Quarta-feira, Junho 25, 2008...2:28 pm

Sex and the City (Michael Patrick King, 2008)

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Sex and the City, a série, foi uma das mais interessantes obras vinculadas na televisão em muitos anos. Acompanhando a rotina de vida de 4 mulheres de Manhattan, em seu mundo de luxo, futilidades e preocupações sentimentais (sexo, sexo, sexo!!!), a série se revelou um bom estudo do comportamento feminino universal, mesmo que ali estivessem retratadas mulheres de alto poder aquisitivo e um meio tão superficial. O caso é que o texto delicioso espantava qualquer vestígio de obviedade e capacitava os dramas ao alcance de qualquer “leitor” mais atencioso. Além da ousadia impar – até então – na abordagem da liberdade sexual em um meio de comunicação tão amplo (ainda que Sex and the City passasse na HBO, a quantidade de pessoas que alcançava era gigantesca), com mulheres de 30 anos se portando como homens e libertando de amarras para discutir – e fazer – (MUITO) sexo na busca de suas definições pessoais. No final das contas, Sex and the City, a série, não tem muitos poréns, foi de execução primorosa. Já Sex and the City, o filme, tem lá suas muitas cotas de erros. Em primeiro lugar, a obviedade de parecer um episódio estendido, ou 5 episódios unidos, já que o filme tem inacreditáveis duas horas e meia de duração. Na primeira meia hora ele se basta em “explicar” um pouco a série para quem não acompanhava (outra obviedade) e se limita aos preparativos do mais comum dos eventos em qualquer comédia romântica que se preza: o casamento. E aqui está uma absurda obviedade ao se considerar fazer o filme, a vontade de ganhar dinheiro. E desenvolver o filme como uma comédiazinha qualquer auxiliaria em um alcance maior de público, os mais conservadores poderiam não se chocar tanto. Por sorte, uma “reviravolta” (oh) muda os rumos do filme que aos poucos vai ganhando os contornos conhecidos de maior acidez nos conflitos e os personagens se tornam mais interessantes para o público (quem que viu a série vai compreender a Carrie querendo se casar?). E aparece, finalmente, o sexo, personagem importante na série, mas mero coadjuvante errôneo no filme. Como outros vários coadjuvantes, como Jennifer Hudson, com funcionalidade óbvia e descartável.

Mesmo que em alguns momentos role uma boa inspiração no texto, como em citações críticas da inflação (através do aumento do custo dos clássicos Manolos), de referências boas à série ou em várias “piadinhas” internas (a homossexualidade de Cynthia Nixon), o geral é bastante razoável, ficando muito aquém da qualidade indubitável do texto da série. Sorte as quatros atrizes estarem tão bem em seus papéis (destaque para Kristin Davis, a de menor brilho, tanto na série quanto no filme, mas dona da cena mais forte do filme) e conhecerem seus personagens como cada um de seus sapatos de 525 dólares. Sorte mesmo foi a palavra determinante para avaliar Sex and the City, o filme, positivamente, mesmo depois de tantos pontos contra. Afinal, houve um dia uma série brilhante.

2/4

Thiago Macêdo Correia

5 Comentários

  • Nunca fui muito fã da série e n tow mt animado para assistir o filme, vem recebendo muitas críticas negativas… mas quem sabe um dia neh..

    vlws

  • Costumava curtir a série, mas tbm tenho pouco interesse em ver o filme. Mas a série era show pô, tinha alguns momentos sensacionais e um texto muito bom, e quem fala isso é alguém que detesta ver séries, heh.

  • Vi poucos episódios da série e achei fraquinha, um troço algo fútil e muito deslumbrado (meio como a Cinderela sem a etapa prévia da Gata Boralheira). Sobre a sexualidade feminina os episódios me disseram muito pouco, mas o filme conseguiu ser ainda pior, inclusive com uma Jennifer Hudson muito ruim.

    Já a Cynthia Nixon é uma estória completamente diferente. Ela não só tem os momentos mais bacanas do filme (como o encontro na ponte, que é a cena mais bonita) como também aproveita o melhor personagem, o único com contornos realmente humanos. Embora eu goste também da Kim Cattrall, ela quase não tem o que fazer.

    1,5/4

  • Tb não achei nenhuma grande coisa essa adaptação. O roteiro faz uso de situações muito genéricas, que dão a impressão de tratar-se de um filme qualquer, algo bem diferente da expectativa ligada à fama da série. Da série, alias, eu vi muito pouco, mas os roteiros eram mais inteligentes, menos banais.

    Enfim, cortando por aqui essas comparações que não levam a nada, Sex and the City, o filme, em si, não oferece nada de marcante, tudo o que acontece é esquecido antes mesmo do filme acabar. A melhor atuação, por incrível que pareça, é de um homem, o ator que interpreta o marido da personagem da Cynthia Nixon.

  • Poucos momentos chegam a lembrar a série – entre uma meia e outra meia hora de ação surgia alienígena uma narração em off com comentário satíricos ou uma situação em torno do sexo – mas no geral o filme não é tão ruim, embora excessivamente obeso em sua duração. Samantha continua sendo a melhor personagem e o filme com ela é sempre mais divertido, com destaque às cenas no Mexico – uma sucessão de piadas envolvendo a falta de depilação e suas causas são o momento mais engraçado. Um dos poucos. Mas acho que quem curte a série ou as personagens deve assistir, mesmo que pra xingar .


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