Réquiem Para Um Sonho (Requiem for a Dream – Darren Aronofsky, 2000)

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Antes de qualquer pedra: 1.eu não tenho nada contra câmera esquizofrênica, desde que saibam usa-la, e, principalmente, QUANDO usar. 2. Eu não tenho nada contra intelectualismo travestido por narrativa ou estética moderna e etceteras, desde que saibam como fazer. 3. E, definitivamente, eu não tenho nada contra a implantação de algum estilo próprio que tenha como único objetivo alcançar algum requinte visual (ou audiovisual) ou simplesmente para ser usado como uma muleta narrativa cool (se tivesse, não adoraria o Tarantino, por exemplo), desde que isso seja interessante. Mas o que eu com certeza tenho contra é ter que aturar 1 hora e meia de filosofia vazia sendo filmada como se tivessem fazendo um remake de 2001 “dahora”, não na mensagem, mas na suposta pretensão de determinado assunto.

Essa porcariazinha que esse sujeito qual nome eu não estou afim de fazer um ctrl c,v, fez, é o exercício mais bizonho de inutilidade cinematográfica. Réquiem Para um Sonho é simplesmente nada. Ele finge ser tudo, mas não é porra nenhuma. Ou seja lá o que ele for, é muito pouco perto do que ele finge ser.

O que Réquiem Para um Sonho é? Um filme que trata apenas e exclusivamente das consequências do uso de drogas. Eu uso e vou ficar assim e blá,blá. O que Réqueim Para um Sonho pensa que é? Ha, muita coisa: pensa que trata da solidão, alienação emocional, deslocamento no mundo, etc. E é filmado de tal forma que faça você acreditar que realmente existe algo por trás de tudo isso, quando na verdade ele ta filmando o vazio.

Vou pegar exemplos práticos do que Réquiem Para um Sonho é, e o que ele finge ser: Jennifer Connelly e Jared Leto, estão os dois deitados em uma cama, e então o diretor resolve corta-los, fazendo duas perspectivas na mesma cena, a dela e a dele, e então é um desfile de câmera pelos corpos dos dois. Primeiramente há apenas um confronto de olhares, eles obviamente estão em uma sintonia emocional fantástica, os olhos falam mais que a boca, são dois seres que definitivamente tem muito o que dizer (o diretor sugestiona isso com sua câmera), e então, infelizmente, o silêncio é quebrado, e o que antes era sugerido pelos olhares, agora é transformado em poesia pelos jovens rebeldes. “você é a pessoa mais linda do mundo” diz ele, “você acha mesmo?!” retruca ela, “sim, sim… sei que nunca devem ter te dito isso, mas é o que penso” indaga o james dean contemporaneo, “não é isso, já me falaram… mas é que antes não significava nada. E agora que você falou, significa, sabe…?” Sabe? É… E depois vai a Jennifer Connelly pra frente do espelho, nua na parte de baixo, e levanta os braços deixando com que uma luz acolhedora branca tome conta do lugar. Cada um pode interpretar como quiser, uns podem achar que ela estava em um estado de libertação espiritual muito forte, mais ou menos quando a mente se separa do corpo, ela pôde se desprender dos elos carnais e se livrar, momentaneamente, dessa terra cheia de injustiças, podridões, e alienação (alienação) que nossa gravidade nos obriga a sermos prisioneiros. Um momento muito belo do cinema. Ou simplesmente levantou os braços para cima enquanto estava nua na parte de baixo, que foi tudo o que aquela cena me disse. Ta, eu sempre sonhei em ver os pelinho pubianos da Jennifer Connelly, mas tinha que ser assim? Mas ok, ta valendo.

Ou vamos voltar um pouquinho no tempo, quando Jennifer Connelly e Jered Ledo invadem um prédio. Eles vão para a cobertura desse, contemplar a linda vista e desprender suas mentes juntos. Depois desse exercício emocional, o diretor comete o erro (de novo, ou primeiramente, tanto faz) de deixar eles falarem, daí ela reclama dos pais, e ele retruca “po,mas teus pais são legais, eles te dão tudo” daí ela explica “ah, sabe, eles me dão comida, dinheiro,estudo, etc,mas não dão o principal, sabe? O principal” (sabe?), daí ele “hmmm, tu tem razão. Mas pq tu não pede pra eles (pais filhas da puta) abrirem uma loja pra ti fazer teus desenhos?” daí ela “ta louco, não quero depender deles pra nada” então ele tenta a ultima cartada “mas pq tu não trabalha então?” daí ela da o touché “pq assim eu não teria muito tempo pra ficar contigo” Óunnnnnn, fufis. O diálogo foi mais ou menos assim, mas não consegui transmitir a mesma elegância. Ou seja, já deu pra entender a merda de tudo. O diretor filma eles como se fossem aspirantes a John Lennon, como se tivessem um lado Freudiano onde suas indagações transbordassem por suas peles. É quase como se ele usasse patins para filma-los, e por certas vezes, confundisse a câmera com um violino, é tudo muito belo. A grande merda é ele não assumir seu filme simplesmente como um choque visual, mostrar as consequências e pronto, um braço podre, uma mulher espumando, uma garota sendo enrabada pra conseguir a droga, etc. A merda é que ele sugere algo mais, ele endeusa os personagens, e não faz nada pra que essa expectativa seja alcançada. Ah, e tem o negão também, mas desse não quero falar, mas ele tem um lance com a mãe e tal. Hmmm…

