Quarta-feira, Maio 14, 2008...1:03 am
Terror na Ópera (Dario Argento, 1987)

Da série “Como Foder Com um Filme”.
Argento, em Terror na Ópera, provavelmente encontra seu limite-máximo no campo da subjetividade. É impressionante o controle de câmera e a inventividade da direção, sempre apostando no mistério acerca da origem da imagem e transformando cada plano, por menor que seja o significado dentro da ação, em um deslumbre visual. Os primeiros 30 minutos, por exemplo, de nada servem além de enturmar o espectador e o universo do filme, mas a brincadeira com a imagem faz com que nada perca o interesse.
Mas o melhor ainda estaria por vir. O miolo de Terror na Ópera, mais ou menos situado entre o primeiro assassinato, uma das coisas mais incríveis que o Argento já filmou – genial o lance da mulher ser amarrada e ter de acompanhar as mortes sem piscar –, e a conclusão da seqüência do apartamento, um show de tensão e câmera arquitetado pelo mestre maldito, é maravilhoso, de fazer derreter na cadeira de tanta agonia e liberar todos os desejos de sadismo nas cenas requintadas de violência gráfica.
Uma pena que a última meia hora de filme seja desenvolvida simplesmente pra acabar com tudo isso. Engordando uma verdadeira bola de neve com sua sucessão de reviravoltas bobas, previsíveis e tão toscas quanto às de um genuíno filme do ‘Supercine’ – não, você não imagina o quanto é ruim -, Argento termina Terror na Ópera com um dos terceiros atos mais constrangedores de todo o cinema – o que são aqueles corvos sobrevoando a platéia, e aquela trilha-sonora, e os minutos finais, PUTA MERDA -, transformando o que seria um ótimo suspense em uma decepção.
Mas ainda assim vale a pena, já que, em alguns bons momentos, Terror na Ópera parece realmente ser assinado por um grande diretor.
2/4
Daniel Dalpizzolo
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