Marte Ataca! (Mars Attacks! – Tim Burton, 1996)

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Não fosse o momento do ataque marciano, em que o diretor libera os genocídios em massa, caindo no pastelão – algo que, não me perguntem por quê, faz-me desgostar de filmes (golpe duro aconteceu com A Regra do Jogo, do Renoir, nesse estilo, mas aí é outra análise) -, Marte Ataca! lideraria, ao lado de Peixe Grande e A Fantástica Fábrica o meu top de filmes do Burton. Bem, o que eu realmente gostei foi das várias personagens inseridas, com estereótipos – sim -, mas valorizadas e acidamente mexidas com o passar da invasão alienígena. Quando o Burton brinca – como se fosse os próprios marcianos – no discurso que o presidente faz, implorando aos atacantes que cessem, ele atingiu o auge do filme (e não podia ser outro a acompanhá-lo, senão Nicholson): uma espécie de recolocação à Guerra Fria (vamos dominar o mundo, aliados, e a bandeira sendo hasteada em um novo planeta – aqui, a marciana). Tem mais: os filhos do boxeador que conseguem salvar a Casa Branca por uns tempos, através do conhecimento tecnológico do videogame é uma boa resposta àqueles que criticavam a invasão dos games no mercado infantil (em contra-mão, toda a aula de história é desvalorizada naquele momento); o Michael J. Fox fora do curso “daquela” trilogia mostrando uma mídia totalmente regida pelo governo – quiçá perdida -; a personagem da Annette Bening é uma maravilha no tom cômico, enquanto foge do recurso alcóolico para uma religião cósmica (O Segredo, alguém? ). Mas, acima de tudo, na reação inicial aos marcianos, mostrando a fragilidade ao novo, a uma manipulação, bem como o imperialismo marciano pode ser visto como o próprio americano – e, nós, os derrotados, “auxiliamos” nesse processo, portanto – ou a babaquice presidencial e científica ser a própria raiz americana, enfim.

Marte Ataca! não me fez lá rir horrores, todavia, essa é uma coisa às vezes boa em comédias irônicas (Doutor Fantástico está aí para provar) para mim, pois mostra inteligência, que não precisa ser “sutil”, e ainda está descoberta (ou encoberta pela alienação dos nossos tempos).

3/4

Cassius Abreu

 Ou:  Marte Ataca! (Tim Burton, 1996) – Adney Silva.

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