Segunda-feira, Julho 21, 2008...11:22 pm

Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan, 2008)

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O Cavaleiro das Trevas começa onde termina o Begins – Batman consolidado como o vigilante de Gotham – com a inclusão de um novo vilão: o Coringa.

Fica claro desde o princípio, que Batman já adquiriu o temor dos vilões e o respeito das autoridades e dos civis, como eu havia dito no comentário sobre Begins no texto anterior, Begins era uma mera introdução (por isso, tantas explicações que se faziam necessárias) para que as coisas aconteçam aqui, e elas acontecem.

O Cavaleiro das Trevas é recheado de cenas de ação explosivas, cito o embate do Batman com Coringa, na já clássica cena do “hit me!”, onde Batman se utiliza de todo o seu potencial hi-tech para capturar o vilão, aliás, essa opção pelo hi-tech, justamente nessa sequência, gera o único momento de desconforto para mim, visto que, o que acontece é totalmente desnecessário, é o tipo de coisa totalmente exibicionista, o que, sequer, combina com a proposta do filme.

É impossível não comparar esse filme com o Begins (se bem que, sinceramente, vejo ambos como um único longa, o que melhora a experiência consideravelmente), e nessa comparação, esse leva vantagem, pois acerta aonde Begins errou: tem vilões de alto nível, tem muitas e boas sequências de ação, e, Batman passa a ser quase que o coadjuvante – isso é um mérito.

Batman não é um herói que deve dicar em evidência, pelo contrário, isso é trabalho para os vilões, e o Coringa é o maior deles nesse quesito, espalhafatoso, demente, sem noção alguma. Ele oferece todo o perigo do qual senti falta em Begins, Coringa é o tipo de vilão que não procura razões lógicas para seus atos, ele simplesmente quer destruir, quer Gotham em chamas, e, claro, Batman caído.

E Heath Ledger é o grande responsável por fazer com que o Coringa acabe por tornar-se o protagonista do longa. Em uma atuação estupenda, Ledger vive com intensidade seu personagem. Coringa é cruel, desmedido, fora do tom e completamente lunático.

E por Coringa ser dessa forma, Batman se vê numa situação incomum, pois pra ele, os criminosos querem coisas como dinheiro, poder. Coringa não quer, e isso desestabiliza o Morcego, que se vê frente a um vilão que é como ele próprio, excluídas as suas motivações éticas, morais, eles são dois lados de uma mesma moeda. Fica claro que Coringa considera como vitória, desestabilizar seu oponente; na já citada cena do “hit me!”, ele pede para Batman o atropele, e pede isso sinceramente, pois se o morcego assim o fizer, Coringa terá feito sua parte, terá vencido, pois efetivamente corromperia o Cavaleiro das Trevas.

O filme de Nolan não é um filme fácil, tampouco é ideal para crianças, além de ser muito denso, é extremamente sombrio. Acaba funcionando como um filme de gângsters (trama bem amarrada, cheia de detalhes sobre corrupção, planos mirabolantes, etc), com a diferença de Batman num extremo e Coringa no outro.

Quem sentiu desconforto ao assistir Begins pelo tom verossimil adotado por Nolan, terá ainda mais dificuldades em saborear esse, por ser ainda mais calcado no real, no palpável. Pena de quem se incomoda com isso, pois perderá de ver esse que é, desde já, o melhor filme baseado num personagem de HQS já concebido. Batman merecia um filme como esse.

4/4

Djonata Ramos 

15 Comentários

  • Puxa vida, o tão falado Cavaleiro das Trevas não gerou uma avalhanche de comentários por aqui? Que estranho. Comecemos, pois.

    Não achei essa cocada toda, e pelo motivo mais simples (e mais amado pelo pessoal aqui do Multiplot): não me fez sentir muita coisa. Tecnicamente excelente, e com possivelmente a melhor atuação do ano até aqui, The Dark Knight não me empolgou com suas inúmeras subtramas. Não desenvolvi interação com os personagens, exceção feita a Harvey Dent, superior até ao Coringa, cuja presença é ressaltada pela já citada atuação do Ledger – Aaron Eckhart, embora muito bem, fica a vários metros de distância de Ledger nesse quesito. A um certo ponto, percebi que não me importava muito com o que aconteceria, exceto pelas cenas em si, que são mais bem construídas do que no anterior Batman Begins.

    Entretanto, tudo somado, prefiro o anterior à continuação.

  • Ah, e sobre a penúltima afirmação da resenha, discordo frontalmente (mas com amor e carinho, hahaha). Considero superiores a Batman – O Cavaleiro das Trevas pelo menos Superman – O Filme, Homem-Aranha, Homem-Aranha 2, X-Men 2, Batman Begins, Batman – O Filme e Batman – O Retorno.

