Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)

Lembro-me que em meados de 2000, quando Corpo Fechado começou a ser divulgado pela mídia, falava-se no “novo filme do diretor de O Sexto Sentido”. Isso, de certa forma, fez com que o filme tivesse um retorno ruim junto ao público e, até mesmo, na crítica. Um dos comerciais, dava forte ensejo ao fato de um único homem sobreviver a um acidente catastrófico de trem, de forma tendenciosa, inserindo um tom sobrenatural diretamente atrelado ao que apresentava O Sexto Sentido, isso ainda reforçado pelo fato de Corpo Fechado contar com Bruce Willis à frente do elenco, e, claro, com Shyamalan na cadeira de diretor.

A sensação que se tinha/tem é que Shy, ficou refém de si mesmo. Como se a cada novo filme, apenas o final importasse, fato que acabaria por tornar-se uma faca de dois gumes, com o passar do tempo e com a crescente filmografia do indiano, isso foi desmistificando-se, e pra alguns, caindo de qualidade filme à filme.

Corpo Fechado não é sobre um cara que sobrevive a um acidente de trem, digo, não é só isso. Corpo Fechado antes de qualquer coisa, trata de um homem que não sabe o que lhe falta, ou pior, lhe falta algo? A tristeza que Dunn afirma sentir a cada manhã, resulta de quê? Dunn tem problemas no seu casamento, isso fica claro na primeira cena do filme em que, ao sentar uma mulher ao seu lado no trem, ele tira sua aliança, no intuito de flertar. Mas será que o problema é mesmo com o casamento? Na primeira oportunidade que temos de estar com Dunn e sua família, notamos que cada um é sozinho, o filho tentando aproximar-se do pai, a mulher sem perspectiva alguma em relação ao casamento, e Dunn ali no meio dos dois, como se tudo dependesse dele pra funcionar. O problema é que ele não sabe o que precisa fazer, até conhecer Elijah.

Elijah é um aficionado por histórias em quadrinhos e tem sérios problemas de saúde, seus ossos são fracos, a qualquer descuido, partem-se como vidro. David Dunn é seu oposto, além de não ter se ferido no acidente de trem que matara centenas de pessoas – exceto ele-, nunca adoeceu, nunca machucou-se. E a medida que a trama vai sendo exposta vai ficando claro, Dunn tem algo especial, Dunn é um superherói e Elijah é seu algoz, seu extremo oposto, e a forma com que isso vai ficando claro a medida que os atos são desenvolvidos, é magistarlmente conduzido, com mão segura de Shy, a sensação que temos é, que, sabemos tanto de Dunn, quanto ele próprio, ou seja, nada.

Shy desenvolve o plot da forma “tradicional” em filmes do “gênero” – primeiro ato: descobrir seus poderes – segundo ato: combater o mal – terceiro ato: enfrentar o vilão, o arquiinimigo. E quando somos apresentados de forma explícita ao vilão do filme, é surtante, ao constarar o quão insano ele fora no intuito de descobrir seu rival e, assim, descobrir à si mesmo, descobrir o seu lugar no mundo e seu propósito. E quando Elijah descobre seu papel, ele revela o de Dunn também.

4/4

Djonata Ramos

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2 Comentários

Arquivado em Resenhas

2 Respostas para “Corpo Fechado (M. Night Shyamalan, 2000)

  1. Amílcar Figueiredo

    Esse é o segundo filme que eu mais gosto do Shyamalan. A planificação do filme é sensacional.

  2. Gostei muito desse filme, é o meu terceiro favorito do diretor, depois de O Sexto Sentido e A Vila, duas obras-primas do cinema contemporâneo. Roteiro original, ótimas atuações, fotografia perfeita e uma direção ousada e criativa. Sensacional !!!

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