O Dia em Que a Terra Parou (Scott Derrickson, 2008)

Ao contrário de muita gente, não sou contra os remakes. Inclusive várias pessoas que são completamente contra esquecem de alguns fatos. Primeiro, que os remakes já acontecem desde que Hollywood é Hollywood. Inclusive, vários diretores já fizeram remakes de seus próprios filmes (Alfred Hitchcock e Cecil B. DeMille, só para ficar em dois exemplos). Segundo, que não é via de regra que o remake não será tão bom quanto o original (Como exemplos, “Nosferatu”, de Herzog, e “O Homem Que Sabia Demais”, do Hitchcock). Muito desse sentimento de repulsa em relação aos remakes, especialmente se o material original é considerado clássico, é o fato de que “na comparação, o remake sempre sairá perdendo”. E exemplos disso não faltam. Infelizmente, “O Dia em Que a Terra Parou”, refilmagem do filme de Robert Wise, é mais um deles.

Um ds grandes méritos do longa original é justamente o tom sombrio, pendendo para o suspense, que nos faz perguntar até, em certos momentos, se Klaatu realmente está impelido em salvar a Terra, além de ter um gosto um tanto quanto amargo (mas bastante adequado) ao fim do filme. Mas nesse filme, tudo isso é trocado pela ação digna de um filme catástrofe, diluindo todo o clima de suspense (que até aparece na primeira meia-hora do longa). UIsso acaba se agravando na sua última meia0hora, quando o longa abandona a conclusão interessante do original e parte para uma solução muito mais cômoda e fácil, destruindo todo o discurso de alerta produzido na sua metade inicial.

Por mais incrível que isso possa parecer, uma das poucas coisas boas é justamente Keanu Reeves. Fiquem calmos: não estou dizendo que ele se tornou um bom ator de uma hora para outra. Mas a “falta de emoção” de Klaatu acabou caindo como uma luva para a inexpressividade do ator. Por outro lado, Jennifer Connelly, apesar de ser uma das coisas mais belas criadas pela natureza, acaba tendo sua atuação prejudicada pela composição de seu personagem. Mas o maior desastre do filme atende pelo nome de Jaden Smith (filho de Will Smith). O que seria um dos elos de ligação entre o alienígena e a humanidade se transforma em um personagem extremamente chato e concebido apenas para inserir um conflito familiar extremamente desnecessário ao filme. John Cleese é o único que se salva do desastre completo, mas como a sua participação é bastante reduzida, não é o suficiente para tirar o filme do desastre.

O que poderia ser um longa extremamente oportuno e de acordo com a situação mundial (visto que ainda brincamos de “Quem destrói o seu semelhante mais rápido?”) acaba se tornando um desperdício de tempo e dinheiro. O que, curiosamente, me força a transcrever a mesma frase da minha resenha anterior, mas por outros motivos: prova de que nós, apesar de nos considerarmos “seres racionais”, não conseguimos aprender com os nossos próprios erros.

1/4

Adney Silva

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1 comentário

Arquivado em Resenhas

Uma resposta para “O Dia em Que a Terra Parou (Scott Derrickson, 2008)

  1. Victor Ramos

    Filme ruim. Assistí essa merda no cinema.

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