Soi Cowboy (Thomas Clay, 2008)

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Esse filme é extremamente confuso. Investe uma hora e meia num tom ultra-realista em P&B, mostrando a total incomunicabilidade de um casal que vive na Tailândia (ele, estrangeiro; ela, local, retirada por ele da vida de meretriz na cidade que dá título ao filme. Até aí, nenhuma obra-prima, mas também nenhum grande desastre, exceto quando o diretor cisma em fazer tomadas inexplicáveis e que destoam totalmente da trama (como um longo close de uma torradeira e uma tomada angustiante de cinco minutos de uma velhinha se locomovendo com um andador!!!). Ainda assim, o clima de angústia e de “acompanhamento em tempo real” da trama estava sendo mantido.

Entretanto, o diretor resolve mudar tudo no filme na última meia hora, deixando o telespectador totalmente desnorteado: o filme passa a ser colorido, o tom realista some completamente, e a trama apresentada não têm nada a ver com a hora e meia inicial, e os dois personagens principais daquela hora e meia inicial aparecem totalmente mudados, a ponto de não sabermos se são realmente aqueles personagens.

Talvez o diretor tenha uma explicação fabulosa para o significado desse trecho (assim como das tomadas WTF do filme). Só que, sinceramente, nem eu e muito menos as pessoas que o assistiram na sessão de hoje captaram. Será que o problema está com a gente??

1/4

Adney Silva

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