Arquivo do mês: dezembro 2008

Ano Novo!

Gente, queremos agradecer a todos que fizeram o MP! neste 2008, nosso ano de estréia. Seja nos textos, seja nos comentários, seja apenas lendo – o que já é MUITO considerando que as pessoas tem cada vez menos tempo pra tudo. Se 5 minutos do dia de alguém é dedicado a algo que a gente escreve, à nossa voz, à nossa visão de cinema e de mundo, putz, podem ter certeza que tudo que tentamos fazer neste blog discreto em 2008 valeu a pena. E 2009 será muito maior. Obrigado por tudo, e continuem com a gente, feliz ano novo!

Um GRANDE abraço!

MP!

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As Pontes de Madison (Clint Eastwood, 1995)

“Os velhos sonhos, eram bons sonhos. Não se realizaram, mas estou feliz por te-los tido”.

E foi apartir daí, do momento em que essa frase foi dita, que uma certa barreira emocional foi destruída em mim, que no intervalo silêncioso dessa frase duas expressões identicas se refletiram, é o cinema virando um espelho, e se intensificou depois, no momento em que o Clint Eastwood fica parado, na chuva, refletindo, se essas palavras que foram proferidas por sua própria boca ainda representavam o seu pensamento, e todo o meu conceito do que representava essa arte foi espatifado. Extremamente difícil de entender o que aconteceu comigo desse momento em diante, mas eu não assistia mais o filme com a visão egoísta da satisfação própria, eu não me importava comigo mais do que com eles, pelo contrário, a melhor forma de descrever – mas ainda assim passaria longe – é quando uma pessoa reza pela vida de quem ama “por favor, puna a mim, mas poupe ele” e era mais ou menos isso, eu abdicava da minha satisfação em nome deles, não me importava com a minha frustração (mesmo sem entender o que isso possa significar) só estava grato por acompanhar o que eles estavam vivendo até ali. Só me importava em sentir, não interessa o que, e então meu corpo virou um canalizador de emoções. E foi então a experiência mais intensa que o cinema me proporcionou.

E se durante a vida você pode achar sua alma gêmea cinematográfica, eu encontrei a minha, e não tenho mais a pretensão de viver experiência semelhante com essa arte de novo, e nem me importo. Estou feliz com que alcancei aí, e, nesse sentido, a única coisa que quero de agora diante é envelhecer e morrer abraçadinho com ela.

4/4

Thiago Duarte

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Screenshots! – A Catedral (Michele Soavi, 1988)

Luis Henrique Boaventura

Um épico do horror italiano. A engenhoside, o talento, o humor negro, as composições, a maldade impressa em cada novo e mais inacreditável assassinato, e uma câmera que não tem cabos, suportes ou braços que a guiem. É como se nem existisse, e o espectador entrasse e planasse feito fantasma ao longo da grande catedral. Obra-prima desse bruxo do cinema fantástico.

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Herói (Zhang Yimou, 2002)

Um balé pros sentidos, cirurgicamente coreografado e apaixonadamente filmado. Olímpico, solene e deslumbrante. A própria estrutura e o modo como Herói flui sugerem a execução de um ritual, uma celebração dos sentimentos mais primitivos e tão saturados com os quais o homem vem tendo contato desde sempre. Uma encenação pura das emoções. A paixão, o amor, a compreensão, a vaidade e a paz. E é acima de tudo um canto de socorro.

Porque Herói pede um abraço, pede que esqueçamos de onde viemos ou quem somos para mergulharmos de olhos, ouvidos e coração abertos neste sonho filmado de Zhang Yimou, um universo ancestral onde os valores mais simples do mundo podem enfim voltar a ter sentido, onde uma declaração de amor é livre para ser dita sem este filtro aborrecido que nos faz enxergar pieguice em tudo.

Por isso mesmo, é mais que natural que Yimou entoe seu hino de paz de uma conexão direta com a imaginação e a fantasia, onde preocupar-se com detalhes tão elementares como leis da física diante da eloqüência visual e sonora dos sentimentos sendo materializados na tela é simplesmente burrice. Onde abdicar de si por algo maior soa tão ridículo e faz tão parte de um sonho quanto chineses voando por aí.

Herói exige entrega suicida, exige que você abra os braços e se lance em queda livre por um mundo impossível que, se chegou realmente a existir, foi por um momento, nos lábios de alguém que disse “eu morreria por você” de um jeito assim cheio de verdade.

4/4

Luis Henrique Boaventura

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Gomorra (Matteo Garrone, 2008)

“A Camorra é o único fenômeno mafioso proveniente de um meio urbano. Seu lugar de nascimento é Nápoles, Itália; a data, em torno do início do século XIX. A Camorra controla de perto o território, e é muito integrada ao tecido social, sobretudo junto às camadas mais pobres. Imagina-se que conte atualmente com cerca de 110 famílias operacionais e cerca de 7000 afiliados. As atividades da Camorra são incontáveis, da agiotagem à extorsão, do contrabando de cigarros ao tráfico de drogas, da importação irregular de carne à fraude à União Europeia. Sem esquecer os dois sectores “tradicionais” de monopólio: o do jogo clandestino e o de produção de cimento na região da Campania.”