    Ressaltando que a ordem em que eles foram citados não é necessariamente minha ordem de preferência.

  • poxa, eu entendi perfeitamente a sua resenha e fiquei com a impressão de que as pessoas no cinema não entenderam muito bem a ironia: no fundo o coringa ataca a postura dos civis de gottham e os civis do cinema, que ‘elegem’ um herói para aceitar uma passividade social de injustiça.
    Gostei da resenha que vc fez e acho que a maioria das pessoas que vai no cinema não percebe como o Ledger fez um dos melhores papéis de vilões do cinema!!

  • Christian, antes de mais nada, quero dizer que sou profundamente contra o “argumento” de que quem não concorda com determinada opinião não entendeu o filme. Não pq isso não aconteça, até certo ponto, mas pq o cinema é arte, e arte não tem resposta fechada (ou não deveria ter). Se algo só funciona se for enxergado sob a ótica “X”, perde o valor artístico, isso do meu ponto de vista, obviamente. E nem acho que seja o caso do Coringa, que a meu ver tem várias “personalidades”, na medida em que pode ser encarado de maneiras variadas (como uma força da natureza, uma representação da maldade em estado puro, ou, como disseste, um crítica ao maniqueísmo e à passividade da população em geral, entre outras…).

    Acho que o Ledger criou mesmo um vilão memorável. Corre um sério risco de ser o melhor dentro do universo de adaptações de HQs de super-heróis. Mas no cinema em geral, ainda sou bem mais Vader e Lecter, hehehe.

  • o Lecter! eu tb pensei nele, lembra muito.

    é, eu concordo com você! Talvez não seja novidade um vilão fazer o que ele fez, mas acho que não é muito fácil perceber a mensagem por trás da anarquia que o coringa pensa. Pelo menos, não da maneira que esta no filme, cheio de tramas e detalhes. Até agora eu não tenho certeza se o batman salvou o dent pq quis ou pq o coringa trocou os endereços. é bem dificil esse filme, muita coisa

  • E eu acho o homem aranha, o personagem, melhor que o batman. Mas acho que gostei mas do Batman porque o Coringa ataca justamente a gente que elege o Batman um símbolo. No começo do filme eu juro que pensei “poxa, seria bom se existisse um batman”. No final, o coringa mostrou pramim que esse é um pensamento passivo demais de uma sociendade moribunda.

  • Pelo que eu vi, o Batman tava bem seguro de que queria salvar a Rachel, foi um truque do Coringa mesmo. E foi genial, diga-se. Agora, entre personagens, eu acho que prefiro o Batman, mesmo. Meu preferido de todos é o Superman.

    E concordo contigo, esses heróis servem (ou deveriam servir) para inspirar as pessoas, mas não deveríamos esperar que eles existissem de verdade. Deveríamos incorporar as características que eles exaltam (algumas delas, não todas, pelamordedeus, hahaha).

  • Já eu acho o filme sombrio, denso e espetacularmente interpretado. Infinitamente melhor que Begins, pois o realismo aqui se enquadra diretamente no mesmo universo o tempo todo (eliminando o abismo que considero existir entre primeira e segunda partes de tal filme). Discordo que o Coringa de Ledger seja inferior a qualquer personagem. A transposição para o cinema de um personagem de humor quase caricato dando-lhe retoques de insanidade e complexidade extremas (Coringa luta pela anarquia e se deleita ao ver Batman sujeito às suas próprias regras psicologicamente estabelecidas para dar suporte ao que julga ser adequado para um herói) é uma tarefa MUITO, mas muito complicada e ele conseguiu, além de produzir uma veracidade impressionante ao personagem mais difícil de se enquadrar no ambiente sério e obscuro proposto por Nolan, manter características básicas que o relacionam imediatamente ao personagem que conhecemos pelas HQs. Fabuloso. Sinto, Marcelão, mas…quem é Duas Caras perto dele? Melhor ainda: quem é Batman perto dele?

  • Sentes o que, hehehe? Concordo contigo, ele é superior ao Duas Caras, escrevi isso no meu primeiro post. E tb acho que ele ofuscou o Batman, mas não no bom sentido, como o Nicholson havia feito em Batman – O Filme, e sim pq o Batman aqui, sei lá, achei meio insosso mesmo. Não me contradisseste em nada, hahaha.

