanços obtidos durante as décadas, revelam vários detalhes novos a cada revisitada. Tempos Modernos é um deles, pois além de ser um retrato documental do seu ano de produção pós-crise de 29, ainda mostra inúmeros aspectos e fatos que se tornariam constantes na história recente da humanidade (fome, excesso policial, miséria, greves, perda progressiva da humanização) de forma extremamente lúdica e leve, sem perder o tom de comédia em nenhum momento.

São pouquíssimos filmes que conseguem entreter, fazer rir, se emocionar, se encantar e alertar, tudo ao mesmo tempo. E Chaplin era mestre em fazer isso.

4/4

Adney Silva

Quarta-feira, Junho 17, 2009

Versus! – A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero (1968) vs. A Noite dos Mortos Vivos, de Tom Savini (1990)

Depois de uma pausa, o Versus! está de volta, e acontecerá aqui no Multiplot! quinzenalmente, daqui por diante.

Esta 3ª edição do Versus traz à tona uma discussão sempre pertinente: Original vs. Remake: Qual versão do filme A Noite dos Mortos Vivos você prefere?

Os votos de parte dos redatores e as suas justificativas/comentários já estão aí, formando uma parcial da equipe do Multiplot!. No entanto, queremos a sua ajuda, e você vai poder votar até as 19:59 de sexta-feira, sendo postado então o resultado final entre a combinação de votos da equipe e dos leitores.

Defenda com unhas e dentes sua preferência, nem que para isso seja preciso esparramar muito sangue, vísceras e membros esquartejados pelo chão:

 

A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero (1968)
vs.
A Noite dos Mortos Vivos, de Tom Savini (1990)

Thiago Duarte – Savini

Reconheço tudo o que o filme do romero representou pro cinema, e foi muito, mas putz, o filme do Savini é uma das coisas mais divertidas que existem. Aliás, tudo no filme do Savini me agrada mais, principalmente aquela troca de caracteristica das protagonistas.

Rodrigo Jordão – Savini

Nem é para dar uma de diferente e menosprezar os clássicos e tal, mas sim por realmente não gostar do filme do Romero. E por uma questão, a meu ver, simples: O aperfeiçoamento natural ao qual o “gênero” filmes-de-zumbi foi tendo, filme após filme (hoje em dia, em filmes como Madrugada dos Mortos (refilmagem de outro de seus filmes) por exemplo, já houve uma releitura da coisa toda, e os zumbis até correm, o que não vejo necessariamente como um avanço, é só um sinal dos tempos mesmo, mas isso já é outra discussão). No filme do Romero os zumbis são muito apáticos (haha admito que é engraçado falar isso de mortos), não consigo me ver apavorado naquela situação que é criada, por mais intimista, aquela intenção de tornar o clima caustrofóbico, etc. Em seu segundo filme (da trilogia, que depois virou pentalogia), Despertar dos Mortos, essa apatia é corrigida, e o Romero enfim pega o “time” da coisa.

Adney Silva – Romero

O que o Rodrigo vê como apatia, eu vejo como uma lenta e progressiva ampliação do medo exercido pela presença dos zumbis, coisa que a refilmagem não têm (não me entendam mal , até gosto da refilmagem). Mais do que isso: quem acha que o grande mote dos filmes do Romero são os zumbis não merece ter o seu voto considerado.

Djonata Ramos – Romero

Tom quem?

Daniel Dalpizzolo – Romero

Mesmo não sendo dos melhores filmes do diretor – O Exército do Extermínio e Despertar dos Mortos são infinitamente superiores – o pessimismo, o cinismo e a habilidade em catalogar e amplificar o Cinema de horror de Romero fazem de qualquer filme de zumbi dirigido por ele um produto mais interessante do que seria caso o mesmo material estivesse sob a supervisão de outro realizador.

 

PARCIAL da Equipe:
Romero 3 x 2 Savini

 

RESULTADO:

Romero 4 x 2 Savini

Esse Versus! meio que passou batido, e só tivemos um voto, e mesmo assim, esse voto veio de mais um da equipe. Enfim, o resultado então foi esse:

A versão para A Noite dos Mortos Vivos de George Romero venceu, com 4 votos a 2, de Tom Savini.

Daqui a 15 dias tem mais. Ou não, sei lá.

Terça-feira, Junho 16, 2009

O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation – McG, 2009)

Bem melhor do que se poderia esperar, bem pior do que se espera de uma franquia como Terminator. Visual acachapante mostra que McG entende de concepção visual, transformando o filme num Mad Max tunado. O problema maior deste filme (e era uma tragédia anunciada, confessamos) é o seu caráter manifestamente episódico. É apenas mais um filme da franquia, sem nada de relevante a acrescentar e o que acrescenta não é suficiente para adicionar à perspectiva que foi sendo construída por três filmes ótimos (sendo dois OPs). E o pior é que o quinto filme vem aí… Quando aparecer a primeira bomba, talvez eles parem de graça…

2/4

Daniel Costa

Terça-feira, Junho 16, 2009

Lua de Papel (Paper Moon – Peter Bogdanovich, 1973)

Por filmes como este que não sinto receio algum em colocar Bogdanovich no primeiro panteão dos diretores americanos de sua geração. Mágico, simplesmente. Bogdanovich alcança em seus filmes um tom de inocência e carinho tão grande que faz até mesmo imagens como uma criança fumando e trapaceando serem tão doces quanto um beijo ou o mais apertado dos abraços. E Lazslo Kovacs chutando bundas total, vai filmar assim na pqp.

