Arquivo do mês: junho 2008

Zero de Conduta (Jean Vigo, 1933)

A transação cinematográfica dá a forma. A social, o conteúdo. Zero de Conduta, penúltimo dos poucos filmes do francês Jean Vigo (mais conhecido pelo clássico O Atalante, e que morreu logo depois de finalizá-lo por causa de uma crise de tuberculose), talvez reflita em seus sensíveis e hipnotizantes 40 minutos algumas das imagens mais importantes dos registros fílmicos das primeiras décadas do século XX, e embora normalmente as afirmações do tipo sejam pouco funcionais, justifica-se como um dos mais fundamentais momentos do cinema pré-Cidadão Kane (somente utilizando uma demarcação histórica de compreensão instantânea).

O filme basicamente traduz para celulóide o sentimento de revolta social para com a repressão, concentrando-se em um grupo de crianças que dias depois de retornarem das férias ao internato onde estudam realizam uma mobilização contra a severidade de seus professores. Um discurso aparentemente desgastado, mas que impressiona justamente pela maneira como Vigo dá forma ao seu radicalismo, revigorado por um crescendo narrativo impecável que vai da doçura até a efervescência sem jamais quebrar a essência de Cinema – e não são poucos os filmes de esquerda que esquecem da mídia para fazer panfletagem.

Porque Zero de Conduta é magia pura, genuína, daquela que faz com que paremos nossa rotina para fixarmos o olhar numa tela de tevê durante duas horas, três, ou mais. Um casamento perfeito entre a forma e o discurso, que consegue ao mesmo tempo transmitir um encanto quase ingênuo e impressionar pela força de seu argumento. E é também um dos maiores exemplos de cinema anárquico e libertário já produzidos, simplesmente porque nada pode ser mais delicioso do que ver a sensação de liberdade ganhando forma em uma guerra de travesseiros.

4/4

Daniel Dalpizzolo

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Sex and the City (Michael Patrick King, 2008)

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Sex and the City, a série, foi uma das mais interessantes obras vinculadas na televisão em muitos anos. Acompanhando a rotina de vida de 4 mulheres de Manhattan, em seu mundo de luxo, futilidades e preocupações sentimentais (sexo, sexo, sexo!!!), a série se revelou um bom estudo do comportamento feminino universal, mesmo que ali estivessem retratadas mulheres de alto poder aquisitivo e um meio tão superficial. O caso é que o texto delicioso espantava qualquer vestígio de obviedade e capacitava os dramas ao alcance de qualquer “leitor” mais atencioso. Além da ousadia impar – até então – na abordagem da liberdade sexual em um meio de comunicação tão amplo (ainda que Sex and the City passasse na HBO, a quantidade de pessoas que alcançava era gigantesca), com mulheres de 30 anos se portando como homens e libertando de amarras para discutir – e fazer – (MUITO) sexo na busca de suas definições pessoais. No final das contas, Sex and the City, a série, não tem muitos poréns, foi de execução primorosa. Já Sex and the City, o filme, tem lá suas muitas cotas de erros. Em primeiro lugar, a obviedade de parecer um episódio estendido, ou 5 episódios unidos, já que o filme tem inacreditáveis duas horas e meia de duração. Na primeira meia hora ele se basta em “explicar” um pouco a série para quem não acompanhava (outra obviedade) e se limita aos preparativos do mais comum dos eventos em qualquer comédia romântica que se preza: o casamento. E aqui está uma absurda obviedade ao se considerar fazer o filme, a vontade de ganhar dinheiro. E desenvolver o filme como uma comédiazinha qualquer auxiliaria em um alcance maior de público, os mais conservadores poderiam não se chocar tanto. Por sorte, uma “reviravolta” (oh) muda os rumos do filme que aos poucos vai ganhando os contornos conhecidos de maior acidez nos conflitos e os personagens se tornam mais interessantes para o público (quem que viu a série vai compreender a Carrie querendo se casar?). E aparece, finalmente, o sexo, personagem importante na série, mas mero coadjuvante errôneo no filme. Como outros vários coadjuvantes, como Jennifer Hudson, com funcionalidade óbvia e descartável.

