
Os Quatro do Apocalipse se ensaia como um western fantasticamente singular para acabar sendo atravessado por uma direção preguiçosa e sem inventividade alguma (com o uso de câmera subjetiva mais imbecil que eu já vi). Estou inclusive surpreso por encontrar um Fulci tão diferente do qual ouvi falar. Não há talento, não há criatividade, não há intimidade com cinema. Só o que há é um princípio de ousadia (contida), que ainda sozinha não serve pra nada.
A bem da verdade é que a violência (representada em especial pelas duas coisas que prestam no filme: a cena da tortura do xerife e a do canibalismo) é o único elemento capaz de levar o espectador do início ao fim de uma odisséia incrivelmente maçante pelo deserto. E que tinha tudo pra ser espetacular, o que é mais triste.
Fulci não se desprende em nenhum momento dos vínculos com o western clássico. Sempre que ameaça libertar a imaginação e mandar tudo à puta que pariu, recua e se apega ao que já foi feito e que ele sabe que dá certo. Toda a condução da trama da vingança é constrangedora, incluindo aí aquele final que surge como se houvessem itens a cumprir numa cartilha de como se fazer um filme. Sempre que o Fulci louco começava a parecer tomar o controle, o cdf baixava com tudo, o que acaba fazendo da própria ausência de identidade de Os Quatro do Apocalipse algo ruim.
Prefiro culpar a insegurança, e deixar pro cara um resto de crédito.
1/4
Luis Henrique Boaventura
16 Comentários
Quarta-feira, Julho 2, 2008 às 12:03 pm
Jah tinha ouvido falar deste filme, mas nunca conferi e nunca tive tanta vontade assim.. vc me desanimou mais ainda.. rsrsrs
Mas quem sabe eu confira um dia..
vlws
Quarta-feira, Julho 2, 2008 às 6:41 pm
Só vi Zombi do Fulci até agora – vou mudar isso em breve -, e apesar de no todo não ter achado nada genial ou etc., tem coisas bem boas, inclusive na intimidade com o cinema que você falou.
Então, por enquanto acho ele bom diretor sim.
Quarta-feira, Julho 2, 2008 às 6:49 pm
O Segredo do Bosque dos Sonhos é um dos melhores pseudo-giallos que eu vi.
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 11:45 am
“Não há talento, não há criatividade, não há intimidade com cinema.”
Essa foi uma das coisas mais absurdas que eu li atualmente… heheh
Não é que não “HÁ” talento, criatividade e intimidade com o cinema. Esses elementos e muitos outros exigem um estado de espírito para serem percebidos. E não só com Fulci, mas com muita coisa do cinema italiano da década de 60, 70 e 80… Os filmes vão muito além do que é visto na tela. Recomendo assistir mais coisas desse periodo do cinema italiano.
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 2:19 pm
Melhor não, ou a coisa pode ficar ainda pior pro Fulci, hahaha. Mas fiquei curioso, que tipo de coisas em Os Quatro do Apocalipse estão muito além do que é visto na tela?
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 8:28 pm
Não são coisas no filme que estão além do que é visto na tela. É o filme de uma forma geral que está. Procure simbolismos, referencias, elementos de gêneros, contextualizações de como e quando o filme foi produzido, filmado, editado… tudo tem relevancia pra entrar no espírito do cinema italiano desse período.
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 8:30 pm
Não me lembro muito de detalhes de Os quatro do Apocalipse, faz muitos anos que vi, mas lembro que o final é bastante simbolista e representa muito mais do é visto ali.
Quinta-feira, Julho 3, 2008 às 11:30 pm
Tá aí um filme que não vou querer ver. não gosto de cinema com “pré-requisitos”. quando o filme é bom, passar por cima de qualquer coisa assim, e torna a experiência maravilhosa igual.
Sexta-Feira, Julho 4, 2008 às 3:31 pm
Tem sim uma conotação religiosa por todo filme, desde o tal apocalipse do título até o parto que pára a cidade dos bandidos, como o messias que redimisse aquele lugar, nascido de uma prostituta e aquela bobagem toda… Metáfora e simbologia alguma redime um filme ruim. Não importa que haja uma crítica à sociedade, referências bíblicas, chuvas de sapos… Metáforas pra mim servem para somar, e olhe lá, à experiência com o filme.
Mas isso vai da minha visão de cinema que pode ser diferente da sua, Ronald, o que não significa problema algum, claro. Aqui mesmo na equipe temos discrepâncias extremas, e não teria graça nenhuma se não fosse assim.
Sábado, Julho 5, 2008 às 12:00 am
Concordo, com certeza… com o gosto dos ouros não se mexe… hehe
Domingo, Julho 6, 2008 às 5:47 pm
Se fosse contar todos os aranca-rabos que houve entre os membros da equipe, daria um best-seller, hehehe
Quarta-feira, Novembro 26, 2008 às 5:45 pm
Então comecei mal…
É o primeiro que vou ver dele. Mas quem sabe eu acabo gostando, em breve dou minha opinião aqui mesmo.
Quarta-feira, Novembro 26, 2008 às 7:03 pm
Pois é, primeiro do Fulci que eu vi e me decepcionou bastante, e depois de todos os outros, continuo com a mesma opinião. Podia ter sido uma OP do caralho, mas fica essa impressão de que quando tá ensaiando ir, não vai. É tipo sucessão de coitos interrompidos.
De qualquer forma, Fulci é mestre, apesar dos Quatro do Apocalipse e da Casa do Cemitério.
Quinta-feira, Novembro 27, 2008 às 1:14 pm
Os Quatro do Apocalipse eh genial.
Sexta-Feira, Dezembro 12, 2008 às 3:12 pm
Se esse tal Fulci é tudo que dizem, esse filme é uma vergonha. Um dos piores que já assisti, não via a hora de acabar.
Olha só, “genial”… Hehehe. Maluco!
Sexta-Feira, Dezembro 12, 2008 às 4:09 pm
O tal Fulci é tudo e um pouco mais.