Magnólia (Paul Thomas Anderson, 1999)

Não sou anti-Paul Thomas Anderson (gosto bastante de Hard Eight, Boogie Nights e Sangue Negro), tampouco sei se Magnólia já foi bom um dia, mas se foi, então o filme envelheceu muito mal, porque ele é todo descontrolado, inventa mil dramas em torno de dezenas de personagens, acasos e trajetórias que se cruzam, e que vão acontecendo muito rápido, tudo parece desesperado para agradar quem assiste, a coisa transborda; não se insinua, não seduz, só agride e atinge nossa retina com a força de uma marreta insistente, não dando tempo para a gente se envolver e criar uma relação com nada do que histericamente vai desfilando na tela. É uma desajeitada imitação da estrutura de alguns filmes de Altman (especialmente Short Cuts), só que aqui resulta numa experiência amorfa. Mesmo as relações humanas são de um simplismo constrangedor, como a cena do garoto prodígio se mijando nas calças durante o programa de perguntas e respostas na TV (antecipando o esquema Show do Milhão que serviria de arcabouço ao ainda pior Quem Quer Ser Milionário, do Danny Boyle), embora nada se compare com o desfecho comentadisimo, sem razão de ser por nada nesse mundo. No epílogo do citado Short Cuts, depois de todas as subtramas paralelas envolvendo os 22 personagens, ocorre um acontecimento devastador que faz com que todos os personagens sofram uma mesma ação, um terremoto em Los Angeles que vai matar a todos, um brilhante modo de concluir a trama e fechar o seu filme com chave de ouro. Como bom emulador de Altman, o então jovem P.T. Anderson precisa seguir o mesmo caminho e terminar seu filme com um impacto semelhante; para tanto, inventou uma chuva de sapos que equivale para seu filme e seus personagens algo próximo do que o terremoto de Short Cuts representou em sua estrutura. Mas se no filme de Altman o desfecho é coerente e natural, o de Magnólia é uma bosta. Uma afetação muito grande, que busca uma espécie de realismo mágico, mas que peca por excesso de engenhosidade e inverossimilhança, tornando o filme ainda mais rebuscado do que já é (no pior sentido do termo). Sem falar nos cinco minutos com os personagens dublando uma canção no mais surrado estilo videoclipe dos anos noventa! Ainda mais grave é a câmera serelepe que fica se movimentando ininterruptamente meio sem saber para onde, numa necessidade de tornar o filme dinâmico. É quase certo que serviu de influência para que surgissem outros filmes medíocres como Crash – No Limite e Babel.

1/4

Vlademir Lazo Corrêa

40 Comentários

Arquivado em Comentários

40 Respostas para “Magnólia (Paul Thomas Anderson, 1999)

  1. caiolefou

    Certo, mas Babel é bom. hehe

  2. Daniel Dalpizzolo

    Magnólia é legalzin, Babel é uma bosta.

  3. enxak

    Magnólia é ótimo, tchê.

  4. Discordo da crítica … gosto bastante de Magnolia

  5. Certo tava o Pollock… arte não se critica, se absorve ou se joga no lixo. Errado ou certo ninguém está, nunca…
    E acho Magnólia só + ou –

  6. Anônimo

    Texto no mínimo muito adolescente. Espero que toda essa imaturidade se deva a a) você querer se achar fodão por não gostar de filme elogiado na comunidade cinéfila ou b) você ter assistido o filme com sono, usando um tapa-olho, no meio de uma festa e sem áudio, pq seria realmente uma pena se você fosse tão ignorante assim. Tente apresentar argumentos mais sólidos da próxima vez, pq esses daqui …

  7. Daniel Dalpizzolo

    Demonstração de maturidade mesmo é julgar opinião dos outros assinando como Anônimo. Isso aí, tua mãe deve tá orgulhosa da tua coragem, meu velho! Ou arrependida de ter te dado um nome tão feio.

  8. Pensei em dar ao meu filho o nome de Anônimo, mas me disseram que ele nunca seria alguém na vida.
    Aí desisti da idéia…

  9. djonata

    esse anonimo daí é macho.

  10. Daniel Dalpizzolo

    Tão macho que deve tá engolindo sapo sentado em cima duma torre de petróleo enquanto lê e ri da nossa cara.

