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Velvet Goldmine (Todd Haynes, 1998)

Confesso não ser um conhecedor do cinema de Haynes. É apenas o segundo filme seu que tenho o prazer de assistir. Por coincidência, ambos foram motivados pela mesma paixão: a música.

No caso do anterior (Não Estou Lá) fui atrás de um filme que tratasse do meu ídolo mor Bob Dylan; nesse aqui, atrás de algo de David Bowie, meu segundo músico favorito, atrás apenas, por óbvio, de Dylan. Mas, os filmes não se cruzam somente por essa particularidade musical, mas também em termos estruturais. A sensação que tive é que Velvet é um ensaio para o que viria a seguir com I’m Not There. A narrativa toda quebrada, com misto de passado e presente, fatos misturados com lendas e por aí vai… a questão é que, diferentemente do que vi em I’m Not There, Velvet é um pouco mais instável, às vezes soa bastante confuso, quase como um mosaico de imagens, uma colcha de retalhos, mas reparem, isso não é uma crítica, já que todos os retalhos são interessantes. O fundamental é que o filme explode na tela, bem como o movimento que expõe (a fase Glam do rock, puxado, claro, pelo camaleão) você de fato vive aquele movimento intensamente, assim como o personagem de Christian Bale, que é o repórter encarregado de investigar a vida de Brian Slade (o pseudo Bowie) e que tem sua vida, de certa forma, bastante afetada, pois quando mais jovem era fã de Slade e seu movimento.

Alternando momentos semi-documentais (como em I’m Not There) e ficção-baseada-livremente-em-fatos-e-lendas-“reais”, Velvet Goldmine é uma experiência bastante intrigante e interessante, apesar de bem complexa. A questão que me surge é, se o filme tem o mesmo impacto pra quem não curte/conhece essa fase da música, assim como os envolvidos (Bowie, Iggy Pop e até Lou Reed – inclusive tocando músicas desse último, como Satellite of Love). Costumo dizer que filmes com pré-requisitos são falhos, já que os conhecimentos externos devem somar e não sustentarem toda a bagaça, não sei, pode ser que falhe, mas comigo não falhou, não sei se porque adoro os (pseudo) envolvidos ou porque é um grande cinema.

Na via das dúvidas, grande filme.

3/4

Djonata  Ramos

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Inimigos Públicos (Public Enemies – Michael Mann, 2009)

Esse é o melhor filme do Michael Mann e existe uma razão para tal afirmação. Mann, esteta e formalista, aqui joga com uma arma que acrescenta ainda mais ao seu cinema de imagens: Mann constrói um personagem. Dillinger é o resumo de uma era, mas é um resumo às avessas. Enquanto nos filmes de gangster da década de 30, mesmo os mais charmosos dos criminosos continuavam como os “homens maus”, bandidos mesmo, em Public Enemies, Dillinger é um herói, um homem popular, recebido em sua prisão com ares de estrela de cinema. Dillinger rouba, mas poupa o dinheiro do povo, mata, mas não é mostrada no filme nenhum remorso, ou conseqüência desses atos. É aquilo e pronto, é o homem e sua imagem. E o filme a constrói na maior das riquezas, no digital mais pleno já mostrado numa tela de cinema, que revela Dillinger em cada mínima marca no rosto de Johnny Depp. É assim que vemos sua paixão por Billie nascer (e a entendemos, em cada poro do rosto admirado de Marion Cotillard, num desempenho fundamental para minha chave de interpretação do final), se fundamentar e sua trajetória se modificar.

Se o início de Public Enemies mostra o destemido Dillinger fazer o que bem entender e sair impune, um super herói absoluto, a parte final mostra que Dillinger é um homem, mesmo que ele mesmo tente negar essa condição. Ele promete coisas que ninguém poderia cumprir, muito menos alguém na condição dele (prometer a Billie morrer velhinho nos braços dela parece até uma piada, mas na qual ele acredita e a faz acreditar também), e segue uma trajtória fantasiosa, em sua própria condição. Daí a complexa mutação que Depp empreende em seu personagem nos minutos finais, quando Dillinger parece entender que libertar Billie seria sua própria necessidade de liberdade de si, de sua figura. Dillinger não pode mais prender Billie e não suportar a dor de vê-la pagar por ele, mas acima disso ele não pode mais ser ele. Ao planejar o assalto ao trem para terça e a partida para quarta, Dillinger dá sua última mostra de esperança na fantasia: caso não desse certo “deixar a cena”, só restaria a ele continuar. Mas ele se deixa pegar, é morto do modo mais simples que alguém como ele poderia ser; o super herói vira ser vivo, mas não perde a áurea de mito. Dillinger morre em meio ao povo, subitamente (como Gable prega no filme do cinema), mas de modo planejado. Seu modo de se matar, sem precisar sujar as mãos, de deixar Billie ir, de se libertar enfim.