Mesmo que em alguns momentos role uma boa inspiração no texto, como em citações críticas da inflação (através do aumento do custo dos clássicos Manolos), de referências boas à série ou em várias “piadinhas” internas (a homossexualidade de Cynthia Nixon), o geral é bastante razoável, ficando muito aquém da qualidade indubitável do texto da série. Sorte as quatros atrizes estarem tão bem em seus papéis (destaque para Kristin Davis, a de menor brilho, tanto na série quanto no filme, mas dona da cena mais forte do filme) e conhecerem seus personagens como cada um de seus sapatos de 525 dólares. Sorte mesmo foi a palavra determinante para avaliar Sex and the City, o filme, positivamente, mesmo depois de tantos pontos contra. Afinal, houve um dia uma série brilhante.

2/4

Thiago Macêdo Correia

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Rebecca (Alfred Hitchcock, 1940)

Um dos mais populares filmes de Alfred Hitchcock é este Rebecca, tanto por representar o único Oscar de melhor filme recebido pelo gorducho mais popular da velha Hollywood quanto por ser o primeiro de seus trabalhos financiado por um estúdio norte-americano. Mas não vejo outros motivos para que tenha se transformado em ícone cinematográfico que não sejam ligados a este grupo de conquistas extra-filme. Embora passe muito longe de figurar entre seus piores filmes, como Suspeita e Cortina Rasgada, Rebecca vale nitidamente mais por ser o primeiro veículo do diretor dentro da grande indústria de cinema, já que como filme consegue desperdiçar boa parte dos atrativos apresentados pelo excesso de carga amarrada às costa do desenvolvimento do mistério.

O principal motivo para tanto parece ser bem simples, já que não existe filme no mundo produzido por David O. Selznick, o grande símbolo dos estúdios cinematográficos do período de maior respeito da indústria, que não tenha sofrido intervenções particulares do produtor. Rebecca é vendido como um grande show-room das principais características do cinema de Hitchcock, e embora comprado por muito mais, justifica-se exatamente dessa forma. É uma extensa vitrine de obsessões e características do diretor, moldada do jeitinho que o chefe gosta, quase como um cartão de entrada no qual estão inscritas as mais importantes feições que o suspense iria revelar em Hollywood nos anos seguintes, através das inovações técnicas e narrativas do primeiro especialista do gênero.

Embora seja sedutor saber de um filme que catalisa a essência de Hitchcock em uma estória só, o conceito acaba revelando também a fragilidade que o cinema de superfície apresenta quando feito de forma superficial. São mais de duas horas de esquetes que tentam trabalhar sob o mesmo discurso – é um filme sobre o passado-, mas que passam longe de vitaminar uma construção de continuidade, transmitindo uma sensação de inconstância narrativa e contando com momentos mais longos do que o ideal e outros que poderiam ter sido inflados sem que se perdesse fluência. Mas nem isso é suficiente pra fazer de Rebecca um filme ruim, o próprio universo gótico em que se insere permite a Hitchcock filmar alguns momentos muito interessantes, além de inaugurar um conceito fantástico de filme ligado a uma imagem que nunca existiu.

2/4

Daniel Dalpizzolo

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Santos e Demônios (Dito Montiel, 2006)

Lançar um olhar sobre um filme como Santos e Demônios requer cautela, das mais cuidadosas possíveis. Estamos diante de um dos filmes mais pessoais já feitos, sem sombra de dúvidas. Ele não é simplesmente uma reunião de lembranças de um passado que é projetado na tela por seu realizador, Dito Montiel. É Dito também que está retratado, autenticamente e complexamente em cada frame do filme. Ele se assume como realizador de uma leitura própria de sua história e resolve contar o que aconteceu por meio de sua memória, real e imaginária, que conflitam durante o filme em momentos que personagens falam para a câmera, se assumindo claramente como algo, definições e constatações, sejam elas dos próprios personagens, sejam elas de Dito sobre eles/ele (em determinado momento ele, Dito personagem, assume que irá abandonar todos no filme, sendo isso sua memória atual de um passado que ele irá revisitar buscando esses motivos). Existe também a opção do off sempre em ritmo mais brando que a cena que acabou de ser projetada, a repetição exata da fala em cima de outra cena, mas que prova que o fragmento ali transposto por Dito, o diretor, pode ser o que ele pensou que fosse e não exatamente como se deveu a realidade exata. Ou ainda que devesse seguir da maneira mais eloqüente, justamente a fim de evitar as complicações que decorreram dali.