  11. Djonata Ramos

    aliás, nada é mais adolescente do que se doer quando criticam um filme que se tem em alta conta.

  12. Anônimo

    Respeito você gostar desse ou de qualquer outro filme, só acho que se o filme for tão bom assim ao ponto de não poder ser criticado negativamente por ninguém, o mais correto seria você (ou qualquer outro fã de Magnólia) vir defender o FILME comentando sobre o que ele supostamente tem de bom, ao invés de seguir o caminho mais fácil e óbvio demais em me insultar tão gratuitamente (lembrando que pelo menos no meu texto eu me restringi a analisar o filme apenas, coisa que os fãs também deveriam fazer caso estivessem mesmo interessados em defendê-lo).

  13. Caio

    O cara nem deve ter entendido o texto… Até porque deve ter uma imagem (análise) míope do filme, só achando que tudo ali no contexto da coisa é uma maravilha.

  14. Daniel Dalpizzolo

    É que é aquela coisa, dá tanta vergonha defender um filme tão cheio de coisas toscas (mas eu não acho ruim, não esqueçam) que nem o nome eles revelam.

  15. Bernardo F. V.

    Não é preciso muito esforço para saber (ou no mínimo ter uma forte suspeita) quem é esse tal “anônimo”…

    Sobre o filme, o assisti há uns 2 anos quando ainda estava muito verde no quesito cinema… fiquei deveras impressionado com o filme todo… principalmente com a técnica de PTA e a capacidade de sincronizar as tramas e usar a tal “câmera serelepe” para amplificar as sensações do espectador… Gostei da tal chuva de sapos mas achei a “parte musical” um pouco desagradável…

    Não sei o que acharia ao rever o filme, mas não tenho planos de fazer isso tão cedo…

  16. Daniel Dalpizzolo

    Então, acredito que isso aconteça com muita gente. Comigo rolou um troço estranho. Vi o filme no lançamento, achei uma bosta. De tanto insistirem, revi uns três anos depois, gostei pra caramba. Aí comprei um dvd numa brincadeira de shopping e lá por 2007 fui rever. Preferi parar lá pelos 30 do primeiro tempo pra não passar a detestar o filme.

    E quem você acha que é, Bernardo? Dá pra falar aqui? Ou pelo menos por mensagem privada lá no fórum?

  17. Bernardo F. V.

    Acho melhor não… prefiro respeitar a escolha (infeliz, diga-se de passagem) do “Anônimo” de se manter… anônimo…

  18. Daniel Dalpizzolo

    Tranquilo, vou respeitar a sua vontade de respeitar a machorra mascarada.

  19. enxak

    Deixem o anônimo se expressar, todo anônimo anseia o estrelato!

  20. Ranieri Brandão

    Lembrando que o André de toth usava tapa-olho, hein? hahahaha. Anônimos só merecem o silêncio… hehe.

  21. Ah, Magnólia é um filmaço, ideal pra se assistir sozinho, de noite, na chuva. É cheio de camadas, e conectar ele à atrocidade Crash é algo que eu prefiro desconsiderar.

  22. Maicon

    uepa! eu fico os finais de semana sem acessar e o blog bomba dessa maneira! hehe , embora eu ache que nem Magnolia, nem o comentário do “anonimo” sejam substanciais o bastante para gerar uma discussão assim, enfim, pra uma coisa eu tiro o chapéu.

    http://www.movieposter.com/posters/archive/main/21/A70-10871

    o cartaz do filme é de um design belissímo, até hj considero um dos mais iconográficos de Hollywood.

  23. Me respondam se só eu sou mesmo assim tão topeira e não notei, mas alguma vez lí das referência que o filme faz a um pedaço da Bíblia.

    Daria para ser um filme ambíguamente bom, portanto, você pode ser crente e acreditar no divino ou cético e acreditar no acaso.

    Nesse caso seria até interessante. Mas faz algum bom tempo que ví o filme, talvez veja qualquer dia desses.

  24. Snif, snif…
    Eu gosto de Magnólia, de Crash e de Babel…
    Tadinhos deles…

  25. Djonata Ramos

    esse nando é o nando da nossa equipe? quem chamou ele?

  26. Daniel Dalpizzolo

    Não gostar de Crash sempre foi pré-requisito. Vacilamos dessa vez!

