1º – Fábio Rockenbach

Avaliações:

Luis Henrique Boaventura:

Coisa estranha. Parece escrito como se fosse um dever de casa, básico, certinho, sem esforço, pra tirar a média e pronto. Desculpe se não era isso, mas é o que parece. Um balanço geral de 2001, sem uma abordagem original (nem ao menos específica), sem estilo próprio, um texto escrito pra um jornal diário, sem assinatura. Talvez faça parte do vício de jornalista, e da minha veemente negação à falta de criatividade (parto do princípio de que todos são criativos, basta a iniciativa) que aparece inerente ao modo ‘clássico’ de levar a profissão, mas como tô aqui pra dizer se gostei ou não:

3/10

Daniel Dalpizzolo

Dos que escreveram sobre 2001, o mais bem condensado, abrindo espaços para a própria visão.

6/10

Daniel Costa

Um bom texto, porém derivativo e com partes muito parecidas com outros textos do filme que já li na net… Conta partes do filme, mas sem descrevê-las, um “spoiler” mascarado. Assim dá pra levar.

6/10

Vinícius Veloso Garcia

Mas olha só, o ex-meio-campista do Barcelona me surpreendeu agora! hahaha …gostei do texto, muito bom, muito bem escrito, tem lá sua complexidade, mas não acho que tenha como fazer uma resenha de 2001 com muita simplicidade, o filme em si é complexo.

10/10

Cassius Abreu

Ok, ficou até legível o texto, ele está bem estruturado (princípio, meio e fim bem definidos), não tem tantos clichês ou derrama elogios à toa… Mesmo assim, falta alma, falta essência, o tal romantismo que vive no último ato de “2001”, o pulsar do coração quando o osso vira nave, o fato de ser impossível desviar o olho da reluzente viagem colorida de Kubrick no espaço. O momento que mais gostei, do texto, foi o destaque à frieza das personagens humanas (percebam que é um raro filme de Kubrick em que o protagonista não se glorifica para sempre – HAL vale mais que Keir Duella), e também a introdução com certa disposição e despojamento para falar de Kubrick. De qualquer modo, mais um que pouco exprimiu sobre sua percepção individual que lhe confere à obra, focando-se mais no histórico, que cansa em certos trechos, da obra, apesar de, felizmente, não contar tanto da história.

4/10

TOTAL: 29 pontos

Texto:

2001 – Uma Odisséia no Espaço

Da alvorada ao infinito

“My god, it’s full of stars”

Stanley Kubrick não podia ser rotulado como humilde. Nunca foi, ou não teria procurado Arthur Clarke, em uma tarde de 1964, com a pretensão de levar às telas um conto sobre a relação entre o universo e o homem. No choque entre duas mentes, talvez à frente de seu tempo, o que sobrou foi uma obra que mesmo datada em seu título tornou-se atemporal. Mais do que isso: “2001 – Uma Odisséia no Espaço”coloca-se em uma categoria diferente. Não se trata somente de um filme.

Complementa-se pela obra literária e justifica-se pelas idéias que provoca, e não pelo que explica. Para a consagrada crítica Pauline Kael, “…a linha da narrativa de Kubrick é, talvez, a mais redundantemente gloriosa de todos os tempos.” Não é exagero, porque essa narrativa versa sobre o imponderável da raça humana frente ao universo que ele não conhece ( e nunca vai conhecer, na verdade ). É preciso petulância e confiança para se dispor a falar com propriedade sobre o assunto. Kubrick falou, mostrou e justificou, porque era petulante e tinha coragem.

Os astronautas de Kubrick pisaram na Lua antes dos astronautas da NASA, mas não é exagero afirmar que um fato complementa outro. Toda a tecnologia utilizada para criar a mais realista reprodução da vida no espaço – antes que houvesse sequer exemplos práticos – surgiu da colaboração da própria NASA na produção. Vêem daí a maior parte dos US$ 10 milhões gastos na produção. Eles rapidamente se converteram em US$ 190 milhões, mas esses números não expressam a importância dessa colaboração. A reprodução de futuro de Kubrick é tão perfeita hoje – com CGIs e realidade virtual – como era em 1968. E se hoje a ficção é um veículo para dialogar sobre as possibilidades – e os temores – de nosso futuro, muito deve-se à “2001”, porque antes de 1968, a ficção era um gênero discriminado, infantil e que versava sobre nossas possibilidades mais como um exercício de desejos e menos como uma análise série das nossas possibilidades. Cada frame, cada ângulo de câmera, cada fala em um filme de Stanley Kubrick têm algum propósito. Nunca são acidentais. Quando decidiu compor sua sinfonia sobre o homem e o universo, claramente dividida em quatro atos ( A Aurora do Homem, O Ano 2001, Missão: Júpiter e Além do Infinito ), Kubrick sabia que não poderia fornecer respostas completas, mas poderia deixar perguntas no ar. E esse era, justamente, o maior objetivo de ambos, diretor e escritor. Usando como base “A Sentinela”, escrito em 1951 por Clarke, eles conceberam um conto que pudesse abrigar as raízes da evolução do homem como ser superior, o momento em que alcança o que acharia ser o ápice e, finalmente, a forma como ele percebe sua insignificância frente ao universo.

