Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds – Quentin Tarantino, 2009)

Não costumo gostar de ensaios de fatos históricos – e menos ainda quando a resolução destes fatos são peças importantes dentro da narrativa – porque são sempre simplesmente tratados como fatos, o que é mau para o cinema. Como Operação Valquíria, do talentoso Bryan Singer. Toda vez que algo assim acontece, eu torço – mesmo sabendo que é inútil – pro cara pirar o cabeção, e uma vez em um milhão de vezes tudo que eu queria e que achava impossível acontecer na tela, acontece. Se Tarantino tivesse dirigido A Paixão de Cristo, Pedro pularia na frente da cruz com granadas e uma AK-47 dizendo “say hello to my little friend”, ou algo assim.

O Christoph Waltz é a personificação da mola propulsora de todos os grandes momentos do filme, mesmo quando ele não está lá (como na cena da taverna). O texto, os gestos, os olhares e os movimentos da câmera, todos escritos para dizerem o oposto do que estão dizendo (o que talvez seja a principal característica do film noir), e que faz de cada momento um momento a menos antes que tudo vá pelos ares, uma iminência dosada de modo genial, a raiz de toda a tensão propagada em Bastardos Inglórios (o cap. 1 já te deixa sem nervos pra continuar). Waltz hipnotiza, é simplesmente bom ficar olhando enquanto ele fala. Pitt tá fantástico também (e de novo. a essa altura acho que ninguém questiona que o cara é um dos grandes dos últimos anos)

Das referências, é sem dúvida o principal filme do Tarantino, e eu tô pouco me fodendo se o cara é arrogante e prepotente enquanto continuar combinando o talento a esses adjetivos. Porque é muito bom que haja lá fora alguém com prestígio e habilidade que esteja fazendo o que, no fundo, todos nós que curtimos cinema adoraríamos fazer. Parece uma criança brincando de ser ora Leone, ora John Ford, Godard, Ferrara ou De Palma. Como brincávamos de ser o Romário ou o Ronaldo (eu era o Paulo Nunes, sempre), assim como quase dá pra visualizá-lo rindo e apontando o dedo todo empolgado sempre que ouve alguém dizer “Antonio Margheriti”, ou vê alguém polindo (ó que fofo) as letras do nome de Henri-Georges Clouzot.

Não concordo que seja a obra-prima, ao menos hoje não. Ainda acho Kill Bill um ponto de equilíbrio perfeito dentro da filmografia do Tarantino. Mas é isso, alguns vários excelentes momentos costurados pelo amor sempre tateável ao cinema na forma de um texto perfeito (quem disse que não era importante?…), de travellings deslumbrantes (dentro da sala de cinema, principalmente), de decisões criativas que eu aplaudo de pé e, acima de tudo, do domínio absoluto sobre todos os objetos – seja a câmera, a luz, a cor, o ritmo, os atores – que gravitam submissos ao redor dele. Master of his domain. (referências o/)

4/4

Luis Henrique Boaventura

Screenshots!

A mise-en-scène vive. Aqui um belo exemplo do que se pode fazer dando um blow up num mesmo quadro. Os espelhos e a iluminação que traça contornos fosforescentes do primeiro, a harmonia perfeita do círculo e do balanço de vermelhos no segundo, o reflexo se sobrepondo ao cartaz do lado de fora no terceiro, e as várias meias-luas do último num crescendo sutil em direção à belíssima Mélanie Laurent.

ou: Bastardos Inglórios (Quention Tarantino, 2009) – Marcelo Dillenburg – 4/4

ou: Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) – Vinícius Laurindo – 4/4

11 Comentários

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11 Respostas para “Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds – Quentin Tarantino, 2009)

  1. Daniel Dalpizzolo

    Talentoso Bryan Singer foi uma espécie de aplicação desconhecida da ironia?

  2. djonata

    o dan é tão chato que ele se apega a parte menos importante do texto só pra torrar o saco. [roll]

  3. Daniel Dalpizzolo

    Ué, quis apenas tirar uma dúvida. çç.

    O filme em si eu já cansei de discutir nesses meses que passaram, hehe.

  4. Daniel Dalpizzolo

    E outra: vá tomar no cu. (que saudades de usar palavrões em discussões).

  5. Thiago Duarte

    tudo certinho, tirando a parte que fala que kill bill é melhor. e ainda mais colocando esses screen aí.

  6. djonata

    esses screens é totalmente HQ. e embalado por Cat People é genial demais. mas KB ainda é a OP master do Taranta.

  7. Daniel Dalpizzolo

    And I’ve been putting out fire… with gasoliiiiiiine!

    Enfim, Kill Bill > Bastardos Inglórios.

  8. Thiago Duarte

    3 errados contra 1 certo.

  9. Daniel Dalpizzolo

    Um imbecil contra a razão.

  10. Legal esse ponto que o Foras levantou aí, é isso mesmo q eu senti, do prazer de ver a história ser alterada, etc. Perfeito.

    E assim que vi o filme, ele passou a ser meu preferido do Tarantino. Depois voltei atrás e Pulp Fiction tomou de novo o posto, sempre colado com Kill Bill. Agora tá assim, e acho q em definitivo:

    1. Inglorious Basterds
    2. Kill Bill
    3. Pulp Fiction
    4. Reservoir Dogs
    5. A Prova de Morte
    6. Jackie Brown

  11. Kill Bill ; Death Proof > Inglorious Basterds

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