A Dama Fantasma (Phantom Lady – Robert Siodmak, 1944)

Um paradoxo ambulante. Todo o primitivismo narrativo e a ingenuidade já pouco comum em meados de anos 40 em conluio com um insight mais radical que o outro. A cena em que Kansas segue o barman pelas ruas de Nova Iorque é uma coisa de outro mundo em termos de composição de planos, de iluminação e de ritmo, mas o troço mais absurdo é a parada de 3 minutos que Siodmak faz em um quartinho com uma banda de jazz destruindo a altas horas da madrugada pra plateia nenhuma, onde rola uma espécie de onomatopeia visual pra uma impensável cena de sexo entre a mulher e o bateirista. Outra solução fantástica é a cena da morte do mesmo bateirista, quando o assassino se levanta cobrindo com o corpo a única réstia de luz da cena, literalmente o apagando do filme.

Pena A Dama Fantasma estar em pedaços, e os longos e aborrecidos hiatos entre uma grande ideia e outra impedem de concebê-lo como uma unidade. Não se trata de uma irregularidade planejada como em Baixeza ou Os Assassinos; apenas consequência de uma limitação imposta por provável falta de autonomia. Ainda assim, no cinema, vale mais um único ponto alto que uma linha sempre estável e consistente de mediocridade.

2/4

Luis Henrique Boaventura

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