O primeiro movimento da “sinfonia” composta por Kubrick retrocede há milhões de anos atrás, e acompanha como o homem começa a se diferenciar dos demais animais quando passa a usar o raciocínio lógico e a fazer uso de ferramentas, o seu grande diferencial evolutivo. Observando (provocando…) tudo, um monólito negro cravado na terra próximo a uma tribo de homens pré-históricos. ( e a cena em que essa descoberta se concretiza coloca, em um contra-plongée, o homem – macaco – em um plano superior, até encerrar a cena no mais célebre corte da história do cinema, evoluindo a ferramenta do primário osso à moderna nave espacial ).

A rigor, esse primeiro movimento é complementado pelo último, enquanto os dois movimentos do meio da história encarregam-se de fornecer os elementos que justificam as afirmativas expressas no início e no final do filme. Em 2001, um misterioso monólito é encontrado na Lua (uma sentinela cujo contato com o homem alerta uma inteligência superior de que, ao alcançar o terreno lunar, o homem tornou-se apto a vôos mais altos). Meses mais tarde, uma expedição enviada a Júpiter para descobrir as origens desse mistério acaba em tragédia quando o supercomputador HAL 9000 aparentemente enlouquece, sabotando a missão e tentando matar todos os astronautas, até ser desligado pelo único remanescente da tripulação.

“2001” é a obra de um artista tão seguro de si que se permitiu o luxo de não abrir nenhuma brecha em sua linha narrativa com o intuito de conquistar o público. Kubrick não fez “2001” para o grande público, e aparentemente não estava preocupado com isso. Obra e filme, se nasceram juntas a partir de um mesmo processo criativo, explicitam o fato de pertencerem a pais diferentes. Clarke deu à sua obra um sentido visionário, quase profético. Já Kubrick fez de “2001” um exercício visual muito particular. Meticuloso. Enigmático. Crítico. E silencioso ( menos de 2/3 do filme contém algum diálogo ).

Sutilmente, Kubrick expõe a insignificância do homem através da sua relação com o novo ambiente, o espaço. Ao atravessar as fronteiras de seu pequeno planeta, o homem perde o controle das suas ferramentas ( a caneta que voa na gravidade zero ), regride até tornar-se quase um bebê, que precisa aprender a andar de novo ( lentamente, e com ajuda de botas especiais ) e precisa ajuda até para respirar ( a respiração pesada dentro do capacete, várias vezes amplificada em mais de um momento do filme reforça essa dependência e essa dificuldade ). O uso das cores também tem seu sutil significado: o vermelho representa o perigo, a ameaça – presente nos avisos das telas e no frio e insensível olho eletrônico de Hal – enquanto o azul do planeta representa a esperança, o futuro ( maximizado na cena final ). E tão importante quanto o jogo visual, a trilha sonora de temas clássicos complementa a narrativa, denotando evolução e ritmo em uma valsa de Strauss ou a pompa e a circunstância em uma peça sinfônica do mesmo compositor ( Also Sprach Zarathustra ).

A tecnologia, um dos dois grandes alvos do “discurso” de Kubrick – o outro é a já dita relação entre o homem e o universo – é ao mesmo tempo a grande conquista e a grande vilã. E a ironia suprema é verificar que, de todos os personagens, é a máquina o único ser a esboçar algum tipo de emoção, a fugir da lógica fria dos números e o pensamento racional. Não é à toa que, no momento em que começa a “morrer”, HAL começa a cantar “Daisy” como se fosse uma criança, contrapondo aos personagens humanos que não demonstram uma só emoção durante o filme, seja nas cenas de perigo ou de tensão. O quase romantismo presente no último ato que vem logo depois, e sua visão poética dessa relação entre homem e universo, até contrasta com a frieza racional do segundo e terceiro atos, mas é perfeitamente justificável porque Kubrick e Clarke também querem dizer que, apesar de pequeno, o homem tem, sim, importância.

O ano que data o filme tornou-se passado, o homem não vive em estações orbitais, não tem tecnologia para fazer vôos tripulados à Júpiter. Mesmo assim – e considerando que muito do que é visto já tornou-se realidade – 2001 não envelheceu. O que sobrevive, mais do que título ou previsões, é seu conceito, e ele não vai deixar de fazer sentido jamais, porque não propõe a fornecer respostas. “2001” foi feito para gerar perguntas, e tem gerado novas a cada revisão.

