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A Órfã (Ophan – Jaume Collet-Serra, 2009)

Entrando no embalo do terror psicológico, assisti a essa pequena porcaria ontem e decidi escrever um pouco a respeito porque vi comentários bastante positivos e não consigo entender por quê.

As falhas começam logo de início. Vera Farmiga está péssima no papel, ela não transmite as emoções da personagem de forma a envolvê-lo com a personagem. Aí fica ela lá e você aqui.

O início que era para ser de fato impactante, surge como algo tão bobo e superficial que já anuncia as besteiras subsequentes.

E o filme não caminha bem em NENHUMA parte, é impressionante como o diretor parece querer fazer um filme absolutamente encaixadinho e inteligente e como o resultado é uma sequência forçada de fatos, personagens incrivelmente estúpidos (qualquer idiota veria que há algo “diferente” com a menina – se aquela mulher é formada em psiquiatria, eu sou doutor sem fazer o curso, porque as estratégias de manipulação dela chegam a ser imbecis) e uma sucessão de eventos tolos.

E, naturalmente que, pela falta de criatividade para uma estória realmente aterrorizante, são criados personagens que parecem estúpidos. Eles são o sustentáculo e precisam ser estúpidos para se situarem nas situações igualmente estúpidas.

Tudo é então encaixadinho e acontece uma série de coincidências que enfatizam e ampliam o poder da garota sobre a família. Mas é forçado DEMAIS. Sabe aquela plausibilidade que ocorre estranhamente NO MOMENTO CERTO? Tipo, em determinado momento a personagem de Vera Farmiga compra duas garrafas de vinho – é plausível para o pesadelo psicológico que ela está vivendo – mas absolutamente forçado ocorrer no exato instante que aquilo iria ser usado contra ela.

Há um problema gravíssimo com alguns filmes de manipulação. A intenção é deixar o espectador puto com a ação da pessoa manipuladora e suas conquistas enquanto todos parecem não enxergar o que é óbvio. É uma estratégia perigosíssima quando o filme é levado à sério demais pelos próprios personagens.

Primeiro porque se a manipulação não for muito inteligente ela pode soar estúpida e forçar os personagens a serem estúpidos para suportá-la, criando um ciclo, como o caso desse aqui. Segundo é o “levar a sério”. Você pode manipular o espectador a ficar morrendo de raiva de personagens estúpidos de forma consciente.

O melhor exemplo para mim é aquele filme maravilhoso do samba do crioulo doido indicado pelo Luis – com zumbis, criaturas fantásticas, inferno, portões dimensionais, paranormais, etc (me esqueci o nome) – onde o personagem principal tem um número limitado de balas, atira nos zumbis, percebe que eles só morrem instantaneamente quando atingidos na cabeça e CONTINUA insistentemente ATIRANDO EM OUTRAS PARTES DO CORPO deles e gastando as balas inutilmente. Fica explícito que essa peculiaridade do personagem, essa falta de raciocínio simples foi pré-fabricada com intenção explícita e funciona incrivelmente bem, você quase morre querendo entrar na tela, pegar a arma e matar os zumbis você mesmo.

Para concluir, um exemplo de filme onde a manipulação funciona muito bem nos moldes supracitados, com uma estória inteligente, personagens racionais e plausíveis, tornando tudo surpreendente é o magnífico “The Usual Suspects”.

0/4

Silvio Tavares

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