4/4

Daniel Dalpizzolo

Segunda-feira, Junho 15, 2009

O Lutador (The Wrestler – Darren Aronofsky, 2008)

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O Aronofsky abandonou aquele cinema cheio de maneirismos e tiques estéticos (sim, eu gosto de Requiém Para Um Sonho assim mesmo) nesse novo. A impressão que fica é que ele resolveu preocupar-se mais com o estado psicológico de seus personagens do que massagear seu ego de diretor-cult-fazedor-de-arte. Pois bem, mostra talento sendo mais comedido e, principalmente, objetivo. O Lutador dentre toda sua gama de complexidade psicológica, é, acima de tudo, um filme sobre o passado e o presente, sobre o velho contra o novo, sobre o esquecimento, sobre a solidão.

4/4

Djonata Ramos

Segunda-feira, Junho 15, 2009

Billy Elliot (Stephen Daldry, 2000)

Há quem ache Stephen Daldry um diretor péssimo. Eu não acho, não depois de rever Billy Elliot. Tudo bem que Daldry é um poço sem fim de pretensão em As Horas. Tudo bem que Daldry é menos que um amador descontrolado no medíocre O Leitor. Mas o Daldry de Billy Elliot é um diretor concreto, de uma câmera precisa em cada um de seus reveladores planos gerais (inclusive os mais pretensiosos); é um cuidadoso diretor que monta em cena uma mágica presença como a de Jamie Bell em toda sua inquietude ambulante e dançante, num sem fim de números espetaculares, todos eles. Daldry pode ter virado um bosta, mas ainda pode haver solução, afinal ele começou com este filme excelente… Vai saber.

3/4

Thiago Macêdo Correia

 

ou:  Billy Elliot (Stephen Daldry, 2000) – Cassius Abreu

Sábado, Junho 13, 2009

X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine – Gavin Hood, 2009)

Muito, muito fraco… Comete basicamente os mesmos erros de X-Men 3: priorização da ação em detrimento da construção dos personagens. Gambit aparece apenas para umas acrobacias e umas caras e bocas, totalmente sidekick. Asséptico, comportado, enfim 100% recomendado para adolescentes de hoje. Vale pelo Jackman e pelo Liev e olhe lá, já que até a relação dos dois personagens foi esmagada pela intenção dos responsáveis por isto em oferecer cenas de ação duca…

1/4

Daniel Costa 

Sexta-Feira, Junho 12, 2009

Marcas da Violência (A History Of Violence – David Cronenberg, 2005)

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Logo no início do filme, quando Sarah, a filhinha de Tom, acorda gritando depois de um pesadelo, ela diz que: “havia monstros aqui”, e a cena que precede isso é a qual dois assassinos fazem uma chacina em um desses hotéis de beira de estrada, como se esse fosse o pesadelo que ela teve, como se eles fossem os monstros. E Marcas da Violência é isso, uma guerra sobre a lama, monstros matando monstros, e os respingos disso fazendo vitimas que não tenham nada a ver com a história. Na verdade o título original “history of violence” é perfeito, já que tudo não passa de uma espécie de conto de fadas invertido, onde ao em vez de ser uma história para se contar para crianças ninar, deveria ser lido por algum aspirante a bandido que esteja em alguma detenção infantil, como a Cinderela dos marginais. Já que o protagonista, o “herói” que é nos dado para torcer, é simplesmente o maior filho da puta do filme, e um dos melhores vilões da filmografia do Cronenberg.

O que há em Marcas da Violência é um confronto entre o que parece ser e o que realmente é, Cronenberg cria uma mística em torno de Tom Stall semelhante a que Clint Eastwood fez com Bill Munny, em Os Imperdoáveis. Ele torna um personagem comum, uma pessoa comum, dedicada a família, amigos, trabalho, etc… Em um ser alienígena, de estudo, daqueles que olhamos com desconfiança como se tivesse uma bazuca por de baixo da pele. Quando olhamos pra Tom enxergamos o tipo de cara que acorda no meio da noite para tranquilizar a filha depois de um pesadelo, que é recebido na rua por quem quer que seja sempre com um sorriso no rosto e uma entusiasmada saudação, que é idolatrado pela família como se fosse um herói e etc… Cronenberg filma Tom assim, filma da forma que Tom gostaria de ter sido, e ao mesmo tempo, sugestiona algo totalmente diferente. Cronenberg nos mostra a ilusão da vida perfeita, e depois nos lança para realidade violenta e podre. Ele torna Tom no herói modelo a ser seguido, e depois, inesperadamente, destrói toda a imagem que tínhamos criado até ali, nos dando apenas duas alternativas de como seguir o filme dessa hora em diante: torcer para que Tom se safe e continue com seu castelo ilusório que construiu até ali, ou que sofra as consequências por ser o que realmente é.

