Everest (David Breashears/Stephen Judson/Greg MacGillivray, 1998)

Um pouquinho de história: em 29 de maio de 1953, o neozelandês Edmund Hillary, acompanhado do sherpa Tenzing Norgay, chegou ao topo da montanha mais alta do mundo, o Monte Everest. De lá pra cá, muitos viriam a repetir esse feito e outras centenas viriam a morrer, vítimas de avalanches, tempestades, edemas, hipoxia, quedas em fendas e outras tantas fatalidades que um lugar inóspito como esse pode oferecer. A pergunta que fica é a seguinte: se o lugar é perigoso pra caralho, porquê diabos tem tanta gente indo pra lá se arriscar (e pra mim, ainda fica mais uma pergunta: porquê diabos acho tudo isso tão legal?)?

Em busca de uma resposta pra essa pergunta, David Breashers pegou carona na expedição liderada por Ed Viesturs, em 1996, e, levando todo o equipamento necessário para uma filmagem IMAX (equipamento que foi carregado por três sherpas montanha acima), se mandou acompanhado, ainda, por Araceli Segarra (alpinista espanhola que, nessa expedição, tentava se tornar a primeira espanhola a pôr os pés no ponto mais alto do planeta) e por Jamling Tenzing Norgay, filho do sherpa Tenzing Norgay, que chegou ao topo ao lado de Sir Edmund Hillary.

Puta que pariu, como eu gostaria de ter visto esse documentário em formato IMAX. Cada imagem é um espetáculo visual, cada depoimento da equipe é revelador e confuso ao mesmo tempo. Tudo acompanhado da narração distante de Liam Neeson que parece se surpreender com o que está vendo, também.

Um ponto especial nesse documentário é o registro do maior desastre ocorrido no Everest. No dia 10 de maio de 1996, as equipes dos experientes Rob Hall e Scott Fischer foram pegas por uma tempestade no topo do Everest. Não entrarei em detalhes maiores (embora a história seja fascinante)… quem tiver interesse, os livros “No Ar Rarefeito”, de Jon Krakauer, e “A Escalada”, de Anatoli Boukreev, contam tudo em minúcias. Mas é simplesmente tocante ouvir os comentário de David Breashers sobre a morte de seu amigo Rob Hall, que acabara ficando isolado e preso no meio da neve.

Ao final, mesmo que a equipe de Viesturs tenha tido melhor sorte do que Hall e Fischer, conseguindo atingir o cume da montanha, a pergunta lá de cima ainda resta. Pra que diabos subir a montanha? Parece que a única resposta decente continua sendo a de Andrew Irvine (que ao lado de George Mallory, tentou realizar a primeira ascensão ao Everest, em 1924) que, quando questionado por um jornalista sobre o porquê de tentar subir a montanha, respondeu “porque ela está lá”.

3/4

Murilo Lopes de Oliveira

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