A Encarnação do Demônio (José Mojica Marins, 2008)

Aqui no Multiplot já falamos algumas linhas sobre como o Terror é, em muitos momentos, considerado por muitos um “gênero menor” (tanto é que, em alguns tops feitos pelo pessoal, os filmes mais explícitos ficaram de fora). Agora, imagine um filme de terror brasileiro. Agora, imagine que o diretor, o ator principal já está nesse ramo há mais de 40 anos. Esse diretor/ator/realizador é ninguém mais do que José Mojica Martins, mais conhecido como o seu alter-ego “Zé do Caixão”.

Encarnação do Demônio fecha a trilogia iniciada com “Á Meia-Noite Levarei a Sua Alma” e “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”, onde o famoso coveiro sai da prisão depois de 40 anos e continua a sua procura da mulher que gerará o seu primogênito perfeito. Muitos podem pensar que se trata de uma produção trash. E o é. Mas é um filme que se assume trash (mesmo com o investimento de mais de R$ 1.000.000, uma fortuna se comparado ao restante desua filmografia) que se mantém fiel a sua essência, e que, por mais que pareça perder um pouco o rumo em certos momentos, se sustenta muito bem até o seu final, graças a mistura em doses controladas de momentos de riso e terror e a direção segura e guiada com rigidez por Mojica, onde subtramas e personagens são abandonados abruptamente em prol da continuidade da trama.

Mais do que isso, esse filme mostra para muitos telespectadores que o seu realizador é muito mais do que uma figura curiosa e engraçada. Assim, aqueles que foram assistir apenas pela figura sarcástica terão uma experiência totalmente realística e diferente do que esperavam. Como um cartão de visitas do que o Mundo de Zé do Caixão pode oferecer. E, muito provávelmente, nem todos estarão preparados para ele. Digo isso com propriedade: na sessão onde assisti o filme, várias pessoas saíram no meio do filme, enquanto que as que permaneceram até o final se mostraram extremamente tensas nas cenas mais pesadas. O que apenas corrobora o total controle de Mojica sobre o que ele pretende alcançar no público.

Assim, A Encarnação do Demônio, mais do que o fechamento de sua trilogia tão sonhada pelo seu realizador durante 40 anos, é a comprovação de que José Mojica Marins é um dos maiores desbravadores do Cinema Brasileiro. E que venham mais filmes do Zé do Caixão para o cinema!

3/4

Adney Silva

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2 Comentários

Arquivado em Comentários

2 Respostas para “A Encarnação do Demônio (José Mojica Marins, 2008)

  1. Esse é o tipo de filme que digo: é uma obrigação de qualquer cinéfilo assistí-lo – gostando ou não!

  2. Daniel Dalpizzolo

    Gosto demais das partes anteriores da trilogia. Ainda não conferi este, mas certamente farei quando a oportunidade surgir.

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