O Massacre da Serra Elétrica (Tobe Hooper, 1974)

Para o público de filmes de horror de hoje em dia, já acostumado a muito sangue, vísceras à mostra e todo o tipo de atrocidade sendo escancarada em closes de mesas de cirurgia, “O Massacre da Serra Elétrica”, de 1974, produzido com um orçamento baixíssimo e um elenco desconhecido e inexpressivo, pode até ser taxado como um filme de horror “light”, sem grande apelo. Mas essa impressão só seria sentida por aqueles que buscam nesse tipo de filme uma sensação barata de pavor, aquele pavor provocado por sustos gratuitos e gosto pelo repúdio da exposição desnecessária de carnificina. Já os que preferem embarcar em uma experiência sádica para uma ambientalização intimidadora marcada por uma sucessão de cenas de teor absolutamente, fazendo-nos ranger os dentes de apreensão, esse filme dirigido por Tobe Hooper pode ser facilmente considerado um dos mais perturbadores já realizados, sendo um dos responsáveis pela criação de um sub-gênero, o slasher, altamente difundido na década seguinte, em diversos filmes, entre eles o mais célebre, “Sexta Feira 13”.

Assim como muitos outros filmes o fizeram (“Psicose”, “O Silêncio dos Inocentes”, entre outros), “O Massacre…” tem como inspiração principal a figura do psicopata Ed Gein, que aterrorizou uma cidade chamada Plainfield, nos EUA, durante os anos 50. O enredo do filme trata da história de um grupo de jovens, entre eles os irmãos Sally e Franklin (esse paraplégico) que viajam até a casa onde viveram na infância, agora abandonada, numa pequena cidade do interior do Texas, impulsionados pelos rumores envolvendo violação dos túmulos no cemitério local, onde foram verificar se não haviam mexido nos ossos de seus ancestrais. Acabam, porém, como todo bom grupo de adolescentes xeretas de filmes do gênero, invadindo uma outra casa, aparentemente também abandonada, e apartir daí se deparam com um nível de terror que jamais imaginariam poder passar um dia, nem nós, que embarcamos junto a eles, nessa inserção sem volta àquela atmosfera macabra. O filme te envolve de tal maneira que mesmo que o natural asco ao presenciar cenas de morte grotesca como a de um garoto levando uma marretada na cabeça e caindo, mexendo as pernas em espasmos nervosos, ou a contemplação da imagem de uma mulher sendo dependurada em um gancho pelas costas, como um animal prestes a ser abatido num matadouro te faça rejeitar o que vê, algo de podre dentro da gente parece nos impelir a assistir a tudo, até o fim, confortáveis pela sensação de proteção, de estar apenas espiando a desgraça alheia.

A última meia hora, onde a tensão chega a níveis insuportáveis, com a família de necrófilos (incluindo aí um avô meio zumbi) torturando a mocinha física e psicologicamente, é o ponto alto do filme. É nessa reta final que fica claro o poder hipnótico que ele consegue, nos deixando fisicamente fadigados, afoitos por um desfecho, seja ele qual for, para que possamos enfim sair de dentro daquele universo de sangue, corpos sendo esquartejados por um maluco portando uma moto serra, e ossos de animais ornamentando a decoração de uma casa que de acolhedora não tem nada. “O Massacre da Serra Elétrica” (que ganhou até um remake em 2003, muito mais parecido com os filmes que se derivaram dele do que com o original) é um registro cru e cruel de até onde pode ir a insanidade humana, e merece ser visto não somente a título de curiosidade, pela aura “cult” que o filme carrega, mas como contemplação de um dos melhores registros de filme de horror, no sentido mais literal possível da palavra, em todos os tempos.

4/4

Rodrigo Jordão

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15 Comentários

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15 Respostas para “O Massacre da Serra Elétrica (Tobe Hooper, 1974)

  1. claudineia

    eu confesso que não estava acostumada a ver um filme como esse. E vcs são ótimos eu achei inprecionante as cenas que pareciam super reais ,meus parabens a todos que participaram deste filme que foi muito bom mas eu não consegui assintir todo ele pois são cenas muito chocantes que parecian reais ,não consegui ver todo mundo sofrendo da forma violenta que sofreram.bjs .

  2. claudineia

    eu assinti no dia 15/12/ fiquei até varios dias chocada por saber ,que ,na vida real essiste pessoas realmente com toda esta coragen de matar um ser humano, fiquei inprecionada com as cenas não consegui comer durante aquele dia , os efeitos especias do fime foram ótimos achei realmente um filmme expetacular apesar de não ter assistido todo ele foi ótimo.

  3. Daniel Dalpizzolo

    Agradecemos muito pelos elogios ao trabalho. Foram dias de reclusão em uma estrada vicinal no norte do Pará pra poder filmar esse filme, às vezes tendo que depender do próprio canibalismo (acha que a idéia do filme veio de onde, hein?) pra sobreviver.

