5º – Tiago Ramacciotti

Avaliações:

Luis Henrique Boaventura

Excessivamente didático. Poderia ter seguido uma lógica de abordagem mais criativa (ou simplesmente mais ilógica) ao invés de simplesmente escrever sobre partes do filme cronologicamente, o que além de poupar um tempo e um espaço precioso, poderia canalizar sua concentração para o que realmente interessa. Não, não estou falando do que interessa pra mim, mas pra você. O que te faz amar Laranja Mecânica (creio que você ame, não ficou bem claro no texto). Mesmo assim, tá bem escrito e tudo, bem estruturadinho, ainda que nos limites de uma redação pra vestibular.

2/10

Daniel Dalpizzolo

Mais ou menos o que todo mundo deverá dizer sobre teu texto, excessivamente narrativo e muito pouco criativo, além de entregar todo o jogo para fundamentar um discurso que não necessariamente precisava vir com ilustração.

3/10

Daniel Costa

Conta o filme inteiro. Mastiga, sem trazer nada de novo. Se eu não tivesse visto o filme não precisaria depois de ler esse texto. Lamentável.

1/10

Vinícius Veloso Garcia

Que que é isso, o rapaz me conta o filme todo!! Era pra fazer uma resenha, e não contar cena por cena, ficou parecendo aqueles caras q assistem um filme e tentam explicar aos outros, só ficou faltando o “E daí…”

Que raios é “Stanley Kubrick lança seu Laranja Mecânica”? Quer dizer que cada um pode lançar sua própria Laranja Mecânica?? A minha dica pra lançar uma boa Laranja Mecânica é ir até uma quitanda e comprar uma laranja de tamanho médio, mirar na cabeça do 1º idiota que contar o filme todo em uma resenha e acertar no meio testa do indíviduo pra ver se pega no tranco!

Péssima resenha, não vale um DVD! Minha nota é: 1/10 (a nota 1 é porque você ao menos se deu ao trabalho de mandar a resenha)

1/10

Cassius Abreu:

Um texto politicamente correto, que pouco adentrou nas questões – faz as perguntas, mas deixa-as meio separadas e inconsistentes –, além de haver descrições em excesso para quem viu o filme e baratas para quem não viu. Há alguns problemas de falta de linha de raciocínio, não por lógica, mas para ligar termos, como em toda a segunda frase do primeiro parágrafo – e o terceiro parágrafo começa da narração, passa pelo final, e fecha com uma curiosidade (muita abrangência em pouco espaço). Outro problema são vários parênteses que quebram demais o ritmo da leitura, que é até bom, flui rapidamente e com raríssimos problemas gramaticais (mais de vírgula, mas nada aberrante para perder ponto conquistado em alguma idéia).

Laranja Mecânica é cheio de camadas a serem exploradas ricamente: não precisam ser todas, muito pelo contrário, mas é o típico filme em que não dá para sugerir algo e parar por aí. Seja mais ousado da próxima, parece que a mesma questão está se repetindo (violência não está cada um de nós?) em todos os momentos, mas o Kubrick dá a resposta e você mesmo chegou a começar no parágrafo sobre a vingança, porém voltou a perguntar. Não é para jogar na cara do leitor – pelo contrário –, mas sim procurar ligar o porquê da qualidade e atraência do filme ao fato de propor tais debates de forma ousada e provocativa.

3/10

Total: 10 pontos

Texto:

Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)

Apenas três anos após o filme que é considerado por muitos sua obra-prima (2001: Uma Odisséia no Espaço) Stanley Kubrick lança seu Laranja Mecânica, e consegue atingir com esse o mesmo nível de qualidade do filme anterior.

No filme seguimos a história de Alex, um jovem delinqüente que lidera uma gangue, é preso e reeducado pelo governo. Basicamente esse é o enredo de todo o filme, o que pode parecer simples, mas devido à qualidade do roteiro (do diretor baseado no livro homônimo de Anthony Burgess) e a natureza critica de toda a obra isso não é verdade. O filme é essencialmente um ensaio sobre a violência, disparando questões sobre isso a cada momento, e toda essa reflexão só funciona por estar apoiada em três pilares: o roteiro (como já disse anteriormente), a atuação de Malcom McDowell e a direção de Kubrick.

As opções do diretor ajudam a dar glamour ao primeiro ato do filme, quando Alex e seus Drugues (como ele chama seus companheiros de gangue) saem pela cidade espancando mendigos, brigando com rivais e invadindo casas. O uso de música clássica na cena da briga no teatro ajuda a criar um clima de quase apreciação artística de tudo aquilo, dando ao confronto uma dimensão bem maior. A cena da briga entre Alex e George Boy também é um exemplo de violência apresentada de uma forma atraente, belamente filmada e empolgante. Esse estilo faz com que vários dos espectadores se divirtam e gostem dos atos dos Drugues, o que será de extrema importância para o que vem depois, quando os questionamentos começam a surgir.