PS: A estória já foi tão divulgada que, praticamente, tornou-se uma verdade. Mas se não dá para convencer o mundo, pelo menos entre nós fica estabelecido: HAL não é um anagrama para IBM, como o próprio Clarke revelou mais de uma vez. Se apenas uma vez for suficiente, fiquem com o comentário do próprio escritor presente nos extras excelentes da edição especial lançada este ano no Brasil. Ou, se preferirem, fiquem com a afirmação que ele fez a David Stork em uma entrevista, pouco antes de morrer:
– Tentei, por anos, acabar com a lenda de que HAL viesse de IBM. HAL vem de “Heuristic ALgorithmic” e significa que ele pode trabalhar com um programa pronto ou pode olhar em volta e procurar uma solução melhor. Desta forma, você vai ter o melhor de dois mundos. Foi assim que HAL foi criado.”

9 Respostas para “1º – Fábio Rockenbach

  1. Olha o Ídolos aí, com pompa de SBT.
    Luiz
    O vício do jornalista não influencia no blog e em falar de cinema, apenas não gosto de fazer um texto sobre um filme desfilando comentários somente sobre sentimentos e especificando cenas ou atitudes dos atores. Sempre, absolutamente sempre, vou dosar um pouco disso com informações no sentido literal da palavra – como, por exemplo, quanto o filme custou e arrecadou, que eu inseri nesse texto, ou sobre a contribuição da NASA no projeto. Pode ser visto como falta de criatividade ou como estilo. Eu prefiro o segundo ( muitos consideram criatividade jogar adjetivos e metáforas bonitas no texto, eu acho perda de tempo e desvio de rota ).

    Daniel
    Acho que podia ser ainda mais condensado… meia lauda a menos até, mas é difícil suprimir. Faz parte do aprendizado.

    Daniel C.
    Difícil escrever sobre um dos filmes mais discutidos sem algo que não tenha saído escrito em algum lugar. Minha cultura de conhecimentos do filme veio da visão dele e de ensaios que tenho inclusive guardado. A ênfase no “muito” parecidas foi até meio indelicada e me deixou com um pé atrás.

    Vinícius
    Eu poderia ganhar 10% do que ele tá ganhando na Inglaterra e seria feliz por aqui.

    Cassius
    Não entendi uma coisa: você falou do pulsar do coração, de não conseguir desviar o olhar, de que isso faltou. Ué, a crítica é sua? É sua visão, não a minha – não senti um pulsar na cena do osso, senti a frieza na transformação que seria confirmada mais tarde com HAL. De certa forma, acho enjoativa a cena final da “Viagem” do Bowman, e não algo que não dê para desviar o olhar.
    São maneiras de entender, e isso influencia na análise, mas tudo bem, eu entendo: você queria romantismo no texto, ele tem pouco, mas não há falta de opinião ou sentimento pessoal: eu acho 2001 um filme frio, metódico, racional, crítico. Não consigo fazer um texto romântico disso ( já fiz esse tipo de texto para filmes como Conta Comigo e Drácula de Bram Stoker, que despertam isso em mim ).

    Onde é a porta? Quando é a segunda fase?
    Cadê a feiosa da Paula Abdul?
    PS: Seria ótimo um dia alguém analisar os textos daqui pela mesma ótica, mas a idéia da brincadeira é essa mesmo. Além disso, vale um DVD, então tá limpo.

    Abraço +

  2. Caio Lucas Martins Matos

    Parabéns! Mas deu sorte, pois não estive inspirado, hehe. Da próxima, se tiver próxima, não vai ser tão fácil…

  3. Que tal dois dvds na próxima para aumentar o número de textos? (dã)

  4. Caio Lucas

    Vai gostar de escrever assim lá longe, hehe.

  5. Luis Henrique Boaventura

    Fábio, da parte que me consta,

    Nada contra o uso de informações, desde que não tomem uma proporção substancial no texto (o que não é o seu caso, já que não identifiquei nada substancial).

    ‘Originalidade’, ‘criatividade’ ou simplesmente ‘sentimento’ não significam a adjetivação vazia que você citou e pela qual eu eu fiquei bem feliz de não ter aparecido neste concurso (embora o texto do Jefferson sofra um pouco disso, mas não como a gente costuma ver por aí). A questão é que o teu texto foi o mais óbvio e insosso de todos. Falar de 2001 sem cair no óbvio é difícil, sim, mas é também uma oportunidade de mostrar do que você é capaz. Não falo no geral, gosto dos teus textos ou não leria o teu blog. Só não gostei desse, muito pelo que disse o Daniel Costa, e você mesmo. Lendo seu texto eu me senti lendo tudo que já foi escrito de básico, de esqueleto. Talvez sua visão seja exatamente esta e tal, mas nada impede que você a coloque de outro modo. “O modo certo?” Não, porque é claro que estou falando do seu texto através da subjetividade, é a minha opinião. As pessoas tem cada vez menos tempo, e disputar um espaço, principalmente na internet pra pegar 10 minutos do dia de alguém para parar na frente de um texto seu é um privilégio absoluto que merece ser aproveitado com todo o seu potencial.

