Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995)

Esse terceiro episódio da série iniciada em 89, onde ocorreram a mudança de diretor da franquia e a do ator que interpreta Batman, toma a correta atitude de colocar uma história em que o centro é o herói. Aqui ainda temos os vilões apoteóticos de sempre, mas eles não aparecem para “roubar o filme”, tomando uma importância maior que a do herói na trama. Mesmo com os exageros do diretor Joel Schumacher, Batman Eternamente trata, sim, de Bruce Wayne/Batman (Val Kilmer) que aqui sofre uma crise de identidade, já que não sabe se seus atos heróicos ajudam ou atrapalham a população de Gotham City. Isso é posto à prova a toda hora, não só através dos vilões Harvey Dent/Duas Caras (Tommy Lee Jones), e Edward Nigma/Charada (Jim Carrey), mas também pelo parceiro de Batman, Dick Grayson/Robin (Chris O’Donnell) e seu interesse romântico Drª Chase Meridian (Nicole Kidman).

Começamos vendo Batman tentando evitar um roubo de um banco por Duas Caras. Roubo esse que logo se revela uma armadilha para o herói. Duas Caras quer destruir Batman a todo custo já que o culpa pelo acidente que sofreu e deformou seu rosto. Então, vamos ver sempre esse vilão tentando matar o Homem-Morcego. Do outro lado, temos Edward Nigma trabalhando na empresa de Bruce Wayne, e com uma incrível obsessão por seu chefe. Edward é daqueles fãs que não sabem se amam ou odeiam o objeto de adoração, já que essa suposta adoração que ele diz sentir, logo vira ódio quando Bruce recusa um projeto que Edward estava desenvolvendo, fazendo assim o personagem assumir a vilania, se transformando no vilão Charada, e tentando a todo custo derrotar o antigo chefe. Temos assim, um vilão querendo destruir Batman e o outro querendo destruir Bruce Wayne, sem nem saberem que são a mesma pessoa.

De um lado temos os vilões pressionando os dois lados do herói, e do outro, o interesse romântico de Batman também age da mesma forma. Drª.Chase Meridian logo demonstra um interesse por Batman, chegando a se apaixonar, mesmo sem saber muito sobre ele. Simultaneamente, ela é assediada por Bruce Wayne que se apaixona também, mas quer ficar com ela como Bruce e não Batman, sem poder contar a ela que um, na verdade, é o outro. Essa interação entre os dois personagens é um dos destaques do filme. Drª. Chase Meridian é interpretada por Nicole Kidman, que dá um charme todo especial para o filme fazendo um ótimo par com Val Kilmer. Nicole foi com certeza umas das melhores parceiras de Batman, perdendo somente para a inesquecível Mulher-Gato de Michelle Pfeifer. Outro personagem interessante que surge nesse contexto é o próprio Dick Grayson/Robin. Aqui ele não compromete tanto a imagem de Batman (como houve na série de TV dos anos 60 e no filme posterior Batman & Robin), já que a presença dele é mais um estopim para Batman colocar em xeque sua identidade. Dick Grayson também tem os pais mortos por um maníaco (Duas Caras) e passa a querer se vingar. Bruce através de Dick passa a rever toda a mesma situação que sofreu no passado, e essa vontade de vingança de Dick faz com que Bruce questione até o senso de justiça que tem, fazendo o personagem se pôr a prova mais uma vez. E assim a história reage com todos esses personagens postos ali em função de Bruce Wayne/Batman e não o inverso.

Visualmente, aqui ainda se tenta manter o visual dark dos anteriores, mas o diretor Joel resolveu colocar cores em muitos cenários, tentando lembrar mais as HQs e a série de TV do herói na década de 60. Mesmo que essas cores não combinem tanto com o dark, não chegam a incomodar tanto quanto no filme seguinte (Batman & Robin). O visual do filme ainda é agradável de ver apesar de certos exageros. E por parte do elenco, todos estão muito bem. Até Tommy Lee Jones que muitos acusam de ter errado o tom do Duas Caras, já que seu personagem perde a densidade, caindo muitas vezes no erro de ser palhaço demais, mas em nenhum momento, Batman Eternamente tenta ser maior do que é: um “filme-pipoca” mesmo, sem maiores pretensões. Então, dentro desse contexto o personagem Duas Caras, e conseqüentemente assim o ator Tommy Lee Jones, funcionaram muito bem, como o restante do elenco.

Finalizando: Longe de ser um grande filme, Batman Eternamente é eficiente no que se propõe. História centrada no herói, elenco competente e charmoso, visual agradável. Joel Schumacher nessa sua primeira empreitada na franquia consegue agradar (a mim, pelo menos). Pena que ele resolveu fazer outro filme do herói, cujo resultado desastroso, de certa forma, acabou manchado o que ele tinha montado aqui…

2/4

Jailton Rocha

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1 comentário

Arquivado em Resenhas

Uma resposta para “Batman Eternamente (Joel Schumacher, 1995)

  1. Renan Rubira Gomes

    Batman Eternamente foi um excelente filme.Amei!

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