McDowell dá uma atmosfera ameaçadora e ao mesmo tempo simpática ao personagem, pois mesmo sabendo que ele é capaz de diversas atrocidades o público também se diverte com os comentários feitos por ele na narração. Isso se deve ao talento de Malcom em retratar Alex em toda sua complexidade, conferindo crédito até ao Alex frágil visto após a prisão (e percebam que mesmo assim, ainda podemos identificar o delinqüente do começo do filme). Mas a maior contribuição do ator para a discussão do filme é sem dúvida a adição de Singing in the Rain (canção da cena do filme Dançando na Chuva em que Gene Kelly… dança na chuva) na cena do arrombamento da casa do escritor. Kubrick pediu para ele cantar e dançar enquanto espancava o casal (uma opção que demonstra o que falei no parágrafo anterior), e Malcom começou a cantar essa canção que é símbolo de alegria (devido ao seu contexto original) o que conferiu uma intensidade maior à cena (pelo choque entre a associação original da canção e o novo contexto). Simplesmente brilhante o resultado (curiosamente, o ator só cantou essa música porque era a única que ele sabia a letra inteira).

Avançando na história Alex é preso depois de assassinar uma mulher e mandado para a prisão, só que ao saber de um jeito de sair da reclusão em poucas semanas ele resolve se submeter a um tratamento que pretende curar criminosos de suas tendências sociopatas. Antes mesmo da parte do tratamento somos apresentados a uma questão importante do filme. Durante a conversa com o padre da prisão Alex escuta que um tratamento pra impor o bem na essência de alguém não é algo bom, pois o a mudança deve ser real e interior, não forçada, e ao final da experiência com Alex isso volta à baila. Será que aquela reeducação forçada foi realmente uma boa saída? Será que o certo não seria tentar uma reeducação interna e voluntária como o padre disse a Alex? Essas perguntas caem muito bem na discussão sobre o sistema penal e o que é feito para ajudar em uma mudança real nos detentos.

O tratamento consiste em ver (ou videar,como Alex diz com suas gírias características) cenas violentas, como estupros e espancamentos, enquanto a cobaia passa mal devido ao medicamento previamente recebido, gerando assim um reflexo condicionado para qualquer pensamento violento da cobaia. E durante o tratamento a segunda questão sobre a violência é levantada pela enfermeira que injeta o medicamento quando ela afirma que pessoas normais se sentem mal ao verem atos como os cometidos por Alex na primeira parte do filme, só que Kubrick e Mcdowell fizeram com que nos divertíssemos vendo aquelas cenas, logo, nós somos anormais, o que faz pensarmos “Será que realmente somos anormais? Será que o gosto pela violência não é inerente ao homem?”. Uma discussão válida e muito profunda sobre a natureza humana.

Quando o tratamento acaba com os resultados esperados ele apresenta também um efeito colateral, Alex não pode mais ouvir a nona sinfonia de Beethoven (sua predileta), pois ela era a trilha de um dos vídeos. Isso aponta para um detalhe interessante, alguns dos nossos prazeres considerados sadios pela sociedade estão ligados ao “mal” dentro de nós, logo, quando ele é totalmente extraído nós perdemos esses prazeres saudáveis. Então, não será saudável também um pouco desse dito “mal” em nossas personalidades?
Aqui um pouco da hipocrisia e das ações politicamente corretas são contestadas, e como atualmente essas duas coisas estão no ápice essa discussão é bastante importante.

Na parte final o mendigo, os drugues e o escritor podem se vingar de Alex e nenhum deles perde a oportunidade de espancar, afogar, torturar, etc, um Alex mais indefeso do que eles eram quando foram agredidos. Esse fato reforça duas das questões anteriores: Será que o tratamento Ludovico vale a pena? E não seria a violência inerente à natureza humana?

Encerrando o filme com uma critica irônica ao governo, que literalmente dá comida na boca de Alex para tê-lo como aliado, e uma insinuação de que finalmente Alex se reconciliou com seus instintos humanos Kubrick fecha com chave de ouro seu ensaio sobre a relação humanidade/violência (que é usada também em Nascido para Matar). 

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Uma resposta para “5º – Tiago Ramacciotti

  1. Tiago

    entendi perfeitamente as criticas, e concordo
    a questão é que eu já tinha feito uma resenha do filme que eu detestei, então tentei fazer não uma resenha mas outra coisa (mais proxima de uma analise)
    o que vocês queriam era uma resenha (eu achei que era qualquer tipo de texto que abordace os filmes, my mistake)
    valeu pelos toques

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