Arquivo da categoria: screenshots

Screenshots! – Emboscada (Lured – Douglas Sirk, 1947)

por Fernando Mendonça

Alguém aí consegue imaginar Douglas Sirk filmando Boris Karloff?
Podem acreditar, isso existe. E o medo também…

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Chamas que Não se Apagam (There’s Always Tomorrow – Douglas Sirk, 1956)

Da overdose de filmes do Douglas Sirk que sofri nos últimos dias, com certeza, a que me deixou mais seqüelas foi a do assombroso “Chamas que Não se Apagam”. Um melodrama puro, pleno como somente Sirk era capaz de fazer. A narrativa de um homem perfeito (Fred MacMurray), com vida perfeita (lar, esposa, filhos, emprego…) que de repente se vê atormentado pelo passado na figura de uma antiga paixão (Barbara Stanwyck), é de uma transparência constrangedora. Seu monólogo durante a desesperada declaração de amor que faz a esta, dá boa demonstração da amargura que o filme instaura:

“Falei com você e fui para casa. Vivo nela há anos. Sinto-me à vontade lá. Sentei, tentei ler o jornal, relaxar, mas não pude, Norma. De repente, me desesperei em minha própria sala. Senti-me preso numa tumba feita por mim mesmo, como se os anos fossem pedras a fechá-la. E eu vivo, querendo fugir. Vivo e querendo você!”

Mas o que mais me impressionou foi o uso do P&B, tão soberbo quanto os melhores technicolors que Sirk legou na mesma década (dentre os maiores de todo o cinema). Chega a ser dolorosa a criação de abismos negros que a fotografia causa nos rostos dos atores, bastando pra isso um movimento, um close, um gesto de amargura das situações vividas. Sirk é bastante cruel ao afundar seus personagens nestas sombras e quase faz do melodrama um derivado do horror, algo que não seria estranho a um homem que enxergava na classe média americana um reflexo de sua original sociedade alemã, aquela que gerou Hitler.

E tem quem ache que o gênero está limitado ao que as telenovelas cospem.

4/4

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Screenshots! – O Gato de Nove Caudas (Ill Gatto a Nove Code – Dario Argento, 1971)

por Luis Henrique Boaventura

Dizem que estava no roteiro. “Homem de terno pega trem na estação”. Argento leu e entendeu isto aí:

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Screenshots! – O Apicultor (O Melissokomos – Theo Angelopoulos, 1986)

por Fernando Mendonça

Ver um Angelopoulos é comemorar uma boda, reafirmar uma aliança, perceber que é preciso apaixonar-se filme após filme pra continuar respirando…

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Screenshots! – Romy Schneider em L’Enfer, de Henri-Georges Clouzot

por Luis Henrique Boaventura

1964. Henri-Georges Clouzot ganha 150 profissionais e um largo orçamento para filmar L’Enfer, cuja pretensão assumida era de simplesmente “reinventar o cinema”. Mas o filme nunca foi terminado. Depois de 3 semanas louco e enlouquecendo a todos ao seu redor, Clouzot sofre um infarto. Pra mim, a culpa foi dela:

*As screens foram tiradas do fraco O Inferno de Henri-Georges Clouzot, documentário de Serge Bromberg e Ruxandra Medrea.

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Região de Ódio (The Far Country – Anthony Mann, 1954)

Em vários momentos importantes de Região de Ódio, vemos o personagem de James Stewart procurar caminhos mais longos para chegar ao seu objetivo. Seja pela insegurança que os atalhos oferecem ou simplesmente pra fazer birra com a mulher que está paquerando, ele nunca privilegia o menor tempo em detrimento de sua comodidade e sobrevivência. É paradoxal que Anthony Mann, na maneira como ele se dedica a conduzir sua narrativa (e isso desde seus primeiros filmes), faça exatamente o oposto, trilhando os maiores e mais longos caminhos discursivos através de brechas estreitas abertas por sua câmera. Enquanto Jeff Webster (o grande Jimmy) trata o tempo com despretensão, ao ponto de seu velho companheiro de viagem perguntar se algum dia na vida eles chegarão a um lugar que os satisfaça e realize seus sonhos, Mann lapida o tempo fílmico a um nível ondetudo se torna atalho, onde cada imagem ou corte parece ultrapassar a duração do enredo alcançando sucessivos e muito bem sucedidos momentos de intensidade dramática, afinal, o drama é o lugar onde os sonhos de Mann se satisfazem.

É impressionante a maneira como vemos desfilar uma infinidade de situações, reviravoltas e sentimentos, assim como paisagens, cores e formas, em espaços fílmicos tão breves (não canso de me espantar com isso em Mann); pouco mais de 90 minutos em suas mãos exprimem o valor do épico, do inefável, abstraindo todas as leis naturais e possibilitando uma espécie de ontologia do novo, de descobrimento do mundo. Ora, todo mundo sabe que o western é um gênero que privilegia pontos de partida sobre o desbravamento de territórios inóspitos e a conquista/disputa de novas regiões; e é isso mesmo que encontramos em Região de Ódio, deslocando-se os velhos cenários do oeste e alcançando as nevadas terras (LINDAS!) do norte do Alasca para a histórica corrida do ouro (o filme se passa no final do século XIX).

Mas colocadas essas primeiras linhas, demos uma olhada mais atenta no negócio soberbo que Mann fez no clímax final deste filme (dessas sequências poderosas que todos por aqui gostam de parar e ficar deixando a baba escorrer). Jimmy, que começa o filme como um assassino fugitivo da lei, torna-se a última esperança de uma gente sem lei e território estabelecido que está vendo o ouro conseguido com muito esforço ser roubado por um bando de sacanas que estão doidinhos pra matar nosso herói – e essa retomada de caráter dele é mais uma vez típica do perfil padrão no herói trágico.

