Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009...4:46 am

Oscar 2009 – Avaliação da Noite

Ir aos comentários

por Amílcar Figueiredo

Por mais chata, cansativa ou previsível que seja a cerimônia, ver o Oscar sempre traz algo interessante, seja o espectador cinéfilo ou não, e a edição deste ano não foi diferente. É fácil perceber que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood vem num esforço constante de se modernizar, de atrair um novo público para ver a entrega de seus prêmios. Nesse ano a organização acertou em vários momentos – fazendo uma bela homenagem a cada um dos atores indicados, agrupando os prêmios por uma espécie de “pertinência temática” (Melhor Figurino junto com Melhor Direção de Arte, Mixagem e Edição de Som junto de Edição de Imagens, etc.) e, numa manobra até ousada, associando indicados do presente com filmes e profissionais do passado – embora tenha errado em outros, como na insistência em trazer ícones da cultura pop e adolescente atual que, claramente, nada têm a ver com o simbolismo e com o significado do Oscar.
 
Embora o saldo pareça ser positivo, para quem, como eu, acompanha a festa desde a época em que Cher comparecia fantasiada de ave do paraíso, ou mesmo que Michael Moore – o eterno agitador profissional – xingava o presidente dos EUA, atraindo aplausos e vaias ao mesmo tempo, as cerimônias do Oscar têm se tornado cada vez mais lineares à medida que o profissionalismo e a necessidade pela audiência também aumentam. O assumidamente brega foi substituído pelo sem sal, ainda que correto. Se ficou melhor ou pior, isso vai do gosto de cada um.
 
Numa noite quase sem surpresas – a exceção ficou por conta do Melhor Filme Estrangeiro – interessante mesmo foi ver como a mente dos integrantes da Academia reflete bem as aspirações do momento. Se, no ano passado, foi eleito como o melhor um filme (Onde os Fracos Não têm Vez) técnica e artisticamente brilhante, um invólucro sofisticado para uma assustadora descrença no futuro da humanidade, nesse ano vimos a luz ao fim do túnel sob a forma de uma estória de amor que teima em ser factível quando parece impossível (Quem Quer Ser Um Milionário?) um belo receptáculo para um convite não ao futuro, mas sim ao presente. Mesmo com eleitos tão díspares, não posso dizer que fiquei insatisfeito com o resultado, muito ao contrário.
 
Que bom que o cinema tem dessas coisas, não é mesmo?

9 Comentários

  • Também gostei desse formato mais enxuto em determinadas partes.

    Fiz 22/24, o que é um recorde pessoal. Nada mal. Mas só reafirma o quanto a premiação foi um tanto óbvia.

    Assim como você, também não consigo enxergar essa maldição toda que é a vitória de Quem quer ser um milionário?. Não era o meu preferido, mas o Oscar tem disso, sugerir uma significação e tal.

  • Muito merecido o prêmio do Sean Penn, mas não foi nenhuma surpresa, pelo menos pra mim. Estava claro que a campanha do estúdio pelo Mickey Rourke estava dando mais ênfase ao retorno do cara do que à interpretação em si mesma, e essa é uma estratégia meio arriscada.

    Vinícius, o filme japonês é que me pegou de surpresa. Eu até achei que a Viola Davis poderia surpreender, mas nem isso.

  • Eu desconfiei que a Viola possuía, no fim das contas, chances praticamente idênticas a Penélope. Mas não fui ousado, joguei no mais correto.

    A pergunta que fiquei me fazendo foi: será que alguém apostou nesse filme japonês? Caramba, imprevisível. Meu outro erro foi Curta em Live Action, mas pra isso é preciso um desconto total.

    E também não acreditei que Rourke levasse sobre Sean Penn. Tenho comigo há uns dias que a própria seleção já contava como o prêmio pela atuação como Randy The Ram.

  • Veja, a KAte Winslet ganho o Oscar ‘pela canseira’, se não fosse dela agora, ia ficar feito para o pessoal da academia.

    De resto, penso que esse negócio de dar 8 Oscar para filme indiano… Os caras de Hollywood estão é de olho na dinherama de Bollywood.

    Você se lembra da onde de filmes chineses? …

    Quem é americano, judeu e produtor de cinema, como a maioria da academia, não da ponto sem nó.

    Até mais.

  • Não gostei muito da cerimônia em si, mas os vencedores me agradaram bastante.

  • Sean Penn é um excepcional ator, não discuto. Mas a sua atuação em “Milk” é, como se diz, correta e nada surpreendente. Creio que foi um prêmio “politicamente correto”. Pelo menos, Mickey Rourke perdeu para um de seus maiores amigos…

  • Nossa, o Sean Penn está absurdamente foda em Milk. Inclusive me parece a melhor atuação de sua carreira.


Deixe uma resposta