Mas pra que eu vou discutir cinema, diabos?

Pra que serve, afinal? Pensa assim: você assiste a um filme, acha ele fantástico, e em seguida, conversa com um amigo seu que é versado no assunto (assim como você se considera), alguém com quem você sempre troca idéias sobre filmes, etc.

Então, você comenta com ele que adorou esse filme, mas, pra sua surpresa, ele detestou, e te elenca “n” motivos pra embasar a opinião dele. Aí eu te pergunto: você vai deixar de amar o filme se caso constatar que seu amigo tem “razão”? Digo “razão” – entre aspas – pois o cinema, como todos sabemos, é uma arte, o que o enquadra na família das coisas subjetivas. Mas ok, ele tem razão, e você não consegue contra-argumentar o que ele disse, até porque ele está absolutamente certo no que disse, você consegue visualizar na obra tudo o que ele falou. E aí? Você vai deixar de gostar do filme por causa disso?

Acredito que não, pois o que aconteceu foi envolvimento sentimental. Por mais que seu amigo tenha razões lógicas pra questionar o filme, e você visualize todos os tais defeitos na obra… ao final do filme você adorou tudo o que viu, mesmo que com ressalvas.

Então, eu reitero: pra que discutir sobre cinema? “Pra trocar pontos de vista” você vai me dizer. Mas e daí? Mesmo que os pontos do seu amigo lhe pareçam sedutores o suficiente pra você odiar o filme, você, certamente, não terá como apertar um botão e odiá-lo a partir de então. Como fica essa questão pra vocês?

Djonata Ramos

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15 Comentários

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15 Respostas para “Mas pra que eu vou discutir cinema, diabos?

  1. Podemos conhecer mais sobre o próprio cinema, mesmo que sejam opiniões negativas ou positivas sobre determinado filme.. se eu gostei desse filme e meu amigo não trocamos opiniões diferentes.. como vc disse nenhum dos dois vai mudar de opinião, mas os dois conhecem outras diferentes das suas próprias e isso eh importante para saber cada vez mais sobre o cinema.. sei lah.. acho q eh isso hehehhe

    vlws

  2. Eu conheço pessoas que mudam de opinião ao ouvirem as opiniões alheias. Acho isso lamentável. Eu adoro muito filme massacrado, e odeio muito filme amado. Acho que é isso mesmo… a subjetividade está aí para criar as controvérsias.

    Mas não acho que então o cinema deva deixar de ser discutido. Assim como qualquer outra forma de arte, deve ser bem apreciado. Quando assisto à um bom filme, gosto de compartilhá-lo com outras pessoas. Seja a minha opinião positiva ou negativa, gosto de comentar, argumentar e opinar sobre a obra recém assistida…

    Bom, deixa eu parar por aqui antes que isso vire um post! rsrs

  3. Luis Henrique Boaventura

    Não acho que “discutir cinema” pressuponha necessariamente mudar de opinião. Reavaliar, talvez, no máximo. A estrutura de debate que se encontra em fóruns estabelecendo lados opostos com pessoas procurando ‘vencer’ ao sabotar a argumentação do outro eu levo bem mais na farra do que qualquer outra coisa. E mesmo assim, ninguém é obrigado a mudar se não quiser.

    ‘Compreender’ os porquês do outro ter achado seu filme favorito uma bosta e ‘amar’ este filme estão em esferas diferentes, e o normal mesmo é que o racional não invada o campo sensorial, mas pode acontecer, claro.

    A questão é que, no meu caso por exemplo, há poucos filmes que eu realmente ame e que qualquer argumentação dificilmente faça alguma diferença. Da imensa maioria dos outros eu não tenho o menor receio de mudar de um extremo a outro. Aliás, quando isso acontece, geralmente a mudança extravasa os limites do filme pelo filme e atinge em cheio outras amplitudes, como toda a visão de cinema do sujeito. Foi o que ocorreu quando passei de ‘amar’ a achar uma bosta Dogville, do Von Trier. Mas aí já é outra história… Não partiu de nenhuma argumentação, mas do encontro com outros filmes e outros cinemas.

    Enfim, discutir é válido por normalmente amplificar nossa visão do tema discutido (o que pode significa mudança. Ou não), independente de valores de ‘certo’ e ‘errado’ (apesar de que às vezes usá-los é mais prático mesmo…).

  4. O pessoal acha besteira, mas eu adoro usar a história da batata doce. Eu odeio, e você pode adorar. Vai mudar meu paladar você elencar “n” motivos de porquê batata doce é saudável ou gostosa?

    Sou fascinado por filmes que ninguém dá muita bola. Adoro “Ruas de Fogo”, já assisti mais de uma dezena de vezes, assim como outros filmes elencados como medianos para baixo por muita gente por razões técnicas e muito bem fundamentadas. Nada disso muda. Podem afirmar em alto e bom tom do porque “A Ponte do Rio Kwai” ser melhor do que “Doutor Jivago”, e eu vou defender o segundo porque foi o filme do Lean que mais me envolveu e me marcou, e o meu preferido. Posso até apontar, em uma crítica, os pontos negativos, mas vou ressaltar o porque eu gostei e defender essa tese. Acho isso normal. Se olhar meu blog, verá que dei 3 estrelinhas generosas a “Escritores da Liberdade”, filme massacrado por boa parte da crítica. Por que? Fundamentei as razões disso além da parte técnica.

