Blow-Up – Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)

Aquilo que faz os personagens de Michelangelo Antonioni sofrerem bastante é a filiação extrema deles ao roteiro que acreditam piamente ser conclusivo (em Profissão: Repórter a crença é pior: a de que se pode se esconder no corpo do outro). Desse modo, a traição que o personagem de Blow Up sofre é aquela do olhar, sua arma principal.

O que lhe escapa é aquilo que ele quer transformar em espetáculo. O olho da câmera, mais esperto do que ele, registra uma imagem que pode ser de um assassinato, mas jamais saberemos. Antes de tudo, este personagem, um fotógrafo/artista, parece possuir uma ideia muito segura de seu trabalho. Quando dirige as modelos isso fica claro: ao artista é concedido o poder da narração.

Logo, a falha deste homem é estar muito longe de uma narrativa espetacular (a do assassinato, tudo o que o envolve), é registrá-la sem no entanto dirigi-la. Não é bem para isso que servem as ampliações das fotos do fato? Para trazer, virtual e eternamente, aquele pedaço de crime para perto, para sobreviver num dedo de direção/encenação?

4/4

Ranieri Brandão

7 Comentários

Arquivado em Comentários

7 Respostas para “Blow-Up – Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)

  1. Boa reflexão, nunca tinha pensado nisso sobre essa perspectiva. Lança uma discussão sobre o controlo da realidade.

    Interessante juntar à subjectividade dos factos.

    Blow-up é uma obra de arte sublime, o meu favorito de Antonioni.

  2. K. Lincoln

    Não só o melhor de Antonioni,mas também um dos melhores filmes já feitos…

  3. Daniel Dalpizzolo

    Antonioni é um que acordo e tenho dificuldades de lembrar qual meu favorito. Blowup, Eclipse e Profissão Repórter me levam a crer na poligamia como melhor forma de relacionamento.

  4. Uma das grandes obras-primas do cinema mundial (apesar de muitos subestimarem o filme). E pensar que o Kubrick queria fazer um épico sobre o Napoleão Bonaparte com o ator David Hemmings, o fotógrafo do filme, que acabou nunca acontecendo. Pena!

  5. Ranieri Brandão

    Realmente, é talvez o melhor filme do Antonioni mesmo, ao lado de Profissão: Repórter.

  6. K. Lincoln

    E o final não é desse mundo…de dar nó na garganta

  7. A cena da ampliação é uma das coisas mais assustadoras que eu já vi na vida. Aliás, esse filme inteiro é uma das melhores coisas da vida mesmo…

Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s