Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – Werner Herzog, 2009)

Diferentemente do Vício Frenético (Bad Lieutenant) de Abel Ferrara, que foca na jornada autodestrutiva de um policial viciado em cocaína, jogos, e com sérios problemas morais, Werner Herzog pega esse ponto de partida da obra-prima de Ferrara e pira o cabeção completamente apresentando praticamente a antítese do apresentado pelo ítalo-americano mais podre de NY. Aqui o “alemão” nos apresenta ao policial com vícios similares aos do anterior, mas com conseqüências diferentes, Herzog aposta muito mais na caricatura e na sátira que na crítica, se utilizando de uma fábula fake das conseqüências do acumulo de erros sucessivos que um profissional pode cometer. Enquanto que o policial deve proteger e servir à sociedade, o policial interpretado por Nick Cage (brilhante e esquecido no Oscar e outras tantas premiações) está preocupado apenas consigo, como pagar suas apostas em jogos e como poder cheirar sossegado, utilizando até o seu status de policial para chegar mais facilmente ao pó. É tragicômico observar ele cada vez mais imerso em seus vícios e problemas ao passo que não faz nada para resolvê-los e nem parece estar arrependido, e, mesmo assim, de certa forma, crescendo na vida e resolvendo seus casos. Herzog mostra mais uma vez o quanto surtado é, indo totalmente contra a maré do bom samaritano que assalta a sociedade num misto de desespero e hipocrisia, enquanto que os outros filmam drogados tendo seu braço amputado soando propaganda de verso de carteira de cigarro, Herzog se utiliza da magia do cinema pra fazer o que der na telha, com iguanas + blues e tudo o mais que a gente gosta.

3/4

Djonata Ramos

6 Comentários

Arquivado em Comentários

6 Respostas para “Vício Frenético (The Bad Lieutenant: Port of Call – New Orleans – Werner Herzog, 2009)

  1. djonata ramos

    “Shoot him again. His soul’s still dancing.”

  2. Thiago Duarte

    eu vi essa frase no trailer e já pareceu genial.

  3. djonata ramos

    ô, se é. a situação toda que ela envolve, o contexto é absolutamente foda, e mais o importante, hilário.

  4. Maicon

    pela citação de “requiem para um sonho”, eu não menosprezaria uma grande obra prima da década passada. Para os personagens do filme, não há tragicomédia ou irônia, só realidade, pura e injetada em cortes alucinantes. É cinema para poucos e fortes!

  5. djonata ramos

    e olha que quem vos escreve é um cara que nem acha requiem exatamente ruim, apesar de bem panfletário, sim. mas o arof se redimiu com aquela lindeza que atende por “O Lutador”, esse sim, um grande cinema. mas que fique claro que a citação apesar de parecer direcionada ao filme do arof, apenas, não o é, é pra todo e qualquer filme com “função social” – ou que acha que é mais do que realmente é.

    e a tragicomicidade que me referi só se aplica ao filme do Herzog, justamente esse desprendimento com a realidade que tu citou como qualidade de requiem é que faz o filme do herzog ser tão delicioso como entretenimento.

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