    Mas você deve ter perdido a melhor parte então, foi quando arrancaram minha perna fora sem querer com a motoserra… Nossa, MUITO sangue jorrando. É uma das cenas mais fortes do filme… Mas estou pronto para a próxima, coloquei uma metralhadora giratória no lugar. :)

    Beijos.

  4. Luis Henrique Boaventura

    Valeu Claudinéia! Realmente foi complicado, especialmente as cenas de canibalismo, até hoje eu não sei quem comeu minha orelha. Foi bom esse acidente com o Dan porque pelo menos a gente pôde fazer um churras legal com a perna aquela noite. Táva meio salgada e tinha um gosto estranho de óleo diesel, mas quebrou um galhão.

    Abraço!

  5. Daniel Dalpizzolo

    Tua orelha eu masco até hoje…

  6. O massacre da serra elétrica é o meu filme preferido e é o melhor filme de terror já feito, muito melhor que O exorcista, Sexta feira 13, A hora do pesadelo e etc…
    Realmente não se fazem mais filmes de terror como os de antigamente, O massacre da serra elétrica é muito pertubador, tenso, agoniante, é tão realista que parece que estamos sofrendo junto com a Sally, uma família inteira maltratando uma única mulher, mas felizmente no final ela consegue sobreviver.

    O massacre da serra elétrica é o melhor filme que eu já assisti, imprecionante como eles fizeram um filme tão perfeito com apenas R$ 140.000,00 dólares, ótimos atores, mesmo sendo desconhecidos.

    Uma obra prima do terror.

  7. Jean Soares

    Espero que antes do fim, vocês consigam descobrir que estão apoiando o lado errado. Espero que descubram a diferença entre “Aliado e inimigo” e que confiar em um inimigo é sempre doloroso em todos os sentidos. Haverá sempre uma entrada para retornar. O caminho da “Luz” não e tão “escuro” quanto disseram que era. O Senhor do “Bem” não é tão “Mal” e nem tão fraco quanto mentiram a esse respeito.
    Não vamos negar sobre esse instinto sombrio que existe em todos nos. Nos não somos anjinhos, mas também não somos demônios. O que somos?
    -Somos seres no meio de uma batalha sangrenta e cruel e precisamos nos posicionar de algum lado das forças da guerra. Nos já sabemos quem vence no final, mesmo assim é o lado mais difícil de permanecer. É preciso ter muita coragem e força e não simplesmente se entregar e deixar pra lá. Mesmo que não entendamos muita coisa uma delas e certa: O “mal” é uma coisa ruim, (o nome já diz) dai só nos resta uma opção, (vista não existir a imparcialidade nesse caso) o ‘Bem’.
    Jean Soares

  8. Daniel Dalpizzolo

    Crença é como cu e etc, só queria entender o que faz alguém postar uma coisa dessas no fórum sobre um filme de canibais. Deixa cada um comer o que quiser, caramba.

  9. Jean Soares

    Se não quiser responder tudo bem, eu aceito e respeito, mas me diga: -No que você acredita?

    Obs: Você realmente quer entender “O porque”?

  10. Eu acredito no cinema como um ringue de vale-tudo.

    E ah, nem quero entender não, foi apenas um artifício usado pra poder fazer aquela piada ali.

  11. felipe

    finalmente um blog que fala sobre verdadeiro melhor filme de terror da historia .vejo as pessoa babando ovo pors exorcistas e iluminados da vida sendo q eles nao tem graça nenhuma ,ja o massacre.. elevou a historia do terror ao outro nivel

  12. Onde eu tava em dezembro que não vi a Claudineia?

  13. Putz, agora eu vi o tal do Jean!!!!!!!!!!!!!1

  14. Victor Ramos

    Nossa! Quanto fanatismo religioso! Jean
    Cara… Eu acredito em Deus, mas ser fanático é outra coisa. Aff… O que a cegueira n faz com as pessoas. Cinema é arte onde a liberdade de expressão tem que alcançar a todos, no caso deste filme: alcançar aqueles que procuram fortes emoções.
    Conheço gente do seu tipo (já conviví muito com gente assim), que olha os defeitos dos outros e tentam ser santinhos olhando para a vida alheia… Antes olhe os seus defeitos, procure ler (e interpretar) a bíblia q tanto acredita… Verá que nela msm fala: ”n julgue para n ser julgado”. Vc é apenas um humano comum de merda querendo ser uma coisa q n é, deixe a santidade para quem é santo de fato e procure pregar o que Jesus ensinou, e acredito q n foi a hipocrisia.

    Quando ao filme: ótimo!

    Ps: me perdoem pelo discurso, mas esse fanatismo me deixa abismado.

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