Tom não existe, apenas Joey. Torcer para ele é como torcer para a impunidade. É acreditar que um arrependimento moral (que não existiu também, apenas uma fuga covarde) seja o suficiente para livra-lo da pena de toda barbárie que já tenha cometido. Quando sua esposa descobre toda a verdade, de que no passado tinha sido um assassino covarde no qual sentia prazer em eliminar suas vitímas, ele alega que essa pessoa não existe mais, que tinha ido até o deserto, passado anos, até conseguir fazer seu último assassinato, – simbólico – de Joey. E isso na verdade cria vários paradoxos ideológicos para o personagem: Joey criou Tom para se dar uma nova chance, criou Tom para se livrar de Joey, dar o castigo que esse merece e continuar vivendo uma vida comum. Acontece que Tom foi criado para matar, e isso evidência todo o comportamento violento do personagem. Ele cria um assassino para acabar com outro. Ele acaba com a mente de Joey, que usou aquele corpo para todo tipo de violência, e coloca no lugar uma igualmente mente assassina, se não fisíca, pelo menos psicológica. Não interessa se é Tom ou Joey, ambos são igualmente assassinos e perturbados. E o fato de Tom (ou seja quem for) querer “matar” Joey, é equivalente a querer acabar com o remorso, o mínimo de castigo que ele deveria carregar consigo. O justo. Se o arrependimento fosse verdadeiro, o mínimo que poderia fazer é viver sendo Joey, lamentando o que fez, acordar suado a noite com pesadelos sobre suas vítimas, com as famílias que ele destruiu. Se não sofrer as consquências físicas, pelo menos as psicológicas. O seu suposto arrependimento foi o suficiente para ele se dar uma nova chance, achar que tinha o direito de começar uma nova vida, com uma nova família, e sair impune de qualquer ato que tenha cometido, e isso é a principal prova de que não existiu arrependimento, existiu um desgaste, uma vontade de levar uma outra vida, ele decidiu ser bom da mesma forma que antes decidiu ser mal, foi uma escolha sem muitas reflexões “agora eu sou bom, não vou mais matar e quero levar uma vida comum”. Acontece que não a volta depois que se puxa o gatilho, principalmente repetidas vezes. Ele merecia um castigo do qual se deu o luxo de esquecer.

Quando o passado surge a tona de novo, a fins de desmoronar toda a ilusão de vida que ele havia criado, Joey surge imediatamente do nada. Ele volta a matar, adere ao seu antigo comportamento assassino, entende talvez que aquelas pessoas merecem morrer. Mas merecem morrer por serem o que ele já foi (ou é)? Isso não importa, e Joey decide convenientemente reviver Joey, pelo menos as habilidades assassinas dele. Ele mata quem julga merecer morrer, principalmente se esses ousarem desestruturarem a família que ele levou tanto tempo para formar, a vida que lhe deu tanto trabalho para criar. Tom vira um alter ego e Joey uma identidade secreta, o homem para o trabalho sujo, e quando esse acaba, volta a ser novamente Tom livre dos remorsos e tudo mais. Acontece que Tom não existe, e quando ele deixa Joey tomar as redéas novamente, ele mesmo se da conta disso. A última cena, do jantar, ele voltando pra casa, não é apenas a melhor cena do filme – e que sintetisa o filme todo – mas sim a melhor da filmografia do Cronenberg, e uma das melhores do cinema. É Joey entrando em casa pela primeira vez (ok, sempre entrou, mas agora concientemente) e tendo que encarar pela primeira vez sua família sendo um assassino. E mais, tendo que encarar a família de mais uma de suas vítimas, já que Joey criou Tom, e Joey, da mesma forma, matou Tom. Tom não existe mais. Ele mata o marido da sua própria esposa e pai dos seus próprios filhos. Ele vê sua filha colocando um prato a mais na mesa para o assassino de seu próprio pai. Acaba com a família das pessoas que mais ama, e a expressão dele diante disso (aliás, o Viggo tá um monstro aquela hora) é de uma melancolia desesperadora.

Finalmente ele começa a sofrer as consquências, e as coisas tentendo a melhorar devido a desgraça interna que ele sofre. Já que não poderia existir justiça se não o sofrimento para ele. Ele é tão monstro quanto qualquer outro que tenha matado, e merece tudo aquilo, apenas se escondeu atrás de uma família convencional.

 

4/4

Thiago Duarte