Herói (Zhang Yimou, 2002)

Um balé pros sentidos, cirurgicamente coreografado e apaixonadamente filmado. Olímpico, solene e deslumbrante. A própria estrutura e o modo como Herói flui sugerem a execução de um ritual, uma celebração dos sentimentos mais primitivos e tão saturados com os quais o homem vem tendo contato desde sempre. Uma encenação pura das emoções. A paixão, o amor, a compreensão, a vaidade e a paz. E é acima de tudo um canto de socorro.

Porque Herói pede um abraço, pede que esqueçamos de onde viemos ou quem somos para mergulharmos de olhos, ouvidos e coração abertos neste sonho filmado de Zhang Yimou, um universo ancestral onde os valores mais simples do mundo podem enfim voltar a ter sentido, onde uma declaração de amor é livre para ser dita sem este filtro aborrecido que nos faz enxergar pieguice em tudo.

Por isso mesmo, é mais que natural que Yimou entoe seu hino de paz de uma conexão direta com a imaginação e a fantasia, onde preocupar-se com detalhes tão elementares como leis da física diante da eloqüência visual e sonora dos sentimentos sendo materializados na tela é simplesmente burrice. Onde abdicar de si por algo maior soa tão ridículo e faz tão parte de um sonho quanto chineses voando por aí.

Herói exige entrega suicida, exige que você abra os braços e se lance em queda livre por um mundo impossível que, se chegou realmente a existir, foi por um momento, nos lábios de alguém que disse “eu morreria por você” de um jeito assim cheio de verdade.

4/4

Luis Henrique Boaventura

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4 Comentários

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4 Respostas para “Herói (Zhang Yimou, 2002)

  1. Obra-prima e um dos meus favoritos de sempre. A cena da morte no bosque, quando tudo se torna vermelho, é uma das mais belas cenas do cinema. Yimou é essencial na minha filmografia, mesmo que os outros filmes dele, sempre belíssimos, não tenham toda a densidade poética dessa obra.

  2. Caio Lucas

    Um épico realmente grande, mas ainda prefiro (muito mais) “O Clã das Adagas Voadoras”. Até o novo, “A Maldição da Flor Dourada”, eu achei sensacional. “Herói” tem um dos maiores elencos de todos os tempos!

  3. Todos ótimos. Mas os significados de “Herói” ultrapassam em muito qualquer outro filme de Yimou – o que ele fez usando signos, ícones e semiologia nesse filme é absurdo, dá uma dissertação de mestrado…

  4. Leonardo Cruz

    Herói é muito melhor que o Clã das adagas voadoras, mandou bem na crítica.

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