À Deriva (Heitor Dhalia, 2009)

Num lapso de – maior – egocentrismo de minha parte, cheguei a pensar no cinema que o Dhalia tinha feito esse filme pura e exclusivamente para me provocar.

Luz de propaganda de celular – check!
Trilha sonora irritante, que entra a cada minuto ou mudança de ação – check!
Vazio narrativo – check!
Sotaque insuportável – check!

Será que foi só comigo?

1/4

Thiago Macêdo Correia

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1 comentário

Arquivado em Comentários

Uma resposta para “À Deriva (Heitor Dhalia, 2009)

  1. William Pereira

    Cara, não foi só com vc.
    Boto a seguir o comentário do Inácio Araújo:

    “Deriva para lugar nenhum

    Eu consigo entender que “À Deriva” tenha sido feito, mas não que tenha sido escolhido e que tenha participado de uma mostra oficial do Festival de Cannes.

    Cannes tem a obrigação de abrir caminho para um entendimento mais ou menos avançado do que seja cinema, e o filme do simpático Heitor Dhalia não se aguenta nas pernas.

    O roteiro é estapafúrdio. Onde se viu: o filme leva todo o tempo a um tipo de entendimento das coisas (mulher frustrada e alcoólatra + marido que tem caso com outra garota = ameaça de separação), vivenciado pela filha adolescente como uma catástrofe.

    Mas a horas tantas sabemos que não é nada disso. A coisa é tirada da cartola, verbalmente, pela necessidade de uma “virada” no roteiro. Não se sustenta como dramaturgia, como ficção, como nada. Qualquer roteirista, o mais modesto do mundo, sabe que isso não pode acontecer assim.

    A distribuição dos planos é uma coisa lamentável. É mais ou menos assim: alguém diz que a mamãe está bebendo. Plano da mãe bebendo. E por aí vai. É assim o tempo todo. A filha passa pela amante do pai. A amante a cumprimenta. Ela, não, pois acha que a amante de brincos enormes e turbante é a causa da separação dos pais. Pode acontecer? Claro que pode. Mas do ponto de vista dramático não é nada, é de uma insuficiência atroz.

    Em outro momento, o pai procura pela filha. Topa com um acidente grave. Há alguém dentro do carro. Ele consegue retirar uma menina. Será que é sua filha? Não, não é. O incidente termina.

    Que sentido tem isso, além de altamente dispersivo?

    Passo pelo setor cartão postal de Búzios (ou será Parati?), bastante alentado. O recuo no tempo não faz sentido algum, não tira nem acrescenta nada.

    Enfim, não gosto de dizer isso, mas não vejo o que se salve em “À Deriva”, com exceção da menina, a filha, que tem boa presença. O Vincent Cassel poderia ser qualquer outro, não faria diferença.

    Em resumo, me parece uma pena que Dhalia chegue ao terceiro filme sem que se vislumbre nenhum ponto de vista, nada.

    Mas é um desastre que um filme tão fraco vá para Cannes, numa mostra oficial. Tudo bem, há jogos de força em festivais, sobretudo esses grandes, etc. Mas não dá para levar a sério quando se estabelece uma tal confusão de valores.”

    Abraços

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