The Bamboo Blonde (Anthony Mann, 1946)

Quebrando pela primeira vez uma sequência espetacular no gênero que foi o seu habitat na década de 40, Mann não parece ter qualquer ambição com Bamboo Blonde, uma comédia romântica standard daquelas ingênuas e um tanto broxantes – enquanto projeto – para um cara que respirava o film noir num ritmo alucinado de dois lançamentos por ano.

Mas não que se trate de um filme ruim, exatamente. De qualquer forma, Bamboo Blonde fica acima da média de uma produção classe A do gênero na old hollywood pois passa pelo crivo de Mann, o que significa que temos um filme de 60 minutos sem qualquer prejuízo em relação a um de 120 e que cada pequena decisão é, sempre, uma decisão acertada; isso pra um filme feito de escolhas extremamente limitadas (não se pode optar por fazer um giro 360º e depois atirar a câmera na parede, mas pode-se escolher entre filmar da esquerda para a direita, entre iluminar aqui ou ali, qual o tempo de cada seqüência, etc, todos os detalhes mínimos que compõem aquele maldito terminho francês).

Há uma tolice calculada dentro daquela fórmula exata no rol das comédias românticas dos anos 30 e 40 que simplesmente as blinda contra desastres – ou seja, apesar de inútil, The Bamboo Blonde não seria desagradável nem se quisesse. Ou talvez sim. Mas enfim. Sei lá, não tenho mais o que dizer. Hm… a Frances Langford é terrível, o Ralph Edwards é divertido… A cena da batalha aérea é bem legal.

É quando os dinossauros aparecem, e você sente que o cara foi posto no mundo pra fechar o abismo que teria separado para sempre o cinema blockbuster da mais pura e limpa e refinada mise-en-scène numa sequência de momentos executada como a regência dos astros em Aprendiz de Feiticeiro, pura mágica + música + ballet para os olhos verem e o coração sentir.

Pastel de carne. E não é suficente, afinal, pra mensurar um combo de erros que ele conseguiu construir com uma harmonia que me desafia a enxergar essa corrente como uma simples sucessão de más coincidências, afinal, porra, é do Nicolas Cage que a gente tá falando aqui. I leave power. Good.

1/4

Luis Henrique Boaventura

Screenshots!

Dos truques mais bobos do mundo, e Mann me enganou direitinho.

*o texto ficou meio curto em comparação às avaliações de corpos e olhares e etc dos meus colegas, aí copiei/colei uns pedaços de uns textos que eu tinha aqui pra dar uma encorpada e tal. Mas ficou bom eu acho, nem se nota.

2 Comentários

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2 Respostas para “The Bamboo Blonde (Anthony Mann, 1946)

  1. hahahaha, super perdoável, afinal você pegou A bomba… Os colegas agradecem…

    Além do quê, o surto textual deve estar coerente com o que Mann sentiu ao filmar isto.

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