Santos e Demônios se utiliza da metalinguagem de maneira extraordinária. Dito é diretor e personagem, e o personagem no filme que revisita seu passado o faz por meio da leitura de seu livro, da sua dramatização da própria história; mas essa dramatização pode não condizer necessariamente com o que foi, mas com o que ele projeta ter sido e o conflito dele com essa “realidade histórica” no presente é que leva Dito, diretor e personagem, ao reconhecimento e confrontação de si mesmo. Um estudo inexplicável a uma alma perdida em suas rupturas, brilhantemente interpretado por todo o elenco, de Shia LaBeouf a Rosário Dawson, de Chazz Palminteri a Dianne Wiest, chegando a um desempenho magistral de Robert Downey Jr, ator capaz de compreender todo o momento de (re)visão interior que seu personagem – e o diretor – imprime ao longo desse caminho. Notável a coragem de Dito Montiel em se lançar em algo desse nível de intimidade. E absoluto o resultado alcançado por ele.

4/4

Thiago Macêdo Correia

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Agente 86 (Peter Segal, 2008)

Agente 86, a série de TV, surgiu na década de 60, época em que a série James Bond era uma novidade e uma grande febre, então uma paródia de Bond era algo até ousado. Infelizmente, não conheço a série para tecer maiores comentários, mas atualmente, depois de vários filmes do agente 007, além das cópias, variações, clones e paródias afins, o quê Agente 86, o filme, poderia trazer? Felizmente, muita coisa. A principal foi não se apoiar tanto no agente britânico. Claro que aqui temos mais um agente que trabalha para um órgão secreto do governo (C.O.N.T.R.O.L.E.) que tem suas bugigangas e trabalha com uma parceira (Agente 99) tentando combater uma organização terrorista (K.A.O.S.), mas Maxwell Smart, aqui vivido por Steve Carell, definitivamente não é um James Bond. Carell traz uma certa inocência ao personagem que sonha em largar o serviço burocrático da C.O.N.T.R.O.L.E. e ser um agente de campo, para executar as missões secretas. Essa disputa interna na Agência é muito bem trabalhada no filme, mostrando o atrito entre os agentes. Maxwell se encontra no meio dessa disputa quando vê que os agentes de campo não levam a sério o serviço burocrático, então, ao mesmo tempo em que tem que provar que esse serviço é tão importante quanto o trabalho em campo, também não vê a hora de largar isso e partir para as missões.

Steve Carell é um dos melhores comediantes da atualidade, que utiliza um humor que não dispensa o pastelão, mas muitas vezes é mais discreto que outros como Jim Carrey ou Mike Myers. Ele não faz tantas “caras e bocas” como Carrey e nem se monta para fazer mil personagens como Myers na série Austin Powers. Nada contra os outros (que também curto), mas Carell é diferente e essa diferença é bem vinda. E falando de Austin Powers, outra paródia famosa de James Bond, Agente 86 se diferencia dela e muito já que em nenhum momento se vê na obrigação de apelar para chamar a atenção. Aqui não temos cenas bobas que muitas vezes constrangeram o público, nem piadas de baixo calão. Essa necessidade de querer aparecer a qualquer preço muitas vezes incomoda nos filmes do gênero. Agente 86 se difere dos demais quando consegue ser bem engraçado sem precisar se rebaixar. Além disso, o filme também investe em ótimas cenas de ação. Para completar o pacote, temos a beleza de Anne Hathaway fazendo a Agente 99 formando um ótimo par com Carell, e o elenco de apoio também rende muito. Dwayne Johnson (ex-The Rock) faz o 23 que é o agente sensação da C.O.N.T.R.O.L.E., Alan Arkin (que trabalhou com Carell em Pequena Miss Sunshine) faz o chefão da agência e Terence Stamp é Siegfield, chefe da K.A.O.S., sem falar nas divertidas participações de Bill Murray e James Caan. Dessa forma, Agente 86 se destaca como uma das melhores comédias dos últimos tempos.