  • Perfeito, Scofa. Para mim, o filme É do Coringa. As coisas rodeiam-no. E a atmosfera do filme serve a isso, com as subtramas sempre tendo alguma relação com ele ou fato que ele cometeu. O problema do “Duas Caras” foi parte do Eckhart, parte dos efeitos, muito toscos… E o Batman com aquela voz não me convence. Fora isso, adorei; em relação ao vilão assumir mais importância que o Batman, eu acho o contrário do Marcelo, no filme do Burton que o Homem-Morcego era insosso, chatão. Já neste, no final – talvez até PELO final, diferente que o filme de 89 -, consegui colocar os dois no mesmo patamar de “torcida”, se é que isso existe. A diferença nas interpretações é que o Ledger, além de me fazer gargalhar, põe medo pela insanidade, enquanto o Nicholson é bem um fanfarrão.

    A cena em que várias pessoas disputam lugar nos barcos lembrou-me de Guerra dos Mundos. Isso mostra que tal era a imponência de alguém que ousava destruir com os padrões e planejamentos da sociedade comum que meteu tanta gente para correr quanto seres extraterrestres que aparecem repentinamente.

  • Vejo que me expressei mal, realmente dá a entender que eu acho o Batman do Keaton menos insosso, o que não é o caso. Mas naquele contexto, tinha que ser aquilo mesmo. Isso me lembra dele dentro da própria mansão, tratando tudo com um distanciamento bizarro (“acho que nunca estive nessa sala antes”, por exemplo). Os personagens dos filmes do Burton eram caricaturas. Esse inclusive é o motivo que me faz pensar que talvez a interpretação do Coringa pelo Nicholson seja melhor que a equivalente pelo Ledger. Ênfase no talvez. Mas na concepção do personagem em si, acho a de TDK bastante, mas bastante superior.

    Voltando ao Batman, obviamente que o enfoque do Nolan é diferente, existe uma busca de realismo e grandiosidade, o que requer um Batman mais “profundo”, marcante, e tal. Não vi isso e, TDK. Alias, vi mais em BB, mesmo com todas as explicações.

  • gostaria primeiramente de agradecer ao Christian por ter elogiado o texto. obrigado sinceramente.
    pena que terei de discordar quando você diz que o Homem Aranha é um personagem melhor que o Batman (claro que é sua opinião), na minha humilde opinião, nenhum desses heróis de HQ é tão denso quanto o Batman, o Aranha é um moleque nerd que tá preocupado com o sustento da tia velha, o superman é um mela cueca mais preocupado em conquistar a Lois Lane que qualquer outra coisa, os outros heróis nem cito pq a coisa vai piorando, além de nem serem tão expressivos quanto estes três. sobre o filme: concordo quando você diz que tem pessoas que não gostam de determinados filmes por não terem entendido, mas isso não significa – NECESSARIAMENTE – que, alguém que entendeu possa não gostar. concordo em parte com o Scofa, todos estão brilhantes, Batman, Duas-Caras e, claro, o Coringa que é o que se destaca, ele é o fronte de todo o mal que vem sendo espalhado por Gotham. acho o Dent um ótimo personagem, e o Duas Caras um dos grandes vilões do Batman, mas o Coringa é o Batman do mal, é o grande vilão dos HQs e, agora, um dos grandes vilões do cinema. que filme, nossa mãe…

  • eu acho que o Batman do Nolan as vezes tem umas cenas muito estranhas e a voz soa muito articial. São pontos bem fracos – e o homem aranha pra mim tem mais dilemas na vida do que o batman – é um cara que ta na merda, é sem grana, se fode muito na vida de sua identidade real – mas ao mesmo tempo é um herói, o que coloca ele mais ou menos (na minha opinião) na mesma complexidade do coringa.

    O primeiro batman do nolan é um exemplo bem clássico: os diálogos são cheios de chavões, e de uma ideologia para adolescentes (por isso que esse segundo filme impressiona, parece que o Coringa faz o Batman amadurecer)

  • Sim, a voz É artificial, mas ela tem que ser. Não ter dinheiro não é o mesmo que se foder na vida, ou vice-versa. O Bruce tem tudo – materialmente – mas é “só”, não tem família, amigos e todas essas coisas que fazem a vida, de certa forma, valer a pena.

  • Bom, concordo com Djonata em numero genero e grau!!! Acho que Bruce Wayne tem uma vida bem mais complicada q Peter Parker…. Parker tem problemas financeiros e uma tia q só lhe traz preocupaçoes, sim isso é ruim, mas ele te amigos e até a propria tia lhe apoiando. O Batman por outro lado é considerado por parte da sociedade um maluco e por outra o inimigo de seus inimigos mas por muito pouco ele é realmente considerado um heroi!!! A unica pessoa q apoia Bruce é o mordomo Alfred. Bruce Wayne diferente de Peter Parker que veste a mascara de homem aranha para esconder a identidade tem como mascara o proprio Wayne e isso eu nao digo pq foi o q Rachel Daws falou no final de Batman Begins, afinal já acompanho o homem morcego desde a fantastica HQ de Frank Miller escrita em 86!!!!

    bom eras isso…


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