Billie observa cada passo de Dillinger com extremo zelo e profunda admiração. É essa admiração que o público tem pelo criminoso/herói mostrado em tela, e a aceitação de Billie em fazer tudo que ele pede é completamente crível. O amor dela é o nosso amor, o olhar dela é o nosso olhar. E é esse olhar que Mann coloca em perspectiva, na câmera subjetiva do olhar de Billie, vendo a lei fechar a porta para sua fantasia, num final magistral para este filme inacreditável!

4/4

Thiago Macêdo Correia

ou: Inimigos Públicos (Michael Mann, 2009) – Silvio Tavares – 4/4

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O Exterminador do Futuro: A Salvação (Terminator Salvation – McG, 2009)

Bem melhor do que se poderia esperar, bem pior do que se espera de uma franquia como Terminator. Visual acachapante mostra que McG entende de concepção visual, transformando o filme num Mad Max tunado. O problema maior deste filme (e era uma tragédia anunciada, confessamos) é o seu caráter manifestamente episódico. É apenas mais um filme da franquia, sem nada de relevante a acrescentar e o que acrescenta não é suficiente para adicionar à perspectiva que foi sendo construída por três filmes ótimos (sendo dois OPs). E o pior é que o quinto filme vem aí… Quando aparecer a primeira bomba, talvez eles parem de graça…

2/4

Daniel Costa

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Screenshots! – O Novo Mundo (Terrence Malick, 2005)

Djonata Ramos

Quem gosta de cinema e não curtir essas imagens, é bom arranjar outro hobby.

Clique nas imagens pra ver em tamanho original

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BATMAN!

Arrá! Achou que o Multiplot! passaria em branco no blockbuster mais aguardado do ano? Inicialmente faríamos um Especial, mas achamos que era muito especial num espaço de tempo tão curto (acabamos de sair do Kubrick), portanto, algo mais simples dessa vez. O quinto Especial sai em agosto.

Saga:

Batman – O Homem Morcego (Leslie H. Martinson, 1966) – Pedro Kerr

Batman (Tim Burton, 1989) – Luis Henrique Boaventura

Batman – O Retorno (Tim Burton, 1992) – Daniel Costa

Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995) – Jailton Rocha

Batman & Robin (Joel Schumacher, 1997) – Jailton Rocha

Batman Begins (Christopher Nolan, 2005) – Djonata Ramos

Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008) – Djonata Ramos

Grande Atuação, Saudosismo ou Grande Personagem? – Sílvio Tavares

Além dos textos, que tal um pequeno teste de conhecimento/percepção/empirismo/ócio total? Descubra quais os 20 filmes atacados pelo Coringa no quadro abaixo, postando a resposta aqui mesmo, no ‘comentários’.

GABARITO

O mosaico vai ficar disponível no Cinéfilos.

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Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)

O Cavaleiro das Trevas começa onde termina o Begins – Batman consolidado como o vigilante de Gotham – com a inclusão de um novo vilão: o Coringa.

Fica claro desde o princípio, que Batman já adquiriu o temor dos vilões e o respeito das autoridades e dos civis, como eu havia dito no comentário sobre Begins no texto anterior, Begins era uma mera introdução (por isso, tantas explicações que se faziam necessárias) para que as coisas aconteçam aqui, e elas acontecem.

O Cavaleiro das Trevas é recheado de cenas de ação explosivas, cito o embate do Batman com Coringa, na já clássica cena do “hit me!”, onde Batman se utiliza de todo o seu potencial hi-tech para capturar o vilão, aliás, essa opção pelo hi-tech, justamente nessa sequência, gera o único momento de desconforto para mim, visto que, o que acontece é totalmente desnecessário, é o tipo de coisa totalmente exibicionista, o que, sequer, combina com a proposta do filme.

É impossível não comparar esse filme com o Begins (se bem que, sinceramente, vejo ambos como um único longa, o que melhora a experiência consideravelmente), e nessa comparação, esse leva vantagem, pois acerta aonde Begins errou: tem vilões de alto nível, tem muitas e boas sequências de ação, e, Batman passa a ser quase que o coadjuvante – isso é um mérito.

Batman não é um herói que deve dicar em evidência, pelo contrário, isso é trabalho para os vilões, e o Coringa é o maior deles nesse quesito, espalhafatoso, demente, sem noção alguma. Ele oferece todo o perigo do qual senti falta em Begins, Coringa é o tipo de vilão que não procura razões lógicas para seus atos, ele simplesmente quer destruir, quer Gotham em chamas, e, claro, Batman caído.