O duelo final começa com um som. Aqui entre nós, um som de petrificar cada músculo que temos. O sininho que Jimmy carrega consigo por onde quer que vá, pendurado agora em seu cavalo vazio, pouco depois de ter sido alvejado por tiros e todos acharem que ele havia desistido de qualquer luta. Um momento de assombração. Ver o atravessar deste cavalo, que pouco antes carregara o corpo quase sem vida de nosso herói e fizera do sino o som perfeito da morte, é agora um som de redenção, de restauração da esperança (e a entrada em cena da esperança é uma das coisas que melhor distingue o cinema de Mann nos anos 50 dos 40). E depois disso… Ah, só vendo pra crer! Um digníssimo balé de imagens que eu não sou idiota de tentar descrever. Por isso deixo as screens.

4/4

Fernando Mendonça

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A Sombra da Guilhotina (Reign of Terror / The Black Book – Anthony Mann, 1949)

De tempos em tempos – e em intervalos cada vez mais largos – surgem esses objetos sobrenaturais como A Sombra da Guilhotina, que te fazem revisar a aplicabilidade de adjetivos como “obra-prima” e toda aquela gama de superlativos carnavalescos que a gente adora usar por aí. Apesar de que é complicado, há três meses que eu venho me apaixonando pelo cinema do Mann numa regularidade que já me fez colocá-lo ao lado de Tourneur, Hawks, Bava e todos os meus outros 492 diretores favoritos. Hoje mesmo revi O Homem dos Olhos Frios (que aguarda texto do Vlad aqui no mp), e comentava com o Dan como não sabia escolher um só na filmografia do cara. Como é que eu vou pôr Winchester acima de O Homem do Oeste, ou Tall Target acima de Devil’s Doorway… Se eu fizesse uma lista de Manns, o top 1 se estenderia até o 7º ou 8º filme. Mas isso foi antes.

A Sombra da Guilhotina (ou “No Reino do Terror”, como também aparece em alguns lugares, ou “The Black Book”, fazendo referência ao mcguffin) é obra absoluta. Tem no espírito o film noir que dominou a criação do diretor durante a década de 40, mas não é um noir, é um drama histórico que remonta os últimos dias do “Reino do Terror” e da queda de Robespierre na Revolução Francesa, mas também não é um drama, é um suspense de fritar os nervos a cada diálogo e cada traição, conspiração e reviravolta da trama que Mann manipula como se estivesse fazendo pizza; mas se for um suspense, é também um horror recheado de subterfúgios com fotografia expressionista, atmosfera medieval e cantos escuros de onde saem braços, revólveres e todo tipo de objeto cortante; mas se fosse mesmo um horror genuíno, não teria espaço pra um romance clássico conduzido por uma mulher que traga o protagonista pro seu próprio campo de gravidade como uma legítima femme fatale faria; e se estamos falando de femme fatale, estamos falando é de film noir, ou não, enfim, não sei de mais nada. Se pedir pra traçar uma linha de “A Sombra da Guilhotina” até o seu “respectivo gênero”, ou sub-gênero, ou pseudo-gênero que o fosse, qualquer pedaço de cartilha ou lista de características que oferecesse uma posição plausível de como definir o que não pode ser definido, eu acabo é me enforcando com a linha. Como disse no início, absoluto.

A condução da coisa também é algo que eu vou ficar anos tentando entender. A Sombra da Guilhotina é um bolo de elementos, é como se alguém pegasse mostarda com morango com calda de chocolate com uma jaca bem grande + o peixe que sobrou da sexta-feira santa, jogasse tudo no liquidificador e conseguisse servir o drink mais refinado de todos os tempos. E a porra do filme tem 86 minutos.

Daí que mesmo que o Mann conseguisse entregar o melhor de cada fragmento de gênero e pedaço da trama com êxito completo (pro romance temos duas ou três cenas-chave, pro desenvolvimento da parte histórica temos o prólogo, pra estabelecer antagonismo 5 segundos bastam. É fazer demais com quase nada), ainda assim é preciso algum tipo de bruxaria ou macumba do Zé Caolho pra reger cada menor detalhe como quem rege uma orquestra [/clichês de críticas de cinema = off], caso contrário uma coisa atravessa à frente da outra, a outra se coloca sobre a uma, a uma atropela a primeira, e o que era pra ser o maior samba do crioulo doido segue como se nem houvessem centenas de elementos pra coordenar. A Sombra da Guilhotina desfila ao longo da curta metragem como se fosse o filme mais normal do mundo, é uma loucura. Como Romário fazendo gol de cabeça com 1,68, como Garrincha jogando aleijado, como um imbecil enfiando analogias futebolísticas num texto sobre cinema e achando que tá tudo certo.

E já que narrar A Sombra da Guilhotina é 3º segredo de Fátima – eu não tenho idéia de como ele consegue, vou catar os momentos. Trata-se de um filme pleno e limpo como obra completa, ok, mas também se trata de uma sequência ininterrupta de momentos brilhantes do início ao fim. Sendo estupidamente seletivo, consegui reduzir bastante coisa a 50 screenshots de 7 cenas diferentes. Como é coisa demais (e dá trabalho, acreditem, eu não faria se não valesse a pena), coloquei em outra página que pode ser acessada pelo link abaixo. Até porque é lá que esse texto termina:

Screenshots!

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