Schock (Shock – Mario Bava, 1977)

Mommy, i have to kill you.

Arquitetura do medo em estado puro. Estão ali, todos os insights, todos os conceitos, toda a matéria-prima pra se um dia você resolver fazer um filme com uma atmosfera insuportável e manter o espectador na palma da sua mão, já saber por onde começar. É impressionante como nada foge ao controle do mestre, como todas as decisões tomadas em todos os momentos certos podem levar uma historieta imbecil ao status de obra de arte do horror italiano.

Em Schock, Mario Bava não apenas pratica a fina arte da sugestão como corresponde à cada insinuação oferecendo algo muito maior do que parecia inicialmente. Ele gasta em torno de uma hora preparando terreno, brincando, jogando com o público, provocando sua sede além do limite só pra em seguida afogá-lo numa imersão climática que não oferece nem permite uma fuga. Os últimos dez minutos, principalmente, são poderosíssimos, além do climão surreal onipresente e reforçado por uma seqüência mais criativa que a outra naquele que talvez seja o filme mais inventivo do cara, considerando a crueza do ambiente e do próprio potencial que a trama oferecia.

Schock é o filme de despedida de Mario Bava numa carreira que nasceu tarde e sequer completou o 20º aniversário, deixando, afinal, a impressão de que talvez não precisasse. A herança e a influência de Bava ainda estão para ser devidamente atestadas, assim como seu talento pra manipulação (que é bem dizendo a habilidade básica do cineasta) e sua estranha capacidade pra amplificar-se ilimitadamente. Foi absoluto como artesão das cores e dos movimentos, no despudor pra torcer e desfigurar a narrativa, pra construir atmosferas que sustentavam-se sozinhas, para encerrar sua trajetória exatamente da maneira que merecia. Porque Schock é obra-prima-ponto-final.

4/4

Luis Henrique Boaventura

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9 Comentários

Arquivado em Comentários

9 Respostas para “Schock (Shock – Mario Bava, 1977)

  1. Caio Lucas

    Luis, que tal um top 10 “filmes pra macho”?

  2. Eu estava em débito com o Multiplot dos snapshots. E como postaram algo um pouco sonsinho eu preferi uma extravagância. E de Francis Ford Coppola.

    No blog.

  3. Nossa… nunca ouvi falar em Mario Bava antes, será que é uma heresia?

    Vou atrás desse Shock aí, fiquei curioso!

  4. Luis Henrique Boaventura

    Valeu Caio, coloquei a idéia pra equipe.

    Faéu, o que de “sonsinho” que nós postamos? :B

    E Shaun, considerando a natureza do seu blog (ao menos pelo título), talvez sim, hehe. Mas não faz muito que começaram a aparecer as primeiras legendas em pt pra filmes do Bava e tal, eu mesmo só passei a conhecer de 6 meses pra cá. Veja sim, e não sei se você curte os slashers (vi uma menção ao remake de Sexta-Feira 13 no topo do teu blog), mas o Bava meio que premonizou o gênero em 71 com Banho de Sangue [/referências = on], além de ser influência declarada de Scorsa, Burton, Lynch, etc. De qualquer forma, é meu diretor favorito no momento.

  5. Os snapshots de Minority Report essa semana. A coisa mais +/- de toda a boa série que está sendo feita.

  6. Caramba, estou com dificuldades para encontrar o filme, mas anotei aqui como um must see.

    Se ele influenciou esses caras realmente deve ser bom. Vou tentar procurar melhor. Tenho que me livrar dessa heresia, hehehe!

    Abraço!

  7. não rola deixar link para baixar o filme?

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