E, enfim, a Ellen Burstyn… Chega a ser triste ver o esforço que ela faz pra tornar tudo digno. Aliás, isso é o mais triste do filme. A atuação dela ta fenomenal, é a única que consegue demonstrar a fragilidade e sensibilidade que a personagem exige. Mas a câmera desse sujeito… Ok, ele prefere satirizar a personagem no começo, adotar um tom irônico com aqueles glup glup glup e os cacete, usar uma geladeira e televisão como vilões e tudo mais. Ele é um sujeito engraçado (mais ainda quando não resolve ser). Mas o sujeito não tem noção de quando parar, ou acalmar. Ele transforma a personagem em uma palhaça, não digna de pena, mas de indiferença. A Ellen se fode lá pra sentirmos pena, mas é só indiferença mesmo, ou risos (ok, até tem como sentir pena, mas não da personagem, mas sim da atriz). O cara parece um diretorzinho recém saído da escola de cinema que quer mostrar seu estilo “muderninho” de filmar, e acaba jogando toda as sutiliezas que certas partes exigiam pelo ralo, devido a esse egocentrismo babaca. É um cara que implanta um estilo bobo, que não serve pra porra nenhuma narrativamente, e fica ridiculo visualmente, só pra parecer legalzão. É daqueles filmes perfeitos pra colocar em perfil do orkut. Tudo que se trata com a personagem da Ellen Burstyn é uma muvuca, um troço feio, ruim de assistir. Ele estraga uma personagem ou atuação, sei lá, fantástica, devido a não ter a minima noção do ridículo. O filme parece aquelas festas infantis criadas por uma bagaceira que casa com um velho rico (aquelas com unhas gigantes vermelhas, vestido de oncinha e um sinal que parece um buraco negro no rosto) e agora que tem dinheiro, inventa de fazer tudo sozinha, cheia de palhacinhos e lingua de sogra (e pescaria com brindes). O filme é feio visualmente, e um nada no que se refere mensagem. Simplesmente não existe, é como se filmassem Todo Mundo em Pânico com Mozart no fundo.

Ah, ok, tem uma cena boa: quando as amigas da Ellen Burtyn vão até aquela clinica lá e encontram ela com os cabelos cortados, toda horrível etc, e depois muda pra elas no banco, chorando. A Ellen não fala nada, mas é comovente mesmo, e se esse tom fosse adotado desde o começo… Isso é um choque visual, apenas. Isso que ele devia ter se assumido,mas não…

E não quero terminar elogiando: o filme é uma grande bosta.

0/4
Thiago Duarte
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7 Comentários

Arquivado em Resenhas

7 Respostas para “Réquiem Para Um Sonho (Requiem for a Dream – Darren Aronofsky, 2000)

  1. robertofreire

    Aristóteles é um babaca que excluiu toda a beleza do mundo. De acordo com ele, se eu gosto de algo e você nao, nos tornamos rivais pois existe apenas uma verdade e um de nós tem razao.
    Eu adoro o filme e achei sua opiniao fenomenal. Concordo com ela do começo ao fim, mas essa questao da intensidade que te incomodou tanto, nao teve o mesmo efeito comigo.
    Acredito que o filme como você imaginou ficaria bem interessante também, sem todos esses “erros”. Mas quem se importa? Filmes além de arte, de uma exibiçao da imaginaçao do diretor, tem uma funcao mais importante. Fazer nossa criatividade funcionar. Você criou um filme talvez mais interessante e trágico que o original dentro da sua cabeça e isso sim é legal, digno de aplausos.
    Essa é a funcao principal da crítica, e seria bom ler mais resenhas como essa de vez em quando. Tirar as coisas idolatradas de seu pedestal nos coloca novamente no papel de criadores, sacrificando nem que seja só por um momento esse maldito estado de espírito que a humanidade sismou em abraçar com tanto vigor, o espectador.

  2. Joane

    Aaaa falooo merda esse filme é muito bom vai se ferrááááá´´a

  3. Thiago Duarte

    vai chupar uma piça, sua rampeira.

  4. Cara, não vi esses filme ainda… Fiquei curioso… Mas eu gosto do Pi, então… Sei lá só asistindo mesmo…

  5. Irvy K.

    nossa, tirando “um dos irmãos wayans”, eu achei o filme MUITO bom….vai entender.

  6. Regina

    O filme é um pesadelo como obra cinematográfica. Maestro, um réquiem por favor
    Palavrinha mágica para o meu enjôo desaparecer, depois de perder tempo na frente da tela ?
    Trainspotting.

  7. Jojo

    São opiniões…
    eu amei o filme :)

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