Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009)

Sinceramente, nunca pensei que fosse tão difícil falar de um filme, ainda mais um filme como esse. Pode ser por eu ser fã assumido da série (embora reconheça que ela produziu alguns filmes PÉSSIMOS), não sei… O fato é que eu ainda não sei dizer com propriedade se gostei ou não. Claro, há ressalvas como em qualquer filme, mas fazia tempo que os aspectos positivos não eram tão contrabalançados com os aspectos negativos.

Talvez o maior problema aqui é que há uma dezena de idéias bacanas mas todas a serviço de um “MTV-way-of-cinema” que em nada se comunica com a essência de Sexta-Feira 13. Enquanto os filmes antigos conseguiam gerar um clima sufocante de terror com parcos recursos, Nispel com toda à tecnologia à sua disposição não consegue o mesmo. Pior, emprega todos os vícios já mostrados em Massacre da Serra Elétrica aqui. E dá-lhe câmera tremida, cortes mais rápidos que a machete do Jason, enfim, tudo dentro da cartilha “michal-bay-stupid-way-to-make-movies”. E o que dizer daquela trilha sonora invasiva? Pq não remeter ao Bernard Hermann como fez o Manfredini nos filmes antigos e ao icônico “ki ki ki, ma ma ma”?

Até o sexo, com todo respeito aos fãs tarados, é uma bosta. O cara bota a câmera não como se fosse um voyeur, como nos filmes antigos… Não, a câmera é intrusiva como se fosse um pênis abusado tentando entrar onde não foi chamado. Pra quê focar os peitos da mina por baixo? Será possível que o diretor precisa reafirmar que ela tem huge boobies mesmo depois de termos visto as tetas balançando em vários outros takes mais “tradicionais”? Não tem nada mais broxante que um filme que tem o sexo como uma de suas válvulas propulsoras se comportar de forma incrivelmente cool como na cena supra mencionada ou de forma pudica como na cena da barraca onde Nispel mete uma iluminação so-so para que não se veja a perseguida da peladona, mas libera coisas como “não vou dar nada pra você”. Pra quê a cena de sexo então? Nos filmes antigos (especialmente no primeiro filme), a câmera vai com calma, sem pressa, se era pra mostrar, mostrava tudo, como na Parte 9, essa sim com a cena de sexo mais pornográfica de toda a série; se não era pra mostrar, contentava-se em gerar um momento que pudesse excitar a platéia de qualquer forma. Nem há que se falar das mortes, que sofrem com a edição cortante e com a fotografia escura, isso quando a morte não é totalmente idiota como a da Bree (onde nem edição, nem fotografia dariam um jeito). Cadê o gore? Isso aqui não é slasher. O verdadeiro slasher obriga você a contemplar o sangue, a morte da pessoa, a sentir asco daquilo que você está vendo e não dá pra virar o rosto pq a cena é longa demais. Kevin Bacon que o diga em sua cena de morte no primeiro filme que dura 15-20 segundos e é a coisa mais torturante de se assistir em matéria de Sexta-Feira 13.

Mas nem tudo são pedras. Jason em cinemascope é sempre bom de ver (lembrando que a última vez que isso ocorreu foi em 1982). Nispel foi esperto o bastante por manter a mitologia (o que não significa manter a essência cinematográfica, bem entendido), principalmente no que se refere à mãe… Aliás, a cena em que aparece é a melhor do filme inteiro, mas mesmo aqui o Nispel caga e senta em cima fazendo da assustadora Pamela Voorhees uma mulher que perde a cabeça por ser tão tagarela. Mesmo assim a cena curta resume de forma brilhante o sufoco do primeiro filme: chuva, escuridão total e a sobrevivente correndo de uma mulher de meia idade completamente maluca. Também gostei do Jason rapidão, estrategista. Vale frisar a expressão corporal do ator, na cena em que ele “se encontra” com a sua marca registrada. Ali é um dos poucos momentos inspirados que me deram um fiapo de esperança em relação ao Nispel…

Enfim, o filme caminhou de 1/4 pra 2/4 várias vezes hoje durante o dia e enquanto estava escrevendo isto… Não sei como vai ficar. De qualquer forma, é inferior aos filmes 2 e 3, nem se compara com o insuperável primeiro, mas pelo menos é melhor que as Partes 5 e 8, de longe as piores.

1/4

Daniel Costa

ou: Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009) – Rodrigo Jordão – 2/4

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2 Comentários

Arquivado em Resenhas

2 Respostas para “Sexta-Feira 13 (Marcus Nispel, 2009)

  1. Não tenho nem um pouco de vontade em assistir.

  2. Rodrigo Jordão

    Sergio, vc gosta da cinessérie ou não?

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