E Heath Ledger é o grande responsável por fazer com que o Coringa acabe por tornar-se o protagonista do longa. Em uma atuação estupenda, Ledger vive com intensidade seu personagem. Coringa é cruel, desmedido, fora do tom e completamente lunático.

E por Coringa ser dessa forma, Batman se vê numa situação incomum, pois pra ele, os criminosos querem coisas como dinheiro, poder. Coringa não quer, e isso desestabiliza o Morcego, que se vê frente a um vilão que é como ele próprio, excluídas as suas motivações éticas, morais, eles são dois lados de uma mesma moeda. Fica claro que Coringa considera como vitória, desestabilizar seu oponente; na já citada cena do “hit me!”, ele pede para Batman o atropele, e pede isso sinceramente, pois se o morcego assim o fizer, Coringa terá feito sua parte, terá vencido, pois efetivamente corromperia o Cavaleiro das Trevas.

O filme de Nolan não é um filme fácil, tampouco é ideal para crianças, além de ser muito denso, é extremamente sombrio. Acaba funcionando como um filme de gângsters (trama bem amarrada, cheia de detalhes sobre corrupção, planos mirabolantes, etc), com a diferença de Batman num extremo e Coringa no outro.

Quem sentiu desconforto ao assistir Begins pelo tom verossimil adotado por Nolan, terá ainda mais dificuldades em saborear esse, por ser ainda mais calcado no real, no palpável. Pena de quem se incomoda com isso, pois perderá de ver esse que é, desde já, o melhor filme baseado num personagem de HQS já concebido. Batman merecia um filme como esse.

4/4

Djonata Ramos 

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Batman Begins (Christopher Nolan, 2005)

Depois do fracasso retumbante de Batman e Robin (Joel Schumacher) os executivos da Warner ficaram temerosos em investir em mais um filme do homem-morcego. Passados quase sete anos de especulações, seja de elenco e – principalmente – de diretor, resolveram apostar no inglês Christopher Nolan para levar as telonas uma nova visão do vigilante de Gotham. Nolan até então havia mostrado competência com o bom Insônia, que conta com as presenças de Al Pacino e Robin Willians, e no ótimo Amnésia, com Guy Pierce.

Feita a escolha para ocupar a cadeira de diretor, a questão que todos se perguntavam era: “quem será o intérprete do Batman?” o galês Christian Bale fôra o escolhido, após inúmeros nomes. Bale demonstrara enorme talento no subestimado Psicopata Americano; mesmo assim, era um ator relativamente desconhecido, e para a proposta de “recomeçar” a série, parecia bastante coerente, assim não se atrelaria a imagem de Batman ao ator, e sim o oposto, Bale seria, a partir de então, O Batman.

Ao contrário das abordagens anteriores do personagem, Nolan optou por situar o herói num universo palpável, realista, fazendo com que fosse possível crer que Batman poderia tranquilamente ser qualquer um de nós, que fosse rico e insano o suficiente para encarar o uniforme negro. Como Batman Begins ignora as abordagens autorais (maravilhosas) de Tim Burton e mesmo as carnavalescas de Joel Schumacher, Nolan opta por explicar toda a origem do homem-morcego, em detalhes, dando função a cada objeto e atitude tomada pelo herói. O que muitos vêem como um demérito, eu enxergo como qualidade. Batman ao contrário de Superman, Homem-Aranha, X-Men e tantos outros, não possui super-poderes e, portanto, é tecnicamente um homem ordinário, extremamente rico, é verdade, e muito bem treinado fisicamente (fica claro isso no princípio do filme com sua peregrinação em busca de treinamento, com bandidos, etc) que afinal de contas precisa racionalizar, seu uniforme, suas atitudes, seu transporte, tudo, tudo tem que ser real, pois ele é apenas um homem que usa um disfarce à noite para não ser identificado.

Pode parecer ridículo um homem vestido de morcego fazendo justiça, mas convenhamos, Bruce Wayne não é lá o que podemos chamar de saudável mentalmente, além do que, apesar de o filme ser quase que totalmente estruturado no verossímil, flerta vez ou outra com a fantasia , fato que faz com que não perca a “aura” quadrinesca. Cito o exemplo da planta azul que só encontrada em determinado local – só faltava dizer que ela nasce de 100 em 100 anos.

Batman Begins é antes de mais nada um prólogo do que está por vir, A Warner apostou em Nolan e numa nova abordagem do herói, a qual foi bem sucedida e abriu espaço para a seqüência que em breve estreará, intitulada “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, onde serão inseridos no contexto o Coringa (vilão emblemático de Batman) e o Duas Caras que também é dos mais famosos vilões. Nesse sim residem as grandes expectativas, já que agora sim a coisa é pra valer, e não apenas uma preparação/aposta.

4/4

Djonata Ramos

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