– Prazer, Oscar.

Todos já ouviram falar do Oscar. Mesmo aqueles que nunca viram qualquer cerimônia de premiação sabem que se trata de uma festa cuja temática é o cinema, na qual – em tese – são premiados os filmes melhor qualificados em diversas categorias. A fama do Oscar é tão grande que se espraiou para outras atividades da mídia de entretenimento norte-americana, de tal forma que por essas bandas o Grammy é o “Oscar da música”, o Tony é chamado de o “Oscar do teatro” e assim sucessivamente.

O Oscar é entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, sediada em Beverly Hills e composta por aproximadamente 6.000 membros, profissionais ativos e inativos da indústria do cinema: atores, diretores, figurinistas, editores, roteiristas, músicos. Todos eles têm a obrigação de, uma vez ao ano, escolher os melhores entre as centenas de filmes que são lançados comercialmente nos cinemas dos Estados Unidos da América (ou, no caso dos “Filmes em Língua Estrangeira”, entre os que são nomeados pelos seus respectivos países de origem).

Esta é a teoria; a prática é outra, radicalmente diferente. Muito mais do que uma premiação dos melhores do cinema, o Oscar se constitui num espelho que mostra as tendências da mais forte mídia de entretenimento do mundo. Os filmes com maior qualidade artística quase sempre são preteridos em prol daqueles que têm na retaguarda estúdios poderosos, com estratégias de marketing bem mais agressivas. Em muitos casos os próprios atores e diretores fazem campanhas pelas suas candidaturas, praticamente transformando a festa numa eleição ou, o que é pior, num concurso de popularidade. Todo esse horror atinge seu ápice em fevereiro, quando os prêmios são entregues em uma cerimônia pra lá de brega, longa, cansativa e repleta de piadas sem graça.

Por estas e outras razões é que os melhores – se é que é possível, de fato, traçar tais comparações – raramente vencem. A grande maioria sequer é conhecida pela Academia, até porque ninguém tem tempo para ver as centenas de filmes que são lançados comercialmente todos os anos. Por isso é que os estúdios selecionam os filmes que querem ver indicados e promovem sessões privadas – chamadas screeners – para que os membros da Acadamia possam assisti-los. Só serão lembrados aqueles que os executivos realmente quiserem. Foi assim que um filme obscuro como The Reader – bancado pela Weinstein Company, empresa formada por gente que se especializou em produzir e divulgar filmes cujo maior propósito, às vezes o único, é exatamente aparecer no Oscar – entrou na briga na categoria mais importante, a de Melhor Filme, desbancando candidatos mais populares como Wall-E e O Cavaleiro das Trevas.

Se o Oscar é esse lixo todo, nós nem deveríamos nos dar ao trabalho de assisti-lo e muito menos de comentá-lo, certo? Nem tanto. Se não podemos esperar justiça do Oscar, ao menos ele serve para mostrar a cara de Hollywood em seu momento atual e quais os caminhos que ela trilhará no futuro próximo. Mais gostoso ainda, o Oscar é prato cheio para um dos maiores esportes da humanidade, falar – bem ou mal, não importa – de quem é rico e famoso, de quem se deu bem e quem se deu mal. Na manhã seguinte à noite da cerimônia, que tem lugar no domingo, dia 22 de fevereiro, assunto é o que não vai faltar.

Amílcar Figueiredo

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