4/4

Jailton Rocha

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O Incrível Hulk (Louis Leterrier, 2008)

Diversão. Essa palavra define bem o que os estúdios Marvel têm conseguido apresentar desde que resolveram tomar conta de alguns de seus super-heróis. Como já haviam conseguido em O Homem de Ferro. O Incrível Hulk é engraçado, cheio de ação e uma trama bem amarradinha. Além disso, conta com um elenco bem sintonizado: Norton está ótimo, como de costume; William Hurt, apesar de discreto, é o William Hurt; Liv Tyler é um monumento e não fica só nisso, desempenha muito bem o papel de donzela em perigo, representando muito bem a urgência que Hulk tem em resolver problemas. E, por fim, Tim Roth. Como é bom vê-lo em um papel importante (não, não acho Roth um grande ator, mas também não o acho ruim ao ponto de ser relegado somente a produções sem expressão alguma) e ele dá conta do recado como principal rival do gigante esmeralda, demonstrando uma obsessão doentia por derrotar Hulk e, de certa forma, uma inveja crescente dos poderes do gigante.

As cenas no Rio de Janeiro ficaram muito boas, é interessante e engraçadíssimo ver o Ed Norton arranhando no português. No final, ainda temos uma surpresa pra quem já assistiu ao Homem de Ferro até o final dos créditos.

3/4

Djonata Ramos

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Harry Potter e o Cálice de Fogo (Mike Newel, 2005)

Antes de qualquer coisa, não sou um pottermaníaco. Não li nenhum dos sete livros, e não gostei tanto assim dos três filmes iniciais, A Pedra Filosofal, A Câmara Secreta e O Prisioneiro de Azkaban. São bons, mas não me despertaram tamanha paixão para que ficasse fã do personagem. Mas gostei e muito dos dois últimos filmes, O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix, principalmente, desse quarto episódio dirigido pelo inglês Mike Newel.

Os três filmes iniciais da série Harry Potter são eficientes e funcionam mais como uma grande introdução da história. Através deles passamos a conhecer os personagens (mocinhos e vilões), a escola, as magias, e todas as demais situações e características que envolvem esse universo. Então, até aqui sabemos de tudo sobre Harry Potter: Quando bebê quase foi morto quando sofreu o ataque de um poderoso bruxo, Voldermort, o mesmo que matou seus pais. Como órfão foi posto para adoção, sendo assim criado por seus tios maternos, que sempre fizeram questão de tratá-lo mal por saber o que o Harry poderia representar. Aos 11 anos descobre sua história quando é convocado a ir estudar na escola de magia e bruxaria de Hogwarts. Os filmes mostram e muito bem essa jornada do personagem quando este passa a conhecer mais sobre seu passado, descobrindo esse novo mundo onde foi posto. Só que depois de três filmes, já sabemos tudo o que tínhamos que saber, e assim, a história tinha que começar para valer. É isso que esse quarto filme faz de maneira muito eficiente.

