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Por Um Fio (Phone Booth – Joel Schumacher, 2002)

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Mas olha só, esse Schumacher, que eu só conhecia dos filmes carnavalescos do Batman vem me surpreendendo. Primeiro, com Um Dia de Fúria, agora com esse Por Um Fio. Esse, pra mim, por ser curtinho (1h17m), e pela natureza simplista (quase todo o filme se passa dentro de uma cabine telefônica, além de ter sido rodado em alguns dias) funciona com a mesma intensidade que filmes como Encurralado e A Bruxa de Blair (que considero perfeitos, ao que se propõem).

Através de uma visão mais megalomaníaca o filme poderia ter pêgo os primeiros 45 minutos só para desenvolver mais aquilo que é o personagem do Colin Farrel, para que sentíssemos raiva (ou compaixão, dependendo do senso ético de cada um) dele, para aí sim passar para os outros 45 minutos em que ele estivesse na cabine sendo ameaçado, até o desfecho final. Mas não, o Schumacher prefere não desenvolver quase nada previamente, mas consegue, assim mesmo, apenas com aquela forma como vemos o personagem tratar seu assistente, nos primeiros 5 minutos do filme, ou como trata as prostitutas e o entregador de pizza, nos minutos seguintes, fazer com que o teor de asco necessário, na medida entre o asco e a compreensão, nos seja passada, para que quando ele finalmente se rendesse, exteriorizando o que realmente é, aquilo parecesse realmente um desabafo, um auto flagelamento, e não um ato desesperado de um verme asqueroso, prestes a ser morto por um maníaco, disposto a jogar a merda no ventilador para se safar.

Pequena obra prima dos nossos tempos. Deveria ter visto antes, subestimava sua capinha, com a cara feia do Farrel, todas as semanas, na locadora. Esse Schumacher tá me conquistando a cada filme, será que isso é bom? haha…

4/4

Rodrigo Jordão

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Batman & Robin (Joel Schumacher, 1997)

O filme anterior, Batman Eternamente, mostra certa competência ao colocar o herói, Batman, no centro da ação. Mesmo com os exageros do diretor, tudo rodava em torno do Homem-Morcego e suas incertezas sobre a vida que resolveu ter depois da morte dos pais. Já aqui, em Batman & Robin, houve um grande retrocesso. O herói e a história dele perdem totalmente a importância para dar espaço a um desfile de personagens inúteis, já que absolutamente nenhum deles diz a que veio. Batman (George Clooney) deixa de ser um personagem denso para ficar o filme todo tendo discussões inúteis com o Robin (Chris O’Donnell). Incrível ver dois “super-heróis” perdendo tempo com coisas tão fúteis do tipo “você não confia em mim” ou “ela gosta mais de mim do que de você”. Se bem que isso poderia render algo se tratado de outra forma, mas o roteiro trata isso da forma mais simplória possível, fazendo com que Batman e Robin definitivamente sejam vistos mais como um “casal” do que uma “dupla”.

E os outros personagens? Mais uma vez temos dois vilões. Dessa vez, Homem de Gelo e Hera Venenosa. Lembrando que antes, os vilões tinham uma função dentro na trama e não estavam lá à toa, mas aqui nenhum dos dois executa uma função maior do que fazer bagunça pela cidade e ficar no caminho dos heróis. Mesmo assim, Hera Venenosa acaba sendo o único destaque positivo do filme já que é interpretada pela sempre eficiente Uma Thurman, que dá sim um torneado especial para essa vilã ecológica. A personagem usa de seus poderes de sedução para separar Batman & Robin, enfraquecendo assim a dupla. O problema é que os dois desde o começo não se entendem muito bem por causa da falta da confiança de Batman em relação ao Robin (…), então o plano de Hera na verdade, não serve pra muita coisa, restando para personagem manipular o Homem de Gelo e mais uma vez formar uma dupla de vilões, como nos filmes anteriores. Já o Homem de Gelo tenta ser “o” vilão, mas acaba sendo um personagem menor, apesar de ter ganhado status de personagem principal (com direito a grande destaque no cartaz) por ser “interpretado” por Arnold Schwarzenegger. Mas ele não faz mais do que tentar roubar diamantes pelos museus da cidade e ser manipulado pela Hera. De qualquer forma, é mesmo impossível qualquer dos personagens terem uma importância maior dentro um roteiro mal escrito e mal desenvolvido. E nem vou falar da heroína Batgirl, feita pela Alicia Silverstone. Por que ela está aqui?

Como gostava da série hiper brega da TV e das HQs do herói da década de 60, Joel continuou colocando elementos deles na franquia, mesmo que nenhum desses elementos combinasse com o que o Burton imaginava inicialmente quando começou a série no cinema. Em Batman Eternamente, ele até se conteve, e esses elementos não prejudicaram tanto, mas aqui, Joel se sentindo mais “livre, leve e solto”, vomitou cores por todos os poros do filme, até onde elas nem eram necessárias. E nem uma “identidade visual” o filme se propõe a ter. Tudo tem cara de nada, já que Joel foi simplesmente jogando coisas a esmo, sem decidir o que queria exatamente. Nem o contraste interessante que poderíamos ter com o visual “floresta” de Hera e o visual “glacial” do Homem de Gelo, ele consegue colocar de forma agradável. Resultado: O filme está com o visual super-hiper-mega pesado.

