Museu de Cera (Andre de Toth, 1953)

É curioso como o cinema de horror dos anos 50/60, apesar de ser claramente definido como B, reserva incontáveis supresas. Esse filme, que é uma refilmagem de “Os Crimes do Museu”, de 1933 (com o Oscarizado Michael Curtiz na direção) é um claro exemplo.

Além de conter a primeira atuação de Charles Bronson em frente as câmeras (sem dizer uma palavra, mas mostrando a que veio) e de ter o mestre Vincent Price (em um dos seus primeiros trabalhos no cinema de horror) com sua imponente presença, o filme, em seus pouco mais de 80 minutos, traz um conto de horror bem contado e redondo em sua direção, além de trazer uma direção de arte e cenografia de dar inveja a muitos filmes mais abastados (a casa do escultor, em especial, é um deleite para os olhos, por conta das esculturas de cera).

Vale lembrar, como curiosidade, que House of Wax também é conhecido por sua técnica inovadora na época: o cinema 3D. Em determinado momento do filme, uma sequência em especial foi filmada de forma proposital para enfatizar os efeitos tridimensionais, onde um homem faz diversos malabarismos com uma bola amarrada por um fio em uma raquete, em frente ao museu de cera para chamar a atenção do público em conferir o espetáculo. Ele faz uma série de movimentos com a bola e raquete dando a impressão de acertar as pessoas que estão assistindo o filme sentadas nas poltronas do cinema.

Tudo isso é contado a maneira habitual dos filmes de terror dessa época (aposta do terror e suspense constante, em detrimento a tendências mais gore; uso intensivo da trilha sonora – em especial o teremim – para enfatizar o clima de terror; alguns maneirismos de câmera típicos do expressionismo – mesmo se tratando de um filme colorido), resultando num filem que, se não é a oitava maravilha do mundo, se torna interessante de se assistir, por mostrar como uma mente inteligente e até certo ponto brilhante pode-se se tornar louca e vingativa por conta de eventos trágicos e, especialmente, por termos a lenda Vincent Price mostrando todo o seu talento.

O que, infelizmente, não se pode ser dito sobre a refilmagem que fizeram 50 anos depois. Por que insistem em estragar os clássicos??

3/4

Adney Silva

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4 Comentários

Arquivado em Resenhas

4 Respostas para “Museu de Cera (Andre de Toth, 1953)

  1. Nossa… uma refilmagem com Paris Hilton realmente não prometia muita coisa, a não ser virar um péssimo filme, e infelizmente, foi o que aconteceu.

  2. Verdade.

    O pior é que, depois de ter visto essa refilmagem ( e mais alguns filmes da chamada era de ouro do cinema de terror), cada vez mais eu faço a pergutna no final da resenha…

  3. Luis Henrique Boaventura

    Não vi nenhum dos dois, mas pelo conceito, não concordo com a pergunta final. Não acho que um remake vá “estragar” o filme original, nunca.

  4. Djonata

    verdade. por mais que se cague, o original sempre será o original e estará lá, pronto para ser visto.

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