Rambo IV (Sylvester Stallone, 2008)

Quando Sylvester Stallone resolveu dar um capítulo final à saga de Rocky em 2006, lançando Rocky Balboa, confesso que fiquei temeroso. Não pelo fato de os filmes anteriores serem exatamente ruins, mas justamente porque a cada novo capítulo do boxeador ítalo-americano, o nível de qualidade despencava notavelmente. Para minha surpresa, no entanto, Rocky Balboa se mostrou quem sabe o segundo melhor filme da franquia, sendo justamente o que mais se aproxima ao o original (Rocky – Um Lutador, Oscar de Melhor Filme de 1977) mostrando mais o lado humano de Balboa ao invés de lutas com rounds infindáveis.

Stallone parece ter gostado da idéia de “ressucitar” seus ícones, talvez pelo fato de Rocky Balboa ter feito razoável sucesso de crítica e público. Sly parece ter ficado auto-confiante e se encarregou de dirigir e protagonizar (por óbvio) o quarto capítulo da saga de Rambo. Infelizmente o raio não caiu duas vezes no mesmo lugar.

John Rambo que agora encontra-se aposentado, vive “escondido” numa floresta situada na Birmânia, onde basicamente se ocupa de caçar cobras para rinhas (!). Numa dessas tardes, após entregar uma das cobras, ele recebe a visita de um grupo de ativistas que pretendem alugar o seu barco para subir até uma área em guerra, ou melhor, em genocídio. Rambo, a muito custo, aceita a tal proposta e leva o grupo até seu destino (eles vão para medicar os desalentados). Ao se passarem dez dias, ele recebe a visita de um pastor, dizendo da incomunicabilidade com o grupo e pedindo para que Rambo carregue uma espécie de trupe de mercenários para que os mesmos resgatem os tais ativistas e os tragam sãos e salvos.

Rambo desembarca junto com o grupo e segue seu próprio rumo na busca pelos sobreviventes ao seu melhor estilo. Stallone opta por não desenvolver os personagens, apenas utiliza-se de arquétipos bastante conhecidos no cinema – sobretudo de ação – para criar cenas violentíssimas e mostrar do que John Rambo é capaz. Ou seja, a trama é mera desculpa pra as cabeças rolarem, ou melhor, explodirem e serem arrancadas.

Particularmente, me diverti com o filme em alguns trechos. Não sei se Sly levou seu longa a sério. Caso não o tenha feito, acabou realizando uma pequena obra-prima do cinema de ação/comédia, do contrário, fez então uma pequena obra-prima de ação/comédia-involuntária. O filme conta com clichês e mortes a cada frame. Toda vez que Rambo surge em cena, temos uma trilha que se eleva, exaltando a presença do herói. Toda vez que Rambo abre a boca, é pra falar uma frase de “efeito” – “Live for nothing or die for something” – é o exemplo mais claro dessa afirmação, confesso que não segurei o riso ao ouvir isso.

No mais o filme parece um vídeo-game de tiro, cabeças voando, pernas arrancadas, árvores sendo derrubadas a esmo. Diria que Rambo IV é uma espécie de Planeta Terror (Robert Rodriguez) sem zumbis e que se leva a sério, infelizmente.

1/4

Djonata Ramos

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1 comentário

Arquivado em Resenhas

Uma resposta para “Rambo IV (Sylvester Stallone, 2008)

  1. zuri ari alves

    achei o filme rambo , muito bom e espero que ele continue atuando mais e mais !
    tambem queria que ele , continua-se com filme cobra que seria bem interessante ! Acho que stallone deve envelheçer atuando como ator e diretor . Zuri ari alves , Florianópolis , 04 de setembro de 2208 .

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