Quase pondo um fim na polêmica, mas lucrativa franquia de Batman, Schumacher exagerou em absolutamente tudo nesse quarto episódio, fazendo um filme bem desastroso. É um filme-pipoca sim e não chega a ser um completo “fim do mundo”, mas esse Batman & Robin sofre demais pela avalanche de personagens inúteis, com seu roteiro e diálogos constrangedores, e seu visual colorido-berrante. Joel Schumacher que antes conseguiu fazer algo interessante, aqui decididamente deu um tiro no próprio pé.

1/4

Jailton Rocha 

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Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995)

Esse terceiro episódio da série iniciada em 89, onde ocorreram a mudança de diretor da franquia e a do ator que interpreta Batman, toma a correta atitude de colocar uma história em que o centro é o herói. Aqui ainda temos os vilões apoteóticos de sempre, mas eles não aparecem para “roubar o filme”, tomando uma importância maior que a do herói na trama. Mesmo com os exageros do diretor Joel Schumacher, Batman Eternamente trata, sim, de Bruce Wayne/Batman (Val Kilmer) que aqui sofre uma crise de identidade, já que não sabe se seus atos heróicos ajudam ou atrapalham a população de Gotham City. Isso é posto à prova a toda hora, não só através dos vilões Harvey Dent/Duas Caras (Tommy Lee Jones), e Edward Nigma/Charada (Jim Carrey), mas também pelo parceiro de Batman, Dick Grayson/Robin (Chris O’Donnell) e seu interesse romântico Drª Chase Meridian (Nicole Kidman).

Começamos vendo Batman tentando evitar um roubo de um banco por Duas Caras. Roubo esse que logo se revela uma armadilha para o herói. Duas Caras quer destruir Batman a todo custo já que o culpa pelo acidente que sofreu e deformou seu rosto. Então, vamos ver sempre esse vilão tentando matar o Homem-Morcego. Do outro lado, temos Edward Nigma trabalhando na empresa de Bruce Wayne, e com uma incrível obsessão por seu chefe. Edward é daqueles fãs que não sabem se amam ou odeiam o objeto de adoração, já que essa suposta adoração que ele diz sentir, logo vira ódio quando Bruce recusa um projeto que Edward estava desenvolvendo, fazendo assim o personagem assumir a vilania, se transformando no vilão Charada, e tentando a todo custo derrotar o antigo chefe. Temos assim, um vilão querendo destruir Batman e o outro querendo destruir Bruce Wayne, sem nem saberem que são a mesma pessoa.

De um lado temos os vilões pressionando os dois lados do herói, e do outro, o interesse romântico de Batman também age da mesma forma. Drª.Chase Meridian logo demonstra um interesse por Batman, chegando a se apaixonar, mesmo sem saber muito sobre ele. Simultaneamente, ela é assediada por Bruce Wayne que se apaixona também, mas quer ficar com ela como Bruce e não Batman, sem poder contar a ela que um, na verdade, é o outro. Essa interação entre os dois personagens é um dos destaques do filme. Drª. Chase Meridian é interpretada por Nicole Kidman, que dá um charme todo especial para o filme fazendo um ótimo par com Val Kilmer. Nicole foi com certeza umas das melhores parceiras de Batman, perdendo somente para a inesquecível Mulher-Gato de Michelle Pfeifer. Outro personagem interessante que surge nesse contexto é o próprio Dick Grayson/Robin. Aqui ele não compromete tanto a imagem de Batman (como houve na série de TV dos anos 60 e no filme posterior Batman & Robin), já que a presença dele é mais um estopim para Batman colocar em xeque sua identidade. Dick Grayson também tem os pais mortos por um maníaco (Duas Caras) e passa a querer se vingar. Bruce através de Dick passa a rever toda a mesma situação que sofreu no passado, e essa vontade de vingança de Dick faz com que Bruce questione até o senso de justiça que tem, fazendo o personagem se pôr a prova mais uma vez. E assim a história reage com todos esses personagens postos ali em função de Bruce Wayne/Batman e não o inverso.

Visualmente, aqui ainda se tenta manter o visual dark dos anteriores, mas o diretor Joel resolveu colocar cores em muitos cenários, tentando lembrar mais as HQs e a série de TV do herói na década de 60. Mesmo que essas cores não combinem tanto com o dark, não chegam a incomodar tanto quanto no filme seguinte (Batman & Robin). O visual do filme ainda é agradável de ver apesar de certos exageros. E por parte do elenco, todos estão muito bem. Até Tommy Lee Jones que muitos acusam de ter errado o tom do Duas Caras, já que seu personagem perde a densidade, caindo muitas vezes no erro de ser palhaço demais, mas em nenhum momento, Batman Eternamente tenta ser maior do que é: um “filme-pipoca” mesmo, sem maiores pretensões. Então, dentro desse contexto o personagem Duas Caras, e conseqüentemente assim o ator Tommy Lee Jones, funcionaram muito bem, como o restante do elenco.

Finalizando: Longe de ser um grande filme, Batman Eternamente é eficiente no que se propõe. História centrada no herói, elenco competente e charmoso, visual agradável. Joel Schumacher nessa sua primeira empreitada na franquia consegue agradar (a mim, pelo menos). Pena que ele resolveu fazer outro filme do herói, cujo resultado desastroso, de certa forma, acabou manchado o que ele tinha montado aqui…

2/4

Jailton Rocha

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