    O atestado dessa ausência de qualquer coisa, pra mim, é que lendo-o de novo chego ao fim como se não tivesse lido nada. Minha memória não consegue reter o que não me atrai. Nenhum trecho, nenhuma característica que me faça dizer “bah, mas este é um texto de Fábio Rockenbach”. E você escreve bem, pô. Talvez a escolha do filme também não tenha ajudado. Era evidente que num concurso de Kubrick os textos fiquem limitados a Laranja e 2001, e sabendo disso, ou se entrega algo foda pra caramba, ou com algum diferencial, ou se escreve sobre Fear and Desire…

  6. Luis Henrique Boaventura

    Ah propósito, o próximo Cinéfilos não vai ser de redação.

  7. Pô, eu não vi Fear and Desire…………….
    Na real Luiz, eu li o texto do Amílcar sobre 2001 e acho que ele representa os dois caminhos que eu vejo: você pode falar do filme ou você pode DISCUTIR o filme. O Amílcar discutiu as idéias presentes na narrativa, da viagem de Bowman no final, da presença do monólito, da inteligência superior. Mas, enfim, o Amílcar seguiu a linha que, creio eu, vocês gostam aqui no Multiplot: vocês discutem os filmes, a linguagem, a repercussão do que vocês vêem, e informações, em suma, são um detalhe. É algo do qual eu GOSTO MUITO aqui no site.
    Já eu, como venho de um projeto de longa data escrevendo sobre história do cinema, gosto de comentar sobre processos, sobre estórias envolvendo os filmes, dados adicionais, o entorno da produção e costumo agregar isso ao texto, mesclando com meu entendimento.
    Acho que essa diferença entre escrever sobre um filme e discutir um filme existe sim, por mais que se possa querer dizer que não. Por outro lado, concordo que já escrevi coisas bem melhores. Isso, pelo menos, eu não discuto em absoluto.

    PS: Nenhuma pista do novo formato?

  8. “Difícil escrever sobre um dos filmes mais discutidos sem algo que não tenha saído escrito em algum lugar.”

    Ouso discordar. Teve uma outra pessoa que participou que começou o texto de forma absolutamente linda, dizendo como veio a descobrir o filme e o que sentiu e processou quando finalmente o viu pela primeira vez. Para falar de qualquer filme não precisa se inspirar em outros textos e artigos sobre o assunto. Basta apenas arrancar as impressões de si mesmo.

    “A ênfase no “muito” parecidas foi até meio indelicada e me deixou com um pé atrás.”

    Menos… o que vc escreveu tem ecos fortes de outros artigos que li. E, sim, por um momento a palavra “plágio” me passou pela cabeça. Isso é internet, guardo meus princípios cristãos de acreditar no próximo de olhos vendados para o mundo real. Nada pessoal.

  9. Pois é, o texto do Alex é lindo, mas não é meu estilo. E, convenhamos, o caminho usado por ele é muito próprio e original, mas as impressões que 2001 causa nas pessoas costumam ser muito parecidas sim, para o bem ou para o mal. Me refiro a impressões e informações, não a estilos de texto. Isso talvez tenha interferido sim, ao contrário do que afirmei – talvez o Luiz tenha mais razão do que eu supunha sobre a influência da profissão, mesmo que eu não tenha visto. Sou jornalista, não sou cronista. Escrevo crítica de cinema, não crônica de cinema. Só reafirmo que acho que, a menos que queira transformar a crítica em um texto subjetivo e pessoal, é comum você acabar citando fatos que muitos usam e conhecem. Parto da premissa de que aqueles que estão lendo o texto querem mais informações sobre a produção, além dos meus devaneios ou interpretações – informação clara e direta, o que nem sempre achamos nos textos do Multiplot, que por vezes fala do filme sem dar mais detalhes sobre o básico, a estória ( mas abro a ressalva de que, como é dirigido a quem já tem alguma bagagem e procura o blog, é perfeitamente compreensível e justificável) O Alec achou uma forma muito particular de unir os dois. Simplesmente não é do meu feitio.

    Quanto ao plágio, não posso fazer nada. Você não me conhece, então concordo com seu princípio cristão, também me guio por ele – só acharia mais educado questionar se foi plágio, na avaliação mesmo, e não deixar a afirmação nas entrelinhas sem ter tocado no assunto comigo. Mas tudo bem, é passado. Entendi seus argumentos, apenas não concordo com algumas partes dele, e concordo com outras.
    É um direito de ambos.
    Abraço

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