Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds – Quentin Tarantino, 2009)

Se a minha relação com o cinema tem qualquer coisa de um relacionamento amoroso, então os filmes de Quentin Tarantino tiveram lá sua importância na minha iniciação sexual. Os delírios de conotações homossexuais em Cães de aluguel sempre me pareceram claros, mas nunca duvidei da existência de algo sugestivo naquela injeção de adrenalina, em Pulp fiction. Ou em Mia dançando sob os efeitos da droga de Vincent, ao som de Girl, you’ll be a woman soon.

Os anos foram passando, e nossa relação foi se desgastando, pouco a pouco perdendo o fôlego, até que, no fim das contas, passei a olhar para a maior parte dos filmes tarantinescos (Kill bill continua sendo nossa montanha Brokeback, QT!) como quem observa uma antiga namorada: consciente de que tivemos os nossos momentos de paixão, mas cuja ardência ficou algo perdido no tempo, como hálito no vento.

Mas eis que surge esse Bastardos inglórios, aparentemente fazendo a cabeça de todo mundo. E a minha sensação foi a de ter reencontrado, no cinema, aquela mesma pessoa, só que mais madura e, por isso mesmo, mais interessante. Como a versão aprimorada de um modelo imperfeito. A menina que não saía da minha cabeça durante a adolescência, mas que aprendi a contemplar com certa distância, virou um mulherão encorpado, experiente e segura de si. Parecia inacreditável.

Percebi que ela compreendeu, com o passar dos anos, que sua vasta enciclopédia pop mental era divertida, mas que precisava de um algo a mais para ser realmente atraente. Foi aí que ela aprendeu a conversar com inteligência e desenvoltura, descobrindo, nesse processo, o tempo e suas implicações. Uma evolução e tanto. Tornou-se uma coisa linda, tamanha elegância e imponência. E que me conquistou de vez.

4/4

Vinícius Laurindo

ou: Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) – Luis Henrique Boaventura – 4/4

ou: Bastardos Inglórios (Quention Tarantino, 2009) – Marcelo Dillenburg – 4/4

4 Comentários

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4 Respostas para “Bastardos Inglórios (Inglourious Basterds – Quentin Tarantino, 2009)

  1. djonata

    foda esse texto. parabéns, carica!

  2. Vinícius Laurindo

    Valeu, Djon!

  3. finalmente um texto foda sobre o filme sem mostrar spoilers arrodo…muito bom msm..amei os análogos..sausha

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