Fonte – Wikipedia

Vários filmes sobre a máfia (especialmente a Italiana ou de descendentes de italianos) já foram feitos. A grande maioria deles se valia, entre outras coisas, de uma estética mais apurada, de grandes astros (se não eram na época, se tornaram) e, sobretudo, de todos os subterfúgiso oferecidos pelo cinema (trilha sonora, fotografia, etc.) para tornar a experiência a mais cinematográfica possível. Já “Gomorra”, a mais nova empreitada do cinema na máfia italiana (desta vez abordando a Camorra, a máfia napolitana), segue o caminho totalmente inverso.

Se existe uma palavra para definir o filme é crueza. O filme tem um ritmo bem compassado, não se utiliza de uma edição frenética, nem ao menos faz uso de uma trilha sonora. Isso tudo, somado as imagens sem concessões e quase que documentais que se sucedem na tela, faz com que a experiência de assistir as 2 horas e 15 minutos seja impáctante, tamanho o realismo que aquelas cenas imprimem na sua retina (e, a partir daí, são transportadas para o seu cérebro). Diferente de “Cidade de Deus” (com quem o filme tem sido constantemente comparado), aqui a experiência é mais visceral, sem ficar nenhuma sensação efêmera (coisa de que Cidade de Deus sofre um pouco), sem que seja passada uma sensação planfetária e, por que não dizer, plastificada pelo excesso de produção (outro pequeno mal de Cidade de Deus).

Se houve influência de Fernando Meireles em Matteo Garrone (diretor do filme), não sabemos. Mas, no final das contas, “Gomorra” acaba tendo mais relevância do que o seu semelhante brasileiro.

3/4

Adney Silva

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Screenshots! – Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança (George Lucas, 1977)

Daniel Costa

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O Horrível Segredo do Dr. Hichcock (Riccardo Freda, 1962)

Tá ficando cada vez mais difícil assistir essas coisas. Esse foi num vhs rip muito podrão (com direito aos comandos do videocassete aparecendo na tela), sem diversos pedacinhos porque o download travou faltando 80 mb e com áudio italiano sem legendas porque eu digitava Hitchcock ao invés de Hichcock na porra do opensubtitles porque eu sou muito burro mesmo. Mas enfim, deve fazer tipo parte da aventura ou sei lá.

Primeiríssimo Riccardo Freda. Começo dizendo que essa coisa de beber da fonte dos velhos contos com atmosferas medievais e tramas cheias de peculiaridades doentis que os caras buscaram no princípio do gênero não me deixa tão entusiasmado quanto as outras vértices do horror italiano, mas o Freda sabe bem chamar a atenção pra si em algumas composições belíssimas em conluio com a direção de arte e uma iluminação sobrenatural de velas e lâmpadas douradas.

Em quase todas as cenas internas nota-se um contraste cuidadosamente preparado entre o preto e o amarelo (isso porque acredito que o cara que ripou não derramou café na fita) e a presença fremente dos candelabros como instrumentos que dão vida própria às sombras do cenário. Isso tudo pra dizer que quando uma atmosfera que vem pronta (casarão isolado do século 19, à noite, com um temporal desabando do lado de fora e uma presença maligna espreitando pelas frestas) é bem trabalhada, a experiência de se assistir a um filme torna-se mística pela rara habilidade de alguns desses caras pra te tragar cena adentro.

Principalmente porque é estranho, num primeiro momento, acompanhar 90 minutos de um filme sustentados sem as habituais mortes gráficas entrecortando a trama como ganchos pra crescentes de tensão e belíssimos assassinatos, e é quando o talento pra sugestionar perigo e criar aquela iminência de coisas que nunca chegam realmente a acontecer precisa ser provado. L’Orribile Segreto del dott. Hichcock é inteiro um filme do horror mais pela sutileza elegante de um bom suspense que pelos picos sensoriais do próprio horror. Isso apesar da sua natureza inconfundível que não o define, mas o mantém num limite sempre estável entre os dois gêneros.

Aliado a esta ambigüidade um clima sempre onírico e alucinado, uma obsessão necrófila maravilhosa, um visual com cores incendiadas, umas inserções broxantes de cenas num hospital e um final incrivelmente babaca, dá pra dizer que Dr. Hichcock é um ótimo filme e que a expectativa pelos próximos Fredas é grande. O que falta aqui é o amadurecimento natural do próprio gênero, nada que o tempo, uma lâmina e muito sangue falso não resolvam.

3/4

Luis Henrique Boaventura

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