10º Festival Internacional de Curtas de BH

QUINTO DIA

DREZNICA (Anna Azevedo)

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3/4

Partindo de um questionamento que fez a si mesma, de como sonham os cegos, a diretora Anna Azevedo decidiu entrevistar alguns deficientes visuais a fim de coletar depoimentos que respondessem a dúvida. Algumas surpresas vieram pelo caminho, como saber que a cegueira não é o preto total, para muitos acaba sendo um poético azul. E diante da possibilidade de poesia, Anna Azevedo decidiu tornar seu filme mais pessoal que o que era imaginado, jogando fora toda a pista de video dos depoimentos filmados e mantendo somente o áudio. Para ilustrar o documentário, ela pediu a amigos e colaboradores imagens de família em Super 8, que tomou como sendo dela e daquelas pessoas que prestaram os depoimentos. Os deficientes não sabem ao certo se as coisas com as quais eles sonham são da maneira que eles imaginam, então é uma memória inventada e falha, como é a opção de Anna por aquelas imagens de arquivo pessoal. O resultado é belíssimo.

PARTIDA (Daniel Lentini)

2/4

Partida fala sobre o momento definitivo na vida de um homem, o que antecede sua morte. Mas o homem em questão opta por acabar com a própria vida e a espera angustiante é que o olhar de Lentini tenta acompanhar, com uma distância respeitosa e incômoda. Pena que o que fica no final das contas é a sensação de impessoalidade com aquele drama e aquele personagem, tornando tudo muito desinteressante para quem deveria tentar compreender as motivações do homem.

MERCÚRIO (Sávio Leite)

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0/4

Festivais de cinema tem dessas coisas. O cinema de experimentação artística costuma ser bastante mal criticado – injustamente, muitas vezes – por conta da não-compreensão das propostas dos artistas. Mas por outro lado acaba sendo cômodo demais “experimentar” qualquer coisa e ter como resultado coisa alguma. Mercúrio é um caso de animação mal feita, partida de lugar algum, passando por coisa nenhuma e chegando a não sei onde. Festivais de cinema tem dessas coisas…

ANIMADORES (Allan Sieber)

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1/4

Em Animadores nada está necessariamente fora do lugar. Mas fica a impressão de um trabalho de pessoas com talento que entraram numa brincadeira camarada. A estória é inocente e o resultado da animação idem. Um grupo de animadores de festa infantil pega o metrô, passa por situações complicadas na festa e saem exaustos do dia de trabalho, ainda tendo alguma parcela de desilusão na volta pra casa. O filme é assim também, mas a desilusão foi minha.

TRÓPICO DAS CABRAS (Fernando Coimbra)

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4/4

Um homem e uma mulher decidem se jogar numa viagem pelo país com a necessidade de se libertarem um do outro. A palavra “necessidade” aqui cabe perfeitamente, já que parece sufocante amar o outro na situação em que eles se encontram. O homem vê a mulher fazendo sexo com outro homem, depois cheira sua genitália para ser capaz de sentir asco. O doloroso processo do “desamar” é objeto do olhar de Fernando Coimbra no estupendo Trópico das Cabras, um desses road movies de viagem interior que relembram Paris, Texas (inclusive tem um plano dos rostos dos personagens se sobrepondo que é belíssimo) e parecem não dever muito ao filme de Wim Wenders. O filme de Coimbra, fotografado por Lula Carvalho, é um dos exemplares mais felizes do curta-metragem recente, se valendo da mídia perfeitamente, nunca parecendo ser um mini-longa. Ainda que o duro ciclo dos personagens consuma terrivelmente nosso tempo.

OCIDENTE (Leonardo Sette)

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3/4

Leonardo Sette posicionou sua câmera em um vagão de trem para captar algum recorte de uma realidade. Assim sendo, seu filme poderia realmente ser classificado como um documentário. Mas Sette faz um jogo de possibilidades com nosso olhar, somente permitindo nossa visão da situação nos momentos em que o trem passa por túneis, pois só assim a fotografia possibilitaria o reflexo necessário nas sombras para vermos o que se passa do lado de dentro. Existe um zoom, existe o reflexo da câmera. Sette assume o cinema ali, a ficção de toda a construção. Em seguida une o plano do casal de meia idade que viaja sem contato físico algum rumo ao oriente com o plano de um apaixonado casal jovem que vai na posição contrária. É todo um discurso cinematográfico com apenas um corte, um movimento de câmera, dois planos e nenhuma palavra.

Thiago Macêdo Correia

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