Gomorra (Matteo Garrone, 2008)

“A Camorra é o único fenômeno mafioso proveniente de um meio urbano. Seu lugar de nascimento é Nápoles, Itália; a data, em torno do início do século XIX. A Camorra controla de perto o território, e é muito integrada ao tecido social, sobretudo junto às camadas mais pobres. Imagina-se que conte atualmente com cerca de 110 famílias operacionais e cerca de 7000 afiliados. As atividades da Camorra são incontáveis, da agiotagem à extorsão, do contrabando de cigarros ao tráfico de drogas, da importação irregular de carne à fraude à União Europeia. Sem esquecer os dois sectores “tradicionais” de monopólio: o do jogo clandestino e o de produção de cimento na região da Campania.”

Fonte – Wikipedia

Vários filmes sobre a máfia (especialmente a Italiana ou de descendentes de italianos) já foram feitos. A grande maioria deles se valia, entre outras coisas, de uma estética mais apurada, de grandes astros (se não eram na época, se tornaram) e, sobretudo, de todos os subterfúgiso oferecidos pelo cinema (trilha sonora, fotografia, etc.) para tornar a experiência a mais cinematográfica possível. Já “Gomorra”, a mais nova empreitada do cinema na máfia italiana (desta vez abordando a Camorra, a máfia napolitana), segue o caminho totalmente inverso.

Se existe uma palavra para definir o filme é crueza. O filme tem um ritmo bem compassado, não se utiliza de uma edição frenética, nem ao menos faz uso de uma trilha sonora. Isso tudo, somado as imagens sem concessões e quase que documentais que se sucedem na tela, faz com que a experiência de assistir as 2 horas e 15 minutos seja impáctante, tamanho o realismo que aquelas cenas imprimem na sua retina (e, a partir daí, são transportadas para o seu cérebro). Diferente de “Cidade de Deus” (com quem o filme tem sido constantemente comparado), aqui a experiência é mais visceral, sem ficar nenhuma sensação efêmera (coisa de que Cidade de Deus sofre um pouco), sem que seja passada uma sensação planfetária e, por que não dizer, plastificada pelo excesso de produção (outro pequeno mal de Cidade de Deus).

Se houve influência de Fernando Meireles em Matteo Garrone (diretor do filme), não sabemos. Mas, no final das contas, “Gomorra” acaba tendo mais relevância do que o seu semelhante brasileiro.

3/4

Adney Silva

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3 Comentários

Arquivado em Comentários

3 Respostas para “Gomorra (Matteo Garrone, 2008)

  1. Se aproxima de uma obra-prima. Definitivamente entre os melhores trabalhos do ano e será minha torcida fiel na categoria de melhor filme estrangeiro. Ainda que eu ache Cidade de Deus, outra obra-prima brasileira, superior, Gomorra é um filme único. Garrone não se preocupa em interligar as histórias como em filmes do tipo. Ele apenas faz um panorama completo da atual situação da máfia napolitana, e conta com um aspecto quase que documental (lembrei muito em alguns momentos de Z, de Costa Gravas) e diria até neo-realista.

    Abraço! Feliz Natal a todos do Multiplot!

  2. Eu achei justamente o contrário, Silva. Faltou impacto e achei a edição bem comprometedora e algumas das histórias excessivamente chatas.
    Gomorra não funcionou MESMO comigo. Caso tenha curiosidade, fiz um comentário melhor no meu blog.

    []s! E feliz natal a todos.

  3. atila alves

    olha só… eu particularmente não achei taaaaanto assim desse filme..olha só.. eu esperava muuuuito mais dele… historias chatas e monotomas..não gostei prefiri mil vezes CIDADE DE DEUS.!! sem comparação..!

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