Batman Begins (Christopher Nolan, 2005)

Depois do fracasso retumbante de Batman e Robin (Joel Schumacher) os executivos da Warner ficaram temerosos em investir em mais um filme do homem-morcego. Passados quase sete anos de especulações, seja de elenco e – principalmente – de diretor, resolveram apostar no inglês Christopher Nolan para levar as telonas uma nova visão do vigilante de Gotham. Nolan até então havia mostrado competência com o bom Insônia, que conta com as presenças de Al Pacino e Robin Willians, e no ótimo Amnésia, com Guy Pierce.

Feita a escolha para ocupar a cadeira de diretor, a questão que todos se perguntavam era: “quem será o intérprete do Batman?” o galês Christian Bale fôra o escolhido, após inúmeros nomes. Bale demonstrara enorme talento no subestimado Psicopata Americano; mesmo assim, era um ator relativamente desconhecido, e para a proposta de “recomeçar” a série, parecia bastante coerente, assim não se atrelaria a imagem de Batman ao ator, e sim o oposto, Bale seria, a partir de então, O Batman.

Ao contrário das abordagens anteriores do personagem, Nolan optou por situar o herói num universo palpável, realista, fazendo com que fosse possível crer que Batman poderia tranquilamente ser qualquer um de nós, que fosse rico e insano o suficiente para encarar o uniforme negro. Como Batman Begins ignora as abordagens autorais (maravilhosas) de Tim Burton e mesmo as carnavalescas de Joel Schumacher, Nolan opta por explicar toda a origem do homem-morcego, em detalhes, dando função a cada objeto e atitude tomada pelo herói. O que muitos vêem como um demérito, eu enxergo como qualidade. Batman ao contrário de Superman, Homem-Aranha, X-Men e tantos outros, não possui super-poderes e, portanto, é tecnicamente um homem ordinário, extremamente rico, é verdade, e muito bem treinado fisicamente (fica claro isso no princípio do filme com sua peregrinação em busca de treinamento, com bandidos, etc) que afinal de contas precisa racionalizar, seu uniforme, suas atitudes, seu transporte, tudo, tudo tem que ser real, pois ele é apenas um homem que usa um disfarce à noite para não ser identificado.

Pode parecer ridículo um homem vestido de morcego fazendo justiça, mas convenhamos, Bruce Wayne não é lá o que podemos chamar de saudável mentalmente, além do que, apesar de o filme ser quase que totalmente estruturado no verossímil, flerta vez ou outra com a fantasia , fato que faz com que não perca a “aura” quadrinesca. Cito o exemplo da planta azul que só encontrada em determinado local – só faltava dizer que ela nasce de 100 em 100 anos.

Batman Begins é antes de mais nada um prólogo do que está por vir, A Warner apostou em Nolan e numa nova abordagem do herói, a qual foi bem sucedida e abriu espaço para a seqüência que em breve estreará, intitulada “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, onde serão inseridos no contexto o Coringa (vilão emblemático de Batman) e o Duas Caras que também é dos mais famosos vilões. Nesse sim residem as grandes expectativas, já que agora sim a coisa é pra valer, e não apenas uma preparação/aposta.

4/4

Djonata Ramos

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1 comentário

Arquivado em Resenhas

Uma resposta para “Batman Begins (Christopher Nolan, 2005)

  1. Perfeito. Parece que tu viajaste ao futuro, assististe as duas sequências e voltou para escrever isto!

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