  27. Caroline

    Não concordo em nada com a crítica. Acho o filme genial. É complexo sim, mas basta assistir mais de uma vez para compreender o seu significado. Aliás, se você tivesse visto mais de uma vez, perceberia que o desfecho não tem nada de gratuito, já que o versículo bíblico em que essa praga acontece aparece diversas vezes ao longo do filme e tem tudo a ver com o drama dos personagens.
    Além disso, a tal “cena de videoclipe anos 90” também não é uma cena gratuita de personagens cantando. É uma cena importantíssima, que representa de forma poética como todos os personagens estão interligados pelo mesmo sentimento de arrependimento e culpa.
    Enfim, o filme não é nada fácil. Acredito que, por isso, muita gente não gostou.

  28. Carol, pelo menos comigo o problema do filme é justamente depender desse monte de muleta (versícolos de bíblia, números, combinações do capeta etc) pra se sustentar. E, mais do que isso, por dar importância a esses detalhes mais do que ao que está na imagem em si, no filme que estamos acompanhando. Tirando isso, tem algumas boas cenas ali, realmente.

  29. Acho que eu fiquei tipo quase dois anos sem ver o filme, e juro que tentei não gostar durante esse tempo, mas não tem jeito. Reassisti logo no começo do ano e todas essas coisas que todo mundo geralmente critica, pra mim estão entre as mais belas que o pta já filmou. Acho que a intensidade do filme é o que mais me agrada, porque de fato magnólia é formado por marteladas incessantes no espectador. Acho que gostar ou não acaba variando pelo gosto.

    Sobre o apoio bíblico ou whatever citado pelo Dan, acreditem que não existe. É puro easter egg.

  30. Daniel Dalpizzolo

    Legal, então qualé a da chuva de sapos sem a referência? É apenas uma cena porra-louca?

  31. É uma intervenção, uma ex-manchina surreal. Não sei se é verdade, mas o pta declarou na época do filme que não sabia da existência da chuva de sapos na bíblia e que só descobriu por causa de conversas com os produtores.

  32. Daniel Dalpizzolo

    Não é verdade, as intenções dele são bem claras. E enfim, uma baita x-manchinha [/pablo] num filme que se declara realista-oh-como-capto-a-compexidade-dos-sentimentos-humanos o tempo todo não?

  33. Nossa, mas esse seu julgamento não foi nem um pouco difícil, né. Se você parar pra pensar, só podem existir dois motivos possíveis pelo próprio criador da obra ter desmerecido a influência bíblica no filme:
    1. ele realmente não teve nenhuma, ficou sabendo da passagem em êxodo depois e resolveu acrescentar easter-eggs
    2. ele notou uma tendencia de análise bem polarizada do filme, e resolveu desmerecer essa influencia para que outros campos do filme pudessem, pelos fãs, ser melhor explorados

    E o que você quer dizer com intenções? Porque eu não consigo ver conexão nenhuma com a chuva de sapos com a bíblia ou com qualquer outro toque mais divino.

  34. Daniel Dalpizzolo

    Troy, dormi 50 minutos hoje, tô atolado em coisas e tô sem saco de discutir Magnólia pela milésia vez. Vira a página, vamos pro Mann!

  35. ricardo

    Você não entendeu o filme. E quer parecer muito inteligente, coisa que nunca será. E quer proibir um cineasta, sendo esse o caso, de usar referências literárias ou o que quer que venha na sua telha. o que a arte a ver com a porra da realidade? Ela tem a ver com a verdade! E essa cada um tem a sua. Vc quer uma coisa cerebral, sem arrebatamentos? Vai ler bula de remédio, seu retardado!

  36. Vlademir

    Primor de argumentação pela defesa do filme! A estupidez massacrante da maioria realmente impera.

  37. Caio

    Eu sou da maioria estúpida que gosta. cafe1

    Mas se tiver dito quanto a [não-]argumentação… Continuo estúpido. haha

  38. Vlademir

    Haha estupidez é o modo que foi feito o comentário, claro. Nada contra gostar do filme.

  39. Anônimo

    Daqui a pouco ele vem dizer que crítico de cineplayers.com é uma merda.

    Aliás, grandes chances de Ricardo e Eduardo serem alter-egos de Hilário, não?

  40. Daniel Dalpizzolo

    Hahah, esse era eu postando bebado.

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