    Um grande amigo detestou Um Sonho de Liberdade quando assistiu. Aliás, nem terminou de ver. É o tipo de cara que não suporta ver clássicos e não olha filme preto e branco porque é… velho ( pasmem ). Mas o exemplo é recente. Quando viu pela segunda vez, forçado, com a namorada, me comentou que não entendeu porque não gostou da primeira vez, se achou o filme fantástico da segunda. Vai do estado de espírito também, mas ai já falo da apreciação sentimental que você mencionou, e não técnica. E acho que cinema não se avalia só pela técnica ou razões mais profundas de uma fala ou uma cena, mas pelo que ele provoca.
    O cinema se tornou popular divertindo as pessoas, e evoluiu como arte em diversas vertentes ao longo do século. Acho que cabem os dois no mesmo barco. Você assiste o que quiser de acordo com seu estado de espírito e gosta do que nem você mesmo tem como explicar. Isso é coração, e cinema é coração.
    E seria um saco se todos gostassem dos mesmos filmes…

  5. Luis Henrique Boaventura

    Aquela coisa de listas de melhores filmes, compostas por 753 críticos de tantos países e não sei o que… Pra mim top de todo mundo é top de ninguém. Não sei bem como funciona, se os caras precisam nivelar critérios ou vai cada um na sua, mas de qualquer forma ou vira uma salada ou uma lista mecânica. Qualquer lista de uma pessoa que eu encontre na internet tem mais crédito que tops construídos por revistas ou em pesquisas.

    Aí entra também aquela velha questão dos “melhores filmes” x “filmes favoritos”. Não sei vocês, mas os meus filmes favoritos são, estranhamente, os melhores filmes do mundo.

  6. Djonata

    Esse é o espírito….

    Esse tipo de top que o Luís citou, eu gosto mais pela curiosidade mesmo, nada a sério.

    Não vejo como problema o cara mudar de idéia sobre determinados filmes, isso deveria ser encarado como uma qualidade. Claro, não que o cara vá mudar sua concepção sobre dado filme a cada crítica positiva ou negativa.

    Acho que nós devemos mudar de opinião, ou, ao menos, aprimorá-la. Até porque vivemos em constante evolução (ou não haha) e, teoricamente, tendemos a visualizar as coisas de outros ângulos, o que pode ocasionar tais mudanças.

  7. Djonata

    e, claro, os meus filmes é que são os melhores de todos os tempos :B

  8. Daniel Dalpizzolo

    Eu discordo de vocês. Acredito que só existam duas espécies de filmes: os bons e os ruins. Eu e as pessoas de clareza intelectual só gostamos dos bons. Os outros freqüentemente se enganam.

  9. Murilo

    Normalmente não tenho muita paciência para discutir sobre um filme. Acho um saco ouvir/ler uma pessoa tentando quebrar meus argumentos, como se isso fosse me fazer mudar toda a minha visão ou, pior ainda, como se fosse anular tudo o que senti durante um filme. Acredito que alguns sentidos de um filme até possam ser discutidos, mas esses aspectos são puramente técnicos e, normalmente, são responsáveis por somente 10% do que sentimos pela obra. Mas enfim, discutir não é igual a comentar um filme com amigos… expor suas idéias… falar do que o leva a gostar ou não de algum filme. Agora, questionar o que uma pessoa carrega em sua essência (que é, afinal de contas, o que vai ser o diferencial na hora de “avaliar” um filme) é pura babaquice.

  10. djonata

    e perda de tempo, até.

  11. Mas que os meus são os melhores, ah eles são…:B

  12. Tudo depende, e muito, do interlocutor. Quando se trata de alguém que eu sei que só quer uma chance de vomitar um monólogo sobre algum filme, ou alguém que pensa em “vencer” discussões, se for na internet, eu nem respondo, se for em pessoa, eu educadamente finjo que estou escutando.

    Quando alguém me pergunta sobre um filme e eu sei que a pessoa quer saber se deve ou não ir ver, eu respondo coisas simples, do tipo “olha, ele é meio lento”, “bá, achei muito boas as piadas”, coisas assim…

    O bom é quando tem gente que quer trocar impressões, aí sim eu acho que vale a pena debater, não pra mudar a idéia de alguém, mas pra expandir, pq mesmo que tu continues discordando completamente do que o outro disse, tu vais ver que há uma forma diferente de encarar aquele filme. Isso, é claro, se tu não fores um imbecil que acha que sabe tudo e tá sempre certo. Se for esse o caso, eu recomendaria o isolamento completo, ou talvez o suicídio.

    E tudo isso pensando só no cinema como objeto do debate, pq ainda poderíamos dizer que, ao falar com alguém sobre cinema, estamos conhecendo a outra pessoa, através das opiniões dela, e se tem uma coisa que é interessante é conhecer as pessoas.

  13. Ah, e obviamente os meus filmes preferidos é que são os melhores.

    Hahaha

  14. anonimo

    Pior que ele tem razão, hehehe…

    Mas acho que a razão de discutir não e convencer ninguém, mas sim descobrir pq essa pessoa não gosta desse filme que voce e todo mundo gosta.

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