Harry Potter e o Cálice de Fogo atira a história para frente adotando uma postura “montanha-russa” de filmes como De Volta Para o Futuro Parte II e Indiana Jones e o Templo da Perdição. Claro que aqui não temos um ritmo tão frenético como desses outros filmes, mas para quem se acostumou com o ritmo da série, vai achar que tudo é rápido demais, e para quem leu o livro, com muitas tramas e sub-tramas, nem vai sentir o filme passando. Tudo no FF. Mas filmes desse tipo não têm que perder muito tempo explicando história ou personagens, até porque são continuações de filmes que já conhecemos, por isso já estamos introduzidos nesse universo previamente. E esse quarto filme de Harry Potter se põe assim, principalmente quando os personagens são atirados de uma situação para outra, sem tempo para tomar decisões, agindo na maioria das vezes de forma instintiva. Harry já teve que agir desde os primórdios de forma mais instintiva, só que antes ele tinha um inimigo claro à frente, fazendo com que ele pudesse analisar melhor o que fazer em certas situações. Lembrando disso nos outros filmes: No primeiro, ele tinha que evitar que alguém pegasse a pedra filosofal; no segundo, tinha que descobrir quem era a pessoa que abria a câmara secreta; e no terceiro, tinha que tomar cuidado com um possível ataque de Sirius Black, o fugitivo de Azkaban. Mesmo que o mal não era o que ou quem o Harry imaginava inicialmente, o personagem sempre tinha um inimigo claro e visível. Aqui isso não ocorre. O mal não se mostra de forma alguma e age nos bastidores conseguindo manipular a tudo e a todos para conseguir o que quer. Harry não tem quem combater, passando a sair tateando pelas situações que apresentam diante dele. O personagem está totalmente perdido, sem saber o que fazer. Assim que as coisas funcionam por aqui.

Outra coisa que vemos é o sentimento de isolamento que Harry sofre quando os demais estudantes pensam que ele agiu de má fé, e até uma briga com o melhor amigo rola por aqui. Perdido e isolado, é assim que ele se sente, e isso não deixa de ter uma relação direta com o que muito adolescente (ele já é adolescente!) sente nessa faixa de idade. Isso é possivelmente o que chama atenção do público geral para o personagem, já que mesmo vivendo num mundo bem diferente e fantasioso, ele não deixa de passar por muita coisa que qualquer um pode passa pela idade dele. Lembrando também que o público o acompanha desde os 11 anos de idade e assim acabou crescendo junto com ele. Uma ilustração disso tudo é a cena de Baile dos Estudantes que acontece aqui. Fica claro como aqueles personagens cresceram e são “normais” mesmo estando nesse mundo totalmente diferente. O diretor Mike Newel consegue explorar bem essa cena envolvendo os devaneios românticos de molecada de Hogwarts

Visualmente, o filme herdou do 3º filme (O Prisioneiro de Azkaban) a mudança geral que houve quando se abandonou os aspectos mais infantis dos dois primeiros filmes passando para um visual mais sombrio. O visual da série (e a série em si) cresceu muito com essa mudança e esse quarto filme acompanha esse crescimento. Aqui isso é acrescido quando temos várias mudanças de cenários/situações durante o filme, com cenas que muitas vezes se contrastam umas com as outras. Entendendo melhor isso: A Copa Mundial de Quadribol, que acontece logo no começo, tem um visual ultra-colorido e bem movimentado, ao contrário da cena do Dragão no Torneio Tribruxo que possui um visual mais seco e sem overdose de informações. Basicamente, é só o Harry e o dragão quando antes era uma platéia enorme e animada diante dos jogadores de quadribol. Esses contrastes são bem explorados e em nenhum momento o filme fica com o visual cansativo.

Sobre a história, sei que muitos que leram o livro reclamam do corte de muita coisa. Várias tramas e sub-tramas foram excluídas. Inicialmente, a idéia era de fazer dois filmes para caber tudo (ou quase tudo), mas isso foi abandonado e fizeram um resumo do que de principal acontece na história. Uma decisão acertada a meu ver porque: 1) Cinema e literatura são duas linguagens bem diferentes e muita coisa do livro poderia simplesmente não funcionar tão bem no filme; 2) A série vinha num ritmo devagar. Os filmes anteriores são longos, cheio de explicações e detalhes, então era necessário dar uma turbinada na história nesse quarto filme. Ele tinha que ter uma rapidez para que a série pudesse ir logo ao que interessa (que no fim de tudo é o eterno combate do bem contra o mal). O filme se apresenta muito bem do jeito que ficou, e se ficaria melhor se tivessem incluído uma coisa ou outra do livro, isso eu deixo para imaginação de quem é fã